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6 de outubro de 2016 18:20

Passei alguns dias em Natal, Rio Grande do Norte, a trabalho. No domingo, minha menstruação super adiantou, me pegou de surpresa. Fiquei horas sentada num buggy passeando e quando levantei: ploft, senti a dita coisa caindo pela pepeca. Por sorte, eu estava em frente à farmácia Pague Menos de Ponta Negra. Pensei: “minha salvação!”. Ledo engano.

Entrei, peguei um pacote de absorvente correndo, já abrindo-o, dei o dinheiro para que uma colega pagasse e pedi para que o gerente me deixasse usar seu banheiro. Na frente de todo mundo ele disse: “o banheiro é de uso restrito”. Pensei, que bom, né, vou poder usar sem plateia.

Insisti e disse: “moço, minha menstruação está escorrendo, não seja desumano. por favor, me ajude”. E ele concluiu com um sonoro e ríspido: “não posso fazer nada, não sou eu que criei essa norma”.

Não fui, durante todo o período em Natal, uma cliente ocasional. Um dia antes eu havia gasto mais de R$100 em produtos de beleza naquele local. Estava com colegas de trabalho, todas meninas muito jovens, que também consumiram sorvetes e bebidas enquanto esperavam na fila. Eu não tinha bolsa ou nada que pudesse sinalizar que eu escondia uma arma ou algo do tipo que pudesse colocar em risco funcionários ou que me levasse a furtar o que quer que seja no trajeto até o banheiro. Faltou muita sensibilidade e empatia.

Eu me senti um lixo. Enquanto minhas amigas ficavam na fila para pagar, eu saí correndo para um shopping nas proximidades, com a menstruação já escorrendo na perna. Foi vexatório. Ainda bem que eu tenho um blog lido por 10 mil pessoas por dia, para poder desabafar, né? kkk

O que eu deveria ter feito mesmo, é ter abaixado a bermuda lá no meio da Farmácia Pague Menos e colocado o absorvente. Ou então, arrancar meu biquini de amarrar encharcado de sangue e jogado no balcão com um meigo: “pode jogar fora para mim, por gentileza?”. Pena não ter sangue frio nessas horas!

Estava pensando que um bom cristão não deve negar nem água e nem comida para ninguém. Mas, pense só. Podemos viver 1 semana sem beber água, 15 dias sem comer. Agora não dá para segurar pepeca sangrando, minha gente! Banheiro, isso sim não deveria ser nagado. hahaha

Estou brincando, mas como diz o velho ditado, toda brincadeira tem um fundo de verdade. E a minha é o pedido que não só a Farmácia Pague Menos, como todos os outros estabelecimentos comerciais, mantenham banheiros públicos para seus clientes. E na impossibilidade de ter um banheiro público, que disponibilize o de funcionários para casos urgentes, como o que eu passei.

  • Danina Fromer

    MORTA! 😮

  • Jacqueline

    Sei muito bem disso.
    Imagina estar menstruada,no Réveillon de Copacabana,sem ter banheiro e pedir,por favor,para usar os banheiros dos bombeiros,que não estava autorizado ao público,mas eu e minha mãe,pedimos e pude trocar de absorvente.

  • mariana afonso de farias

    Também já aconteceu comigo e acredito que com muitos outros brasileiros. Infelizmente aqui no Brasil, há essa prática ridícula na grande maioria dos estabelecimentos e é apoiada pela falta de normas do código de defesa do consumidor. Espero mesmo que isso mude o mais rápido possível!