28 de maio de 2012 21:44

Por Eduardo Soares

Nas últimas semanas a pergunta tem sido constante: Edu, quando você voltará a escrever exclusivamente sobre as questões envolvendo mulheres acima do peso? Tive duas conclusões: 1 – A repetição do mesmo pedido mostra a importância da visão masculina diante do universo G; 2 – De fato, faz tempo que não elaboro uma prosa à moda antiga para destinada ao público alvo deste espaço virtual.

Uma nova tendência (longe de ser unânime) tem incomodado não só a mim como a boa parte dos envolvidos no segmento plus size. Você, leitora acima do peso, que já sentiu ou sente na pele as conseqüências dos famigerados pré-conceitos e preconceitos impostos por uma parte estúpida da sociedade que insiste em julgar o caráter de alguém com base nos dígitos apontados pela balança, deve estar percebendo vários casos recentes de “bruxinhas” se transformarem em “ousadas Cinderelas plus size”.  Bom sinal? Nem sempre. Como assim? Quando o exagero faz-se presente em qualquer história, nenhum conto de fadas da vida moderna tem final feliz.

Até pouco tempo atrás, fotos de gordinhas nuas eram vistas aos montes em sites exploradores do tal “sexo bizarro”. A razão para tal é simples: assim como existe o cara que realmente aprecia o corpo da menina acima do peso, não são poucos aqueles que sentem prazer em esculachar o mesmo tipo tido como “fora dos padrões de beleza”. Essa galera está por aí através de piadas de humor duvidoso, nos abusos do humor negro, nos temas politicamente incorretos e na distorção do conceito da liberdade de expressão. Gente, todo mundo faz piada sobre todo mundo. Você, leitora, em algum momento da sua vida deve ter dito alguma coisa aceitavelmente engraçada pro seu parceiro sobre algo relativo ao seu corpo. A diferença reside em abrir a boca para ofender/atacar gratuitamente determinado tipo de pessoas a troco de meia hora de fama ou da admiração burra de gente com o nível de inteligência abaixo de zero.  Fora isso, você ainda precisa lidar com os sábios que continuam a julgar sua capacidade com base no tamanho da sua calça jeans (se for menor que 48, você serve), ou pelo abdômen não reto, pelos braços fortes, coxas grossas, seios fartos e rostos arredondados. E o pior vem agora. Pasme, ainda tem gordinha que ajuda a manter o racismo ou a criatividade insana dos piadistas de plantão.

Exibicionismo sempre existiu. Mas o que antes era um estilo exclusivo de mulheres donas de corpos esculpidos através de academia, hoje tem a presença cativa de belas (outras nem tanto) meninas acima do peso. O que tem de menina acreditando ser a capa amadora da Playboy ou Sexy é uma coisa de louco! Outras pensam que são atrizes do ramo pornô, vide a enxurrada de fotos/vídeos explícitos pipocando na web. Essas meninas, embaladas pelo boom da aceitação do corpo, tomam banho na fonte do (falso) amor próprio. Com isso, elas estão ao nosso redor, peladas, empolgadas e de bem com a vida.

Existe algo muito interessante que o amadurecimento oferece a todos nós com o passar do tempo: arrependimento. Vai que, aos 18, Luluzinha cismou em publicar suas fotos caseiras sensuais. Dez anos depois, Luluzinha (então uma advogada de renome) teve as mesmas fotos divulgadas por um sujeito que fora acusado por ela. Olha a dor de cabeça (evitável, diga-se de passagem)! Por mais que ela tenha se arrependido daquela peripécia, as imagens, uma vez na intenet, estarão para sempre à disposição dos curiosos. Sim, o Google exerce a função de acervo vitalício. Ou seja, por mais que você tenha vida séria, seu passado estará nos WWWs e emails com titulos como Caiu Na Net, Deu Mole, Ninfetinha Gordinha ou Gorda Exibida da vida.  E o arrependimento perdeu para a inconseqüência de anos atrás.

Tem casal que curte registrar a transa. Nada contra. Mas preserve o conteúdo fotografado ou filmado da noite tórrida. Divulgar fotos dos apetrechos utilizados como a lingerie, chicote rosa, salto alto vermelho e corselete vinho só atrairá tarados de plantão. Não vou elaborar uma cartilha com as “regras dos registros da transa”. O corpo é seu, valorize-o ou valorize-se como achar melhor. Agora, saiba do risco que você corre caso queira mostrar seus dotes para o mundo. E use do bom senso.

Com dois anos dentro do mundo plus size, vi vários ensaios sensuais maravilhosos.  Desde os temáticos (com direito a cinta liga, luva, dedinho na boca e o escambau) até os menos sofisticados. Todos primaram pelo bom gosto. Se você insiste em ser vista, pelo menos procure gente capacitada para orientá-la melhor. Falta grana para aquela produção top de linha? Espere um pouco mais. Enquanto isso, ensaie, treine, não pare. Sem divulgação. Seja sexy pra você. Depois, para quem está com você. Nunca para o mundo virtual. Lembra da Luluzinha? Pense que outros verão seu acervo também. Entenda por “outros” seus pais, filhos, chefe, amigos do marido…

Visão do homem: entre a gordinha gata escancarada e a não-tão-bela-assim fotografada num ensaio profissional (e que pode ser sensual), nosso foco dará exclusividade para o segundo exemplo. Que raios nós, homens, vamos pensar de uma figura que coloca suas fotos na rede aparecendo em poses ginecológicas?

TODA MULHER deve ser apreciada, desejada, cobiçada. Para  quem a mereça ou fez por onde tê-la nua na cama. Caso eu queria apenas um pedaço generoso de carne, tenho duas opções: busco informações a respeito daquela que expôs seus dotes descenessariamente ou vou ao açougue.

Entre sensualidade e vulgaridade existe o discernimento.

Entre o sujeito sério e o cara-a-procura-de-mais-uma-gostosa-exibida existe o merecimento.

Quem merece seu apreço?

  • Arrasou EDU!
    Texto MARA e de bom senso!!!
    Nada como uma visão masculina!
    Bjussssssssss!!!!

  • Leonardo

    Bom texto. Acredito que deve-se respeitar a liberdade de todos. Existem mulheres que querem e podem se exibir a vontade, seja de forma sutil, ousada ou pornográfica. Assim como as mulheres em geral não tem seu valor diminuído por haverem outras mulheres que se exibem de forma vulgar, o mesmo acontece com cada mulher plus size. Isso é uma questão de valor individual e deve-se ter espaços para quem procura e quem oferece todo tipo de material, ainda que os bons apreciadores saibam que não é preciso ser vulgar para ser sensual!

    • Renata

      Nossa…esse Leonardo é meu novo ídolo!!! No dia em que eu souber ser tão objetiva e precisa como ele pra expressar um ponto de vista, terei encontrado o nirvana (risos).
      Ainda mais se o ponto de vista for tão incrivel como esse!
      Parabéns Leonardo!

      bjs

  • muitooooo bom!!!!! adoreiiiiii!!!! Como fotógrafa vejo muita gente perder a noção desse tênue limite. Belo texto!!!

  • perfeito!!
    tem muita gente por ai precisando ler este texto

  • Ai meu amigo querido, sempre arrasando nos textos, esse em questão adorei de paixão porque sei que sou merecedora do seu apreço, rsrsrs. As mineirinhas estão te aguardando aqui viu… conquistou corações com esse texto. Bjooooo

  • tatiana

    MUITO BOM !

  • Thalita

    Falou e disse tudo

  • Renata

    Acho que vc é um cara muito inteligente e quase sempre nuito coerente! Já te aplaudi por aqui outras vezes. Porém dessa vez tenho que discordar de vc! Aliá, “dicumforça”… Primeiramente eu uso 48 e me sinto sim muito bem aceita, acho que tudo depende de quem esperamos aceitação! Em segundo, eu não fiz e não pretendo fazer nenhum ensaio sensual pq já tenho idade o suficiente para preferir tirar fotos vestida! rsrs.
    E nesse contexto, foi onde achei abusivo da sua parte essa repulsa por atitudes que nada tem a ver com vc!
    E se a menina quer se exibir, quer ser ridicula, quer se achar a bam-bam-bam, o que o MUNDO tem a ver com isso? Tem a ver pq ela é GORDA? Os “DONOS DO SEGMENTO PLUS SIZE” se sentem incomodados? Os preconceituosos se sentem incomodados?
    Mas não se incomodam com as MAGRINHAS pós graduadas no ridiculo? Não se incomodam com as saradas em posições ginecologicas vagando pela NET gratuitamente?
    Sabe pq as gordas estão caindo nessa armadilha? Pelo mesmo motivo que as magras. Mulher exibicionista é igual em qquer canto, independente do peso. A diferença é que agora, as exibidas gordinhas tem coragem de assumir seu exibicionaismo. É mais ou menos como sair do armario amigo! Questão de coragem e principalmente, de momento.
    Estamos vivendo o momento historico da queda da ditadura da beleza, e esse momento traz consigo as dores e as delicias de tudo no mundo que se transforma. Tem o belo e o nem tão belo assim, e a unica verdade e´que esse “tsunami” plus size é incontrolável, tem vida própria e NÃO PERTENCE A NINGUÉM, PQ É DE TODOS…É EVOLUÇÃO…
    E quanto a Luluzinha…ela se arrependeu, (com certeza???), porém quem foi a unica a sofrer as consequencias? Foi a propria ilustre. Acha que teria adiantado à ela, aos 18, que qquer figura tivesse passado um sermão sobre etiqueta da nudez? Ou tivesse enviado pra ela um manual “Como ser exibida sem ser vulgar? Ou ainda, tivesse escrito e publicado um texto para faze-la sentir-se a ultima criatura vivente da face da terra? NÃO. NÂO TERIA. Luluzinha na época estava determinada. E palmas pra ela que pouco se lixou para a opinião alheia e foi feliz no presente! Ela podia nem ter vivido pra se arrepender né Edu?!

    bjssssssss

  • O seguimento plus size, no meu ponto de vista, veio para libertar a mulher do preconceito social e mostrar que mulher gordinha também pode ser bonita (até mais do que muitas “dentro do padrão” a meu ver) e que mulher gordinha também pode vestir-se bem, inclusive de forma sexy e sensual.
    Quem de nós há alguns anos atrás (nem tantos assim) conseguia comprar em uma loja “normal” roupas que caíssem bem? Quem de nós conseguia comprar uma roupa que tivesse um corte que valorizasse uma parte do corpo que achasse mais bonita? Quem de nós conseguia comprar uma lingerie que realmente deixasse a mulher sexy??? (Mas cuidado: também não adianta uma lingerie sexy se a mulher não se sente desejável e atraente – é um conjunto).
    (Devo registrar que essa tendência me ajudou demais na minha aceitação e conquista do amor próprio. Experiência própria: a aceitação é o primeiro passo para a felicidade. É difícil? É!!! É de um dia para o outro? Não!!!! Quem pode ajudar??? Você mesma!!!!)
    Entendo que a aceitação e o amor próprio (e incluo a auto-afirmação) não estão diretamente relacionados com a exposição irresponsável que se tem visto por ai, explanado neste artigo, apesar de todas as pessoas que se expoem dessa forma terem praticamente o mesmo discurso motivador. Quantas e quantas mulheres (todos os tipos) não se matam para sair na capa de uma revista masculina para serem “admiradas” e, principalmente, “desejadas” (deixando de lado o financeiro, por favor).
    Besteira!!! Para mim é pura insegurança. Quer ser admirada e desejada??? Use e abuse da sensualidade com seu parceiro entre quatro paredes – o céu é o limite – mas para que e por que fazer isso para todos os quatro cantos da terra ver?!?! O que a pessoa ganha com isso?? Expor-se tão gratuitamente como tem acontecido (vide quantidade de blogs que existem nesse sentido)? Eu realmente não consigo entender isso… A exposição é tão prejudicial para a vida privada da pessoa que se expõe (pegando o exemplo do Edu, a advogada, que vive da sua reputação – já era filha!!), quanto para a família (imagine um amigo de bar comentando a foto da mulher semi nua/nua que viu na revista/internet e que, na verdade, seria a filha, ou irmã dele)…
    Na verdade esse tipo de postura é sucedâneo dos valores morais que trazemos em nosso ser, seja implantado pela família ou no convívio social. Não sei se a Luluzinha tivesse recebido um manual de etiquetas ela teria tido atitudes diferentes, mas, talvez, se ela parasse para pensar antes de agir ai sim, talvez as coisas aconteceriam de outra forma… não as atitudes iniciais (fotos/vídeos sensuais), mas as finais que dão ensejo as consequências (exposição destas fotos/vídeos).
    Não quero aqui defender a tese de que não se deve fazer fotos/vídeos sensuais, pelo contrário, são o cartão postal para a inovação e renovação, especialmente no mundo plus size, por ser um segmento relativamente novo. Quem nunca se viu na modelo de lingerie querendo que aquela roupa fique tão bem em você como ficou na modelo??? Todas as mulheres pensam assim (independentemente do tipo corporal) e querem o modelito (não adianta negar, querem sim)… Mas também existe uma linha tênue entre a liberdade/sensualidade e a irresponsabilidade/vulgaridade… é ai que entra o discernimento e o senso crítico pessoal… ultrapassou esse limite? Arque com as consequências.
    Lembrei-me de uma frase do Cazuza que cai muito bem para o tema: “preferia viver dez anos a mil, do que mil anos a dez”…. Será que ele pensaria da mesma forma se tivesse uma segunda chance???? Não sei, mas prefiro viver no meu ritmo: nem a mil, nem a dez…

    • Renata

      É simples Simone: Viva vc no seu ritmo e deixe os outros(as) viverem no ritmo deles. A diversidade de carateres é o que torna a vida tão interessante, ao invéz de uma novelinha mexicana chata, afinal, a vida alheia é da conta de quem????
      Cada um no seu quadradinho amiga…

      P.S- essa conversinha de “seja sensual entre quatro paredes, pois lá o céu é o limite” fala sério, isso é muito clichê né?! Querer se expor na pornograficamente na midia não tem absolutamente nada a ver com sua vida sexual privada. Isso é o mesmo que dizer a um ator amador: Ah, já que vc não tem muita chance mesmo, pq não parte para o teatro de fantoches?

      bjs

  • Maisa

    Tenho vontade de me bater por ser essa pessoa medíocre.
    Não tenho pena de mim não, mas não consigo ter essa felicidade de viver, principalmente quando olho no maldito espelho. Já tentei ter até bulimia pra ver se algumas coisas eram resolvidas. Botar tudo pra fora, pra me sentir melhor, mas meu nojinho não deixou.
    É impossível pra mim sorrir quando olho minhas estrias que me impossibilitam de colocar um decote. Quando um cara quer ser só meu amigo, porque sou bem meior que ele.
    Tem estria em tudo quanto é lugar do meu corpo e isso ta um inferno.
    Tenho 23 anos e pareço a vovozona. Não tenho filho, mas parece que ja tive 5.
    Pra mim é muito dificil ser positiva com a vida.
    E o que eu faço pra mudar? Nada, eu como, para parar de pensar.

    • Natasha

      Amiga,faz a cirurgia de redução, se não tem $, se increve na lista dos hospitais publicos. Pode demorar até uns 2 anos mas vc ainda é super jovem, e ainda sera qdo chegar sua vez. Melhor do que continuar viver esse tormento pro resto da vida, pq uma coisa te digo, obesidade não é falha de carater e sim doença. E doença tem que ser tratada. Boa sorte. bjs