21 de setembro de 2016 21:40

Por Renata Poskus Vaz

Sempre tive seios grandes. Aos 12 anos parecia uma varetinha, já com quase 1,70m de altura, 50 Kg, mas já ostentava peitos enormes. Acostumei-me com eles. Fazem parte do meu corpo e arrisco dizer que ser peituda faça parte da minha personalidade. Nunca os vi como um defeito, muito pelo contrário.

Porém, semana passada, a médica ginecologista que me atendeu ficou simplesmente horrorizada com o tamanho dos meus seios. Eu estava deitada quando ela disse que examinaria minhas mamas para ver se havia algum problema. Era um exame de rotina, anual, mas que nunca deixa a gente tranquila. Quando começou a apalpar minhas mamas a médica disse surpresa: “nossa, você tem muitas glândulas mamárias”.

E eu: “é?”

Ela respondeu: “Sim. Nossa, seus seios são enormes. Muitos grandes.” E como se não bastasse completou: “E o esquerdo é bem maior que o direito, muito maior”.

seios-grandes

Foto: google

Ela ficou tão surpresa, repetiu tantas vezes que meus seios eram enormes com feição negativa, com horror na cara, que pensei de fato que isso seria algo muito ruim. Que o fato dos meus seios serem grandes aumentariam as chance de incidência de alguma doença. Logo brotou à minha mente: “câncer de mama, câncer de mama, câncer de mama”. Então, perguntei: “Doutora, eu posso ter alguma doença por causa dos seios grandes?”

Foi quando, enfática, ela respondeu que não. Não. Isso mesmo. Não. Então, me pergunto, qual a surpresa? Qual o motivo de tamanha indignação? Por que ela me fez sentir detentora de uma anomalia genética? Porra, ela é médica e se ter mamas imensas não muda em nada minha saúde porque ficar ressaltando isso no exame? Será que ela não sabia que eu sabia que meus seios são enormes?

Fiquei puta. Pensei em leitoras que escutam absurdos em consultórios médicos, observações desprezíveis, que nada interfere positivamente em seu estado de saúde.  Pensei naqueles terrorismos médicos que grávidas sofrem na obesidade. Meu sangue ferveu e logo me senti na obrigação de dar uma patada na médica. Uma surra de autoestima. Um chega pra lá.

“Sabe, Dra. você não sabe o sucesso que esses seios enormes fazem. Você não imagina a cara de admiração dos boys quando me veem tirando o sutiã. Eles nem percebem que meu seio esquerdo é maior que o direito. Eu só escuto “ualll” e nada mais”.

Ela ficou quieta. Gaguejou. Depois disse: “é, tem razão, tanta gente colocando silicone e você com um original de fábrica, né?”.

Aí saí linda, orgulhosa e gorda do consultório balançando meus seios mais do que se tivesse andando num busão em uma rua de paralelepípedos. Eles são meus. São do tamanho da minha autoestima. ♥

  • Beatriz

    Renataaaa!!! Parabéns!!! Nossa, como eu queria saber responder na hora!!! Eu só sei pensar na resposta quando já estou a quilômetros de distância. Na minha primeira consuta pré-natal, fui ridicularizada por uma médica. Chorei no consultório, chorei em casa o dia todo, a noite toda e levei muitos dias para me curar. Até hoje lembro da humilhação que senti. E é justamente por isso que eu corri dos médicos como o diabo corre da cruz. Alguém precisa fazer alguma coisa! Isso precisa mudar!!! TODOS merecem respeito!!!!!

  • Lucis Lucius

    Realmente, há médicas que fazem comentários idiotas ridicularizando o paciente. É ultrajante!

  • Cristiane

    Nós que somos fora do padrão sofremos com esses pareceres, comentários, olhares e tudo o mais. Eu penso, desde que nossa saúde esteja em ordem e precisamos sim monitorar como qualquer pessoa, ninguém tem o direito de querer mudar nada em nós, muito menos nos ofender. Felizmente muita gente já pensa diferente e nos aprecia como somos. Precisamos nos amar, precisamos nos sentir humanos como todos e com todos os direitos correspondentes. Sejamos felizes!!