20 de novembro de 2012 05:44

Por Renata Poskus Vaz

Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra em diversas cidades do País. Como se trata de um ponto facultativo, nem todas as cidades aderiram ao feriado. Mas uma coisa é certa, nesse dia 20 de Novembro, sites, blogs e demais redes sociais estarão inundadas de matérias sobre preconceito, direitos e conquistas de cidadãos brasileiros da raça negra. Hoje, todo mundo virará militante da causa negra de carteirinha.

Lidiane Machado

Eu não queria ser mais uma dessas, só mais uma blogueirazinha cumprindo sua média social, criando uma matéria para esta data, sem ter feito nada antes para contribir com a discussão dessa temática. Há semanas, por sugestão de Lidiane Machado, uma linda modelo plus size negra carioca, já vinha rabiscando um artigo sobre este tema. Entrevistei algumas pessoas e pedi que me enviassem suas respostas antes do dia 20, para evitar a coincidência. Hoje, recebi uma das respostas. Logo pensei, chateada: “poxa, só agora fui receber?”. Acho que estava sentindo um medo danado de publicar algo hoje e todo mundo achar que só estava escrevendo porque era o Dia da Consciência Negra. Talvez, até sentisse minha consciência branca um pouco pesada: “eu não poderia ter abordado mais sobre racismo em meu blog nesses últimos 4 anos? Não poderia ter ajudado mais? Fui deixar para falar sobre isso somente agora?”. Porém, entre falar e me calar, entre contribuir e ignorar, eu preferi agir!

Ao longo dessa semana, vou publicar inúmeras entrevistas com profissionais negras e gordas. Mas a primeira delas, a de hoje, é uma das mais especiais para mim.

Faz algum tempo que eu encontrei no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda. Sim, diretíssima, sem diminutivos e nenhum nhenhenhém. O nome pode chocar os “politicamente corretos”, eu sei. Lembro de quando criei o Blog Mulherão e achava o cúmulo alguém ser chamado de Gordo. Hoje, com uma autoestima um pouco mais elevada, percebi que os diminutivos, como “gordinha”, “fofinha”, “cheinha”, podem ser muito mais cruéis conosco e, ao invés de passar uma sensação de carinho, às vezes transmitem a idéia de alguém pequenino como ser humano, digno de pena. Porém, muita gente ainda não gosta de ser chamada de gorda, mesmo tendo passado dos três dígitos da balança há muito tempo, fato.

Já de preta, há inúmeras mulheres que se autointitulam dessa forma. Ou homens negros que de forma carinhosa se referem assim sobre suas esposas. Todavia, uma mulher branca não ousa chamar de preta outra mulher. Já me arrisquei uma vez e ouvi: “preta é cor, negra é raça”. Aí você se sente a maior das racistas e se cala pra sempre, até ver no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda.

Amber Riley, atriz e cantora, uma das imagens compartilhadas por Preta&Gorda

Preta&Gorda compartilha imagens e mensagens sobre mulheres gordas, negras, lindas e estilosas no Facebook, para servir de exemplo para outras mulheres, que não encontram nos catálogos e desfiles de moda mulheres da mesma raça.  Você pode achar que criar uma comunidade só para negras é racismo ao contrário. Então, pare para pensar em quando surgiram os blogs de gordinhas aqui no Brasil. Muita gente insinuou que as blogueiras GG estariam discriminando as magras, ou se fechando em um mundinho paralelo, que só criaria mais preconceito contra nós. E não foi o que aconteceu (com raras exceções, claro). Conseguimos reunir forças, recuperar a autoestima e, finalmente, sermos ouvidas. Uma nova comunidade reunindo e dando forças para as gordas da raça negra é um progresso, um passo adiante dos que já demos até então. Na minha opinião, alguns assuntos poderiam ser tratados na comunidade de forma menos agressiva e com mais respeito às divergências de opiniões (se bem que aqui no Blog Mulherão eu também não sou lá muito maleável). Vi algumas brigas e algumas pessoas queridas, que muito contribuem pelo crescimento do mercado plus size saindo magoadas de discussões lá na Preta&Gorda. Porém, essa é só minha opinião. E como sou só gorda, não sou negra, por mais que tente me colocar no lugar daquelas que já foram discriminadas por conta da raça, só posso ficar no campo da suposição. Jamais senti na pele esse tipo de discriminação.

Entrevistei a Alessandra que, junto com o Maicon, administra a comunidade Preta&Gorda no Facebok.  Leiam na íntegra:

Mulherão: Qual a motivação de criar uma página exclusiva para as mulheres acima do peso da raça negra?

Alessandra: Pra mim, Alessandra, a princípio foi algo voltado para minha auto-afirmação. Sou militante do Movimento Negro e sempre me indispus com todo este sistema que excluí todos aqueles que são considerados “fora dos padrões”. Sou gorda e sempre acreditei que não preciso mudar para agradar a ninguém a não ser a mim mesma. Enquanto eu estiver bem comigo mesma, a opinião das pessoas não tem de me importar. Como gorda, participava de grupos de discussão na internet, tinha o meu próprio grupo, acompanhava as postagens e tal, mas sempre notei uma exclusão já ali. Fotos de mulheres eram postadas, mas as que tinham maior número de curtições e elogios eram das moças brancas. As pretas, em geral, ou não se manifestavam, ou não tinham o mesmo reconhecimento de todos (homens e mulheres) como belas. Sempre fui muito crítica. Então, um belo dia, escrevi um texto de desabafo no meu perfil do Facebook tocando neste assunto, sobre a invisibilidade da mulher preta e principalmente quando ela é gorda. E isso chamou a atenção de muita gente, inclusive de uma amiga que é fat militante há anos. Começamos a conversar dentro deste contexto e ela, mesmo sendo branca, reconheceu que existe uma mega exclusão das mulheres pretas no meio Plus. Publiquei no Blog dela, e para minha surpresa, uma chuva de moças pretas assumidíssimas começou a desabafar! Achei lindo! Gosto do movimento do meu povo! Gosto quando eles vestem a roupagem de luta! Foi aí que eu percebi, que este sentimento, estava abafado dentro de mta gente. Então eu encaro a page como um desabafo de mais de 2.000 pessoas (em sua grande maioria mulheres) dizendo que existe algo de errado e que precisa urgentemente ser acertado.

Mulherão: Qual a sua visão sobre o mercado de trabalho para as modelos plus size negras?

Alessandra: Nulo. Dentro de um contexto amplo? Nulo. Tendo em vista o fato da população preta ser maioria. Questão de números. Existem modelos pretas lindíssimas que estão sem trabalho. Pessoas queridas com muito talento que não tem oportunidade de trabalhar porque o mercado simplesmente não está aberto a elas. Existem algumas pessoas que colocam pretas em seus catálogos, mas, sinceramente? Se não for feita uma campanha séria que realmente mova o mercado plus a abrir os olhos e as portas para as mulheres pretas (e homens também), a inclusão das meninas será por cumprimento de Lei. Nada mais além disso. Supondo que uma agência tenha 100 modelos, 10 são pretas? Onde está a igualdade nisto? Onde está a representatividade das moças dentro dos desfiles. Porque eu, como preta, sou obrigada a ser representada por uma mulher branca, loira? Porque eu não posso me ver também? Porque dizem para as moças que mulher preta não vende? Não vende? Lembro-me que a uns anos atrás o papo era que gordo não vendia… E olha aí todo mundo andando na moda! Agora preto não compra roupa? Quero ver uma negra vestindo uma roupa legal, que combine com o meu jeito de ser, com meu estilo, para que eu me veja também.

Mulherão: Eu li em alguns posts você falando que a preferência de modelos brancas ao invés de negras para estrelar catálogos é racismo. Na sua opinião, esse racismo é algo enraizado ou acha que as grifes fazem de propósito?

Alessandra: Racismo sempre está enraizado. Isso é algo que dificilmente mudará. De propósito? Sim é de propósito, como o racismo é cultural a discriminação por cor é o racismo em ação. Portanto, normal as grifes fazerem isso. O racismo é simplesmente manutenção de poder caucasiano não deixando ter acesso os pretos(as) em todos níveis sociais. Elas acham que realmente não são racistas, mas excluem naturalmente.

Silvia Neves: ela se autointitula negra, mas a consideram clara demais para ser negra.

Mulherão: No Fashion Weekend Plus Size há poucas modelos negras: Silvia Neves, Erica Calderal e Juliana Ferreira. Elas se intitulam negras, mas muitas vezes são censuradas por as considerarem muito claras para serem negras. O que acha disso?

Alessandra: Acho que o orgulho de ser preta independe da sua tonalidade da pele. Até porque aqui no Brasil, encontramos pretos e pretas em inúmeras pigmentações. Isso é genética. O que verdadeiramente define sua negritude não é apenas seus traços africanos, e sim o somatório destes traços com sua afirmação e posicionamento político e afrocentrado dentro deste contexto. Pretas que possuem pele mais clara mas que exalam e afirmam sua negritude diante de toda adversidade que encontram dentro do universo fashion, merece nossa total admiração! O que muitas pessoas não conseguem entender é que uma pessoa se intitular preta, é mais do que se orgulhar de quem é e de sua ancestralidade… É uma maneira também de protestar contra todo sistema excludente que nos cerca, que quer inclusive determinar quem somos e quais as ‘qualificações’ necessárias para sermos ou não pretas. Quanto as pessoas que as censuram, estão querendo chamá-las de mestiças. Uma forma sutil de diminuí-las e negar a participação das moças como pretas. Quantas pretas já ouviram assim “Não… Você não é preta! Que isso! Você é uma morena linda!”? Isso é uma forma sutil de dizer que não existe beleza em ser preta. Que para você ser aceita, tem de ser ‘morena’… Quanto mais “clarinha” você se afirmar, mais a sociedade vai te aceitar. Só que se as meninas se consideram pretas e batalham por representar as pretas, é como pretas que elas tem de ser reconhecidas e nada menos que isto. Coibí-las é racismo. Preterí-las também.

Quando se descreve como negra na internet, Erica Calderal também deixa muitas pessoas surpresas

Mulherão: No mercado tradicional, o das modelos magrinhas, não é muito diferente. Você acha que o mercado plus size também vai demorar para reconhecer as modelos negras? Qual a sua sugestão para alterar esse cenário?

Alessandra: O meio fashion é muito preconceituoso. Independente da forma física, dificilmente vemos pessoas pretas fazendo parte de desfiles. Isso é uma problemática antiga. Sim, o processo é lento… Muito lento. Mas não é impossível. Os pretos tem esta marca de sempre ter de batalhar muito e dobrado para conseguir um objetivo, e quanto a isto, não será diferente. Sabemos disso. Minha sugestão é a auto-afirmação. O que temos feito na nossa comunidade. As mulheres pretas precisam assumir-se pretas e acreditar que tudo o que disseram sobre sua aparência não passa de uma estratégia racista para diminuir nossa auto-estima. Isso é uma terrível tática de guerra, que funcionou durante séculos, mas que felizmente temos conseguido vencer. Temos de ter orgulho de nós mesmas e de nossa raiz e lutar para que sejamos reconhecidas e respeitadas como somos e pelo que somos. Acho que esta é a chave.

Juliana Ferreira, uma das modelos mais solicitadas pelas grifes do FWPS

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Todo esse processo para conseguir a entrevista com a Alessandra foi bem difícil. Ela estava temerosa que sua ideologia e viés político não fossem respeitados. Eu, uma simples jornalista gorda, branquela e organizadora de um evento de moda plus size que se enquadra nos citados por ela, com apenas 3 modelos negras em um grupo de 28 modelos, tentei, a todo custo, provar que sei da situação atual do mercado, que não concordo com ela e que estou disposta a ajudar a mudá-la. Afinal, ao contrário de muita gorda que fica sentada na frente do computador atacando, ofendendo e depreciando quem se predipõe a fazer alguma coisa por nossas plus size, eu sempre estou disposta a contribuir. Fiquei relatando minha experiência a frente do Portal Negritude do qual fui editora, numa tentativa desesperada de mostrar: “olha, sou legal, acredite em mim”. E é por este motivo que colei suas respostas na íntegra.

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Lembro-me quando iniciei minhas atividades no Blog Mulherão e recebia alguns e-mails dizendo que eu era racista, porque no Dia de Modelo só havia participantes brancas. Uma bobagem! O Dia de Modelo não é filantrópico, é um evento custeado pelas participantes e eu não tinha como obrigar nenhuma negra a pagar e participar, e nem era essa minha intenção. Notoriamente, naquele início, a participação de negras era bem menor.  Segundo Alessandra, esse fato poderia se justificar pelo medo da rejeição. “A mulher preta por si só já tem auto-estima baixíssima por conta do racismo e todas as formas de exclusão e perda de identidade que ele acarreta. A mulher gorda de modo geral nem se fala… Somos tidas como ET´S pelos demais… Então a mulher preta e gorda tem o dobro de dificuldade de acreditar que é linda e que pode fazer o que bem entender.”.

Já no Fashion Weekend Plus Size, as marcas que desfilam são orientados por mim a privilegiar a diversidade de raças em seus castings. Porém, a melhor forma das confecções entenderem essa necessidade e ampliarem seus quadros de modelos deve partir de vocês, consumidoras de moda plus size. Escrevam para os estilistas e manifestem suas opiniões nas redes sociais. Claro, de forma educada e construtiva, pois no momento em que a Militância vira Ignorância, ela perde o seu efeito.

Para acompanhar a Preta & Gorda, clique aqui.


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  • Silvinha está linda demais naquela foto! Anw! E cadê a linda Deborah Chagas meu povo? Negra, gorda, miss elegant plus size carioca, e linda demais né.

  • Pingback: BULLYING Nunca Mais – suporte para vítimas de bullying » Pessoas negras e bullying()

  • Muito boa a entrevista da Alessandra… como foi dito sempre me intitulei negra, sem essa de morena clarinha… minha mãe era negra, meus avós tb… não falo que sou negra só para me encaixar em cotas ou seja lá o que for, só quem é cego de preconceito diz o contrário. Tenho orgulho da minha pele, acho a coisa mais linda do mundo. Que possamos mostrar a todos que caráter e honestidade nada tem a ver com a cor da pele…. e que venham mais negras lindas no meio plus afinal não somos maioria nesse Brasil lindo de todas as cores, raças, credos…. abaixo todo preconceito!!!

    Ahhhhh Pedrinho seu fofo, muito obrigada pelo carinho!!! Bjocas

  • Flavia Rebello

    Lembrei da vez que ouvi um absurdo aqui no Rio de Janeiro. Uma pseudo produtora disse pra uma modelo negra que conheci que dificilmente ela conseguiria algo, porque havia cota de modelos plus negras. Digo pseudo porque ela só se acha mesmo. E mesmo estando meio fora do meio, custo a crer que isso seja verdade. Ou melhor, não quero crer que isso possa ser verdade…

    • renatavaz11

      Infelizmente, o que eu vejo e acompanho de perto é que quem tem pele negra tem sim mais dificuldades que uma mulher branca de conseguir trabalho. No meu caso, por exemplo, se uma modelo negra me pergunta se será fácil para ela entrar no mercado de trabalho, eu logo digo que não. Que ela pode até ter mais beleza, mais talento que muita branca por aí, mas terá que ser mais persistente do que todas elas. O meu compromisso é ser sincera com ela, mesmo que isso doa, e prepará-la para o que encontrará logo adiante.
      No meio publicitário tradicional é comum abrir um catálogo e ver “a negra”. A única negra. Para um catálogo de moda ser politicamente correto, hoje, tem que ter uma negra e uma gorda. Reparem. Uma cota. E isso só vai mudar, Flavia, quando fizerem o que Alessandra falou: reclamarem, deixarem de comprar em grifes com as quais não se identifiquem etc.

  • Érica Calderal

    Gente, meu avô paterno é negro, isso é o que conta! Se isso fosse na época da escravidão eu estaria no tronco com toda certezaaaaaa…. rsrsrs… Amo a minha cor, ainda mais misturada com com meus avós paternos que são índios, índios mesmo, de tribo, do matão! Hahahaha.. Adorei a matéria, Rê! Mais uma bola dentro! ; )

  • Flavia Rebello

    Triste realidade, Re… Mas como vc mesma disse, quem pode mudar isso é a gente.
    Bjo grande, e parabéns pela linda matéria.

  • Gostei muito do post! Não sou gordo nem modelo, mas como negro entendo bem essas questões. Só acho que precisa acabar essa questão de cotas, todos tem sua beleza e ela tem de ser representada de diversas formas, para que possamos nos enxergar ali. Viva a Diversidade!

  • Ótima matéria Renata, eu como PRETA e GORDA, não poderia deixar de mencionar que essa questão de exclusão de mulheres com o meu esteriótipo dos catálogos, desfiles e tudo mais que envolva o mundo plus size, já foi motivo de post tbm no blog Beleza sem tamanho,e é a triste realidade que vivemos, eu já enviei inúmeros emails a lojas plus size aqui da minha cidade questionando, e o que recebi de resposta? O silêncio, nada mais que isso…e por isso eu iniciei o movimento: Sou negra, sou gorda e estou aqui!!!

  • daisy

    Amei *-* … pior que é verdade .. a maior parte das modelos que fazem fotos pra revistas ou catálogos são brancas … ; bom, torce pra gente ver mais garotas morenas e negras como modelos =] …..#Amosernegraegorda

  • Em minha opinião a desigualdade por raça é fundante das demais desigualdades. Sou gorda e sou negra. E toda vez que vejo um modelo de vestido ou qualquer outro look na internet, quando abro o anúncio é sempre um preço “salgadinho”… Eu, por exemplo, até tenho condições de adquirir algumas peças… mas, quando penso em comprar, tb penso em outras mulheres, que são gordas (negras, brancas, amarelas, seja lá o que for!) e que não tem condições de bancar uma aquisição… Daí, inserimos um novo quesito: o poder do dinheiro. Se pensarmos nas últimas pesquisas do IBGE, veremos que os dados coletados sempre apontam para a questão do acesso a qualquer coisa que é orientado pelo monetário. Está comprovado que uma mulher, em mesma posição que um homem, em uma empresa, ela ganha menos. Agora se o cargo é ocupado por duas mulheres, a negra ganha menos que a branca. Ou seja, a mulher negra sofre de duplo preconceito: por ser mulher e por ser negra. Nesse sentido e pra resumir, é claro que a mulher negra tem que ter espaço sim, mas e condições pra isso? A mulher negra, gorda e pobre, por mais linda que seja, além de não ter espaço, não tem condições de lutar por isso… com que dinheiro ela compra uma roupa moderna, que valorize o seu corpo, ou até mesmo banca a confecção de um book fotográfico pra ter material pra divulgar e tentar lutar pelo seu espaço???
    Eu acho que o buraco é ainda mais embaixo!
    E vivemos em um mundo onde a organização se dá pelo capitalismo. Quem tem compra. E quem não tem, faz o q?
    Quantas negras inflam a parcela “pobre” da população? E quantas brancas???
    Só pra ilustrar o meu protesto, é só lembrarmos do “mendigo bonito” do facebook… será a situação dele teria tido o alcance que teve se fosse ele um negro e feio??? Me parece que ser branco e pobre não combina. Se for bonito então, é encarado quase que como uma aberração…
    Enfim, aqui está minha contribuição.
    Renata, parabéns pelo post! Admiro o seu trabalho!

  • Adriana Lucena

    Adorei a entrevista… que mulher inteligente e articulada, com uma opinião perfeita sobre esse mundo cão, que menospreza os tipos físicos fora dos “padrões” e que te julga por não ser igual. Gostei muito de tudo que li e concordo plenamente. Não sou negra, mas sou gorda desde quando não existia o mundo Plus Size, e sempre andei na contramão por me achar bonita e ser feliz. Isso incomoda tanto que as pessoas dizem que é mentira, que ninguém pode ser feliz gorda e etc… Ser negra e gorda deve ser complicado porque você sofre com dois preconceitos enormes, que ainda estamos longe de nos livrarmos.
    Aproveitando o post, eu sugiro que fale sobre um outro tipo de preconceito que é tão grave quanto: ser gorda demais para ser considerada “normal” no mundo das novas gordas assumidas. Eu fico muito pasma ao ver que quando você é mais gorda do que as “gordas normais”, você já não serve, inclusive para participar de eventos, uma vez que não tem roupa pra você. Imagine o que é a vida inteira você tentar mostrar que pode ser feliz, namorar, trabalhar, ser bem sucedida, ser amada sendo gorda e quando as portas da moda começam a se abrir para esse pensamento, você é discriminada dentro do próprio meio que você acredita fazer parte?
    Concordo que ser obesa é prejudicial a minha saúde e já estou fazendo algo para mudar isso, mas enquanto não emagrece sigo sendo excluída também entre as gordas?
    Você concorda com isso Rê?
    Um beijo grande e parabéns pela entrevista sempre muito séria e perspicaz.

    • renatavaz11

      Adriana, eu concordo com você. Mas o gramde problema não é nem não ter roupas nos eventos, é não ter roupa no mercado. Grande parte das marcas fabrica apenas até o 52, que eu acho pequeno. Ontem mesmo estava falando com a proprietária de uma loja que disse que não acha correto lojas que vendem plus size não oefrecerem produtos, no mínimo, até 60.

      Tem outro tipo de preconceito também, das mais gordas para as não tão gordas assim. Já falei sobre isso diversas vezes nesse blog. Eu, que hoje tenho grau 1 de obesidade, ainda ouço que sou magra d+ para ser plus size. Então, antes vivia infeliz por ser uma gorda num mundo magro e ainda sou criticada por ser uma magra num mundo gordo.

      Fico triste quando vejo blogueiras disseminando o preconceito contra gordas de manequins menores. Mostram uma propaganda em seus blogs com a seguinte legenda: “essa sim é uma modelo plus size”, meio que diminuindo as modelos de manequins plus size menores. Acho feio, podre, desqualificar uma mulher diferente de vocÊ dessa forma.

      Vai render uma boa matéria, tenho certeza disso. Beijos e obrigada pela participação.

      • Adriana Lucena

        acredito nisso sim!!!! Sempre leio isso… “essa nem é gorda”, ou ” se isso é gorda eu sou o quê?”, ” o dia que ela for gorda” …. deve ser um saco isso também!
        Quanto as lojas é a pura verdade.. mas sabe que eu até tenho achado coisas legais e bonitas do meu tamanho, mas não é fácil. Eu moro em cidade de praia e amooooo sol, mar e verão. Uso duas peças e sempre mandei fazer… esse ano já achei lindos, na moda e número 60. Acho mesmo que algumas marcas fazem maior, mas na hora de fazer um catálogo eles preferem não mostrar as mais gordas…
        Eu acho até que muito é culpa nossa mesmo… as mulheres mais gordas se escondem e preferem cobrir os braços, usar roupas largas e pretas, né? Já mudou muito, mas eu conheço muitas assim… Eu, graças a Deus, me recuso a me vestir mal, a não aproveitar o verão e a ser feliz como sou.
        Beijokas e obrigada pela resposta… adoro o blog, o face e tudo o que você escreve.

  • Danieli

    Adorei a matéria!!Parabéns pela iniciativa. Tb sou gorda e preta.Ao ler as matérias desse blog reforço minha autoestima e enfrento as dificuldades com mais disposição e segurança. Mudando de assunto… de onde é aquele vestido preto com renda??? Amei e gostaria de saber de qual loja que é????

  • Dayana Santos

    adorei o post, renata!
    não conhecia a página ainda, mas me senti também representada por ela! sou preta, sou gorda e gosto muito de me vestir bem, de usar meu cabelo crespo o mais natural possível.
    nem sempre foi assim. passei a maior parte da minha vida tentando mudar meu cabelo, me dizendo “morena”, fazendo mil dietas para emagrecer… só depois de crescer, me tronar independente e segura de mim foi que vi que eu era muito mais real do que tentava parecer! vejo muita gente igual a mim nas ruas, mas em catálogos de moda, realmente, é mais difícil!
    enfim, participei do último DDM, e hoje sou muito mais confiante e orgulhosa de ser preta e gorda!
    obrigada por nos dar voz mais uma vez, e vamos, sim, lutar pra sermos vistas!
    parabéns a você pela ideia da entrevista, e a alessandra, pela militância!
    beijos!

  • Rouparia G

    Excelente matéria!! Parabéns ao blog e a abordagem. Realidade triste que precisa de mudanças. Parabéns Alessandra pelo seu posicionamento e por representar a mulher brasileira. Você nos dá orgulho . Bjs

  • primeiro passo e aceitar como somos obesas negras e ser destemidas… não faz mal a!ninguêm sair de casa usar uma roupa adequada que valorizem nosso corpo e mostrar que estamos aqui se impor mulherada deixem piadas e caras feias pra lá e vamos viver esse verão lindamente!

  • Paula Regina

    Amei o post e que ele sirva para quebrar paradigmas e barreiras absurdas que, em pleno século 21, ainda persistem (o que é triste, lamentável e cruel).

  • Agradeço a todas (os) pelo carinho, consideração e respeito aos comentários. É de extrema importância que estejamos dispostos a reconhecer e combater esta problemática social que é o racismo em diversos setores, e neste caso, no meio fashion! Obrigada Renata Poskus pelo respeito a nossa militância e pela abertura do seu espaço para estarmos conversando a respeito deste assunto tão presente na vida de muitas modelos lindíssimas e que muitos preferem esconder “debaixo do tapete”. Que essa idéia se propague e que nossas Pretas&Gordas estejam cada vez mais presentes nos desfiles e que sejam espelho para crianças, jovens e adultos, para que eles possam crescer e se desenvolver com a certeza de que também podem alcançar o sucesso e vencer o racismo.
    Amei a matéria! Muito bem escrita! Parabéns!
    Beijocas!
    Alessandra de Mattos
    (Preta&Gorda)

    • ofelia

      ai nega vc e o maximo msm

  • Ale de Mattos, desejo deixar registrado o meu sentimento de sincera alegia e incontida satisfação ao ler o texto de tua entrevista. Parabéns, foram ótimas as abordagens quanto à necessidade de firmar a auto-estima, de congregar as pessoas para lutarem por objetivo comum, de impor a valorização do peffil da Mulher Negra e Gorda e, enfim, de semear a Consciencia Negra. Reconheço-te como Grande Guerreira e faço votos que continues nesta Força. Axé!

  • BEL FRANÇA

    OI QUERIDA, AMEI CONHECER SUA PAGINA ,FALEI PRA TODAS AS MINHAS AMIGAS ,SOMOS MILITANTES TAMBÉM E SEMPRE, EU DIGO SEMPRE LUTANDO CONTRA TODO TIPO DE PRECONCEITO.
    ADOREI TUDO OQUE VOCÊ FALOU ,E SEMPRE NA LUTA ! BEIJO

  • GLEICE VIEIRA CUNHA

    AMEIIIIIIIIIIIIIIII LINDO PURA VERDADE TUDO QUE FOI ESCRITO AQUI VCS ESTAO DE PARABÉNS

  • ofelia

    nossa adorei a materia,e adorei tabem o apoio do blog,vcs estao de parabens em dar esse espaco ,pra nos gordas e negras,ja foi um grande avanço,mais um passo valeu

  • … nossa fiquei muito feliz.. pela abordagem.. fico muito feliz..mesmo..
    a matéria esta simplesmente… maravilhosa, parabéns.. Sou NEGRA e não é sempre que lemos algo do tipo.. a poucos dias respondi.. mais o sentimento não foi o mesmo..
    Parabénsss

  • “uma linda modelo plus size negra carioca” .. muito obrigada, fico feliz…

  • Daiane Melissa Cardoso

    Lindamente Guerreira, mais agora pelo amor de deus me diz aonde encontro o primeiro vestido preto preciso dele =(

    • Adoro as mulheres sem importar o cor da pele , o amor nao sabe do cor,coitados daqueles que apaixonaron duma pretinha e mu ito gordinha e pela sua sociedade nem consigueron falar do seu amor .

  • Minha namorada é branca, muito branca, mas tem o cabelo crespo e alguns traços que não a deixam negar sua ascendência afro, mesmo assim ninguém a considera negra, nem com aquele black power ruivo que ela ostenta rs.

  • Mulheres lindíssimas, eu como negra achei um máximo pois acho difícil ver as mulheres plus negras. Ótima inciativa, mas o conteúdo da página é segregador e recheado de ódio. Por que e pra quê? Não gostei.