6 de janeiro de 2014 20:14

Por Cíntia F Rojo

Barbie Gorda

Eu não queria falar sobre esse assunto pois, para mim, o timing já tinha passado. Ficou lá atrás, no finalzinho de 2013 e todo mundo que tinha que se pronunciar a respeito já o tinha feito. Acontece que, como faço muitas pesquisas na área de maquiagem, estou sempre de olho nas pautas de beleza mundo afora e foi numa dessas pesquisas que eu cheguei a uma publicação mexicana, voltada para o público feminino de 15 a 20 anos, sobre a tal Barbie Gorda.

A Barbie Plus Size (eu sei que muitas pessoas não gostam da palavra “gorda”) foi uma iniciativa de uma agência de modelos, a Plus Size Modeling, que divulgou a foto no seu perfil do facebook com a seguinte pergunta: as empresas de brinquedos deveriam começar a fabricar Barbies plus size?

Eu já tinha visto a tal foto, já tinha opinado sobre a boneca e achei que, como “assunto do momento”,  a história toda tinha acabado. Hoje, porém, mesmo tendo se passado muitos dias, vi na revista estrangeira que o assunto continua entre os mais acessados entre as adolescentes daquele país e fui ler os comentários das meninas.

Existe um misto de opiniões: “deveriam fazer uma com medidas medianas para que, desde pequenas, as meninas saibam que não é bom ser magra demais ou gorda demais”; “não vejo sentido em lançar uma boneca dessas; é o mesmo que dizer que engordar é bom e isso pode influenciá-las negativamente”; “não me odeiem mas a gorda, definitivamente, não me agrada”. Mas eu gostei do seguinte argumento: “a verdade é que se os pais educarem adequadamente suas filhas, não terão que se preocupar com a influência da boneca sobre as meninas. Sobre ser muito magra ou estar acima do peso, não significa que sofram de transtornos alimentares. Há pessoas que nasceram assim como também há pessoas que nasceram com corpo atraente sem terem feito cirgurgia”.

A Barbie foi criada no final da década de 50 e simboliza uma mulher jovem, descolada, amiga, companheira, romântica e politicamente correta. Como sempre foi uma  personagem extremamente magra, nunca foi um modelo de opressão para as mulheres gordas. Ninguém nunca esperou de mim, nas curvas do meu quadril 48, que eu fosse como a Barbie e, com isso, sempre tive a chance de mostrar outras qualidades que as mulheres-barbie não têm a chance de mostrar pois acabam sempre sendo transformadas em troféus. Há mulheres que não se incomodam com isso – ok, cada um sabe o que lhe traz felicidade! – mas outras mulheres acabam se tornando reféns da própria beleza.

Eu gosto muito da beleza genuína, a beleza autêntica. Se temos uma festa de gala, parecemos deslumbrantes. Se vamos ao supermercado, parecemos lindas em nossos looks-de-empurrar-carrinhos. E tem a nossa beleza de quando vamos levar os filhos à escola, quando estamos na praia, quando vamos faxinar a casa (opa! Porque não?) ou quando temos que dar uma mãozinha de tinta no teto do banheiro (totalmente autobiográfico! Rs). As Barbies fazem essas coisas? Não. A Barbie é tão irreal, tão irreal, que devemos deixá-la do jeitinho que ela está: nas coleções dos aficcionados, nas prateleiras das lojas e nos baús de brinquedos.  Não há razão para nos preocuparmos com ela.

Creio que um pouco de fantasia não faz mal à ninguém e nossas meninas podem brincar à vontade com suas bonecas magrinhas e platinadas. A lição sobre auto-estima elas aprenderão quando olharem para nós, mulherões, e entenderem que é possível ser bonita, realizada e feliz independente do manequim.

(Foto: internet)

  • Boa reflexão 😉 E Cintia, vai lá conhecer meu blog http://www.neurosesdeumagorda.blogspot.com me inspirei em vcs pra criá-lo . Bjsss

    • Que bom que servimos de inspiração, Lilian! Inspiração é um negócio recíproco: nos inspiramos em vocês também! Beijos

    • Tyfany

      Eu sofro preconceito justamente por ter medidas e porte de modelo.Algumas mulheres,principalmente as obesas,não se conforma com a beleza alheia e acha que todas devem ser como elas,como se estar muito acima do peso fosse bonito ou saudável.
      Barbie esta perfeita como esta,não devemos incentivar nossas crianças a serem obesas,lembrando que isso já é considerado um problema de saúde pública no Brasil.

  • fabiane

    perfeito seu artigo

  • AMANDA ROZENDO

    verdadee, deixa ela magrinha mesmoooo….kkkkk

    • A Barbie magrinha não aporrinha nossa vida, nénão, amiga? Deixem ela em paz 🙂 Beijos

  • Paula Regina

    Cíntia, crônica para reflexão e perfeita para o debate arguto.

    Vou deixar aqui um comentário, que vem de uma aula sobre o tema Infância que tive ainda no curso de Formação de Professores, no Ensino Médio, onde a maioria das crianças negras não brincavam com bonecas negras, preferindo as brancas e nitidamente com padrões e vestimentas europeias. Nem as mães negras compravam bonecas negras para suas filhas negras… portanto, não vou acreditar que mulherões comprarão barbies plus-size para suas filhotas.

    Concordando com a colocação da crônica, boneca alguma terá influência maior e ditatorial se o exemplo, sobre o tema, vier dos responsáveis e serão crianças onde “a verdade é que se os pais educarem adequadamente suas filhas, não terão que se preocupar com a influência da boneca sobre as meninas”.

    beijos.

    • Paulinha, muito pertinente seu comentário. Quando eu era pequena, minha boneca favorita era da jogadora de basquete Hortencia. Era uma boneca glamour zero, com uma roupa esportiva super larga e cabelo preso no alto. Tal e qual uma atleta. Me inspirava no sucesso que a jogadora tinha e no esporte. Nem por isso eu me tornei uma obcecada por medalhas e troféus e isso não faz eu me sentir uma fracassada. O que aprendi com meus pais foi mais importante do que qualquer lição vinda de outro lugar…

      Beijo grande! Tenha um ótimo dia!

  • Risia Lopes

    Boa tarde Meninas por favor preciso de ajuda,estou perdida…
    Moro aqui em salvador, tenho 32 anos, vou me casar no primeiro semestre deste ano, e nem sei por onde começar em relação ao vestido de noiva, se v6 puderem me ajudar serei muitíssimo grata, deixarei aqui alguns detalhes.
    Casarei de dia, pela manhã no civil e após terá uma breve recepção, prefiro um vestido q me dê liberdade para andar e q disfarce BASTANTE minha barriga, pois tenho corpo formato maçã (1,60m, +/- 120 KG), amo a cor verde, gostaria muito de me casar de verde bebê, aqele verde bem clarinho, rsrs.
    Grata desde já.

  • Janaina

    Eu tenho certeza que nenhuma boneca influenciará na vida de uma menina, os pais devem mostrar aos seus filhos como eles devem ser em todos os aspectos, e cada criança formará a sua personalidade, um exemplo simples seria a Barbie gestante, então ela estaria influenciando as meninas a engravidar, , mas também já vi um caso sobre a Barbie careca para mostrar as meninas com câncer que ficar desta forma não as deixa feias, uma bBarbie não influenciará, mas ás crianças gostam de ser parecidas com algo e quando elas não se acham em nada que é bonito , elas se sentem excluídas, a questão não é fazer uma Barbie gorda, pq sei q ás gordinhas jamais vão querer uma Barbie destas e sim mostrar a elas que elas não são uma boneca, são ee carne e osso e cada pessoa é diferente da outra e devemos nos aceitar.

  • Risia Lopes

    1 MÊS PRATICAMENTE ESPERANDO A RESPOSTA DE OPÇÃO PARA VESTIDOS DE NOIVA E NADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. VC REALMENTE DÃO MUITA ATT. AOS SEGUIDORES DO BLOG, MUITÍSSIMO OBRIGADA, POR NADAAAAAAA.