1 de dezembro de 2016 17:36

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Por Renata Poskus Vaz

Há quase uma década, quando a moda “tamanhos grandes” e “tamanhos especiais” começou a sair da marginalidade fashion e assumiu status gringo, com a substituição dos termos anteriores por “plus size” (brasileiro acha chique estrangeirismos), havia a preocupação primordial de rejuvenescer o produto oferecido para as mulheres que usam a partir do manequim 44.

Nas décadas anteriores, não havia quase jovens gordas. A mulher engordava com a proximidade da menopausa e mudanças nos hábitos e ritmo de vida. Uma mulher que engordava na fase adulta da vida se sentia culpada demais por ter engordado e pensava duas, três vezes antes de reclamar ou sugerir mudanças na moda plus size oferecida. Comprava o que tinha e pronto. Adolescentes gordas? Isso era raridade. Com o passar dos anos o público gordo ficou cada vez mais jovem, um público consumidor abandonado, mal explorado, louco por novidades e roupas ousadas, exigente, mas que estava obrigado a se vestir com roupas de “tia velha”.

As marcas plus size foram se atentando para isso. Ninguém saiu fazendo top cropped plus size e saia de perigordete por caridade. Tem-se amor pelo que faz? Sim! Mas também há visão de mercado. Mercado mal explorado para empresários significa dinheiro que poderia ser captado e está sendo ignorado. E lá surgiram inúmeras marcas plus size para garotas jovens (e ainda faltam muitas!). Eu mesma tenho uma, a Maria Abacaxita, com pouco mais de 6 meses e que já é um grande sucesso.

No início, havia marca voltada para adolescente que fazia vestidinhos cortados em série, em malha baratinha, porém estilosa, vendida por quase R$300. Com a concorrência, os preços baixaram. A concorrência é um presente para o consumidor, não só pela variedade de produtos no mercado, mas também pela queda dos valores, com a questão do aumento da oferta versus a procura. A moda para adolescentes e jovens adultas se tornou mais acessível  (mas ainda não o ideal) para quem ainda não conseguiu ser totalmente independente financeiramente.

Porém, mais uma vez o mercado dá uma marcha ré. A “tia velha” de ontem, que deixou de ser objeto de desejo dos fabricantes de moda plus size, hoje é uma mulher moderna, estilosa, independente, que aprendeu a exigir com as mais novas, moda de qualidade.

Eu sou a tia velha. Empresária, 35 anos, tenho constantes reuniões em que não posso ir vestida com top cropped e saia perigordete. Também não acho bacana usar roupa de malha em um ambiente que exige um traje formal. Assim como eu, tenho clientes lindas, com 30, 40, 50 anos, 60 anos, que atuam como advogadas, bancárias, juízas, executivas, entre muitas outras, e que acham lindo o grito de liberdade e empoderamento de uma barriga gorda exibida em uma blusa curtinha. Porém, quando estamos em uma reunião, queremos um traje clássico, elegante. Hoje tudo tem mil combinações de estampas + cortes + desfiados + destonados + franjas + babados + tudo num simples look. Cadê o simples e chique?

Como consumidora balzaca plus size, já tentei procurar os seguintes itens, com muita dificuldade e alguns sem sucesso:

  • Camisas em tecidos delicados, fluídos, que não sejam curtas e cubram minha barriga;
  • Calças jeans em lavagens escuras, cintura alta, que não sejam skinny;
  • Blazer comprido, porém acinturado;
  • Ternos bem alinhados, em cores vibrantes ou cores claras (caramba, gorda pode usar cores claras!);
  • Camisa de algodão com elastano branca, com uma gola e punhos bacanas.

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Nossa, moleza! Não, não é. Em São Paulo, por exemplo, temos apenas 2 lojas monomarcas de varejo famosas (que fabricam sua própria roupa e vendem diretamente para o público consumidor final) que dizem vender produtos para este público. Uma blusa nessas lojas sai de R$600 a R$900 e com qualidade duvidosa. Não vale o que custa. Não representa a mulher plus size madura e moderna.

Enfim, falta ainda roupa para as gordas jovenzinhas? Falta. Mas também falta pensar naquele público maduro, independente, que gasta pra caramba, sem medo e sem limites, quando encontra uma roupa que lhe caia bem. Conhece uma grife para balzacas que tenha tudo isso? Divida com a gente! ♥

  • Jacqueline

    Adorei o texto.Meu estilo é básico/clássico e um pouco glamouroso.
    Meu aniversário foi nesse terça,mas sem alegria,por causa da tragédia da queda do avião.
    Sempre fui adepta do tênis(não sei andar de salto alto),calça jeans e blusa.Com o passar do tempo,me tornei mais vaidosa e simpatizo com um estilo mais clássico,sobretudo o estilo Chanel e até pin up(sempre gostei da estética retrô).
    Estou na faixa dos trinta e sinto falta mesmo de uma roupa mais clássica plus size.Não entendo o motivo de não ter um tailleur plus size.
    Algumas pessoas não gostam de roupas clássicas,porque acham que é roupa “de velho”,o que não concordo.O paradigma de velhice mudou muito.Uma pessoa de sessenta anos,usa calça jeans e tênis.

  • Márcia Bossoni

    Rery Class tem roupas clássicas, variedade e bom preço. Na verdade a Rery tem de jeans destroyed e vestidos de festa. Há uns 4 anos atrás as peças eram bem caras, mas em dezembro fiz umas compras e os preços estavam bem mais acessíveis. Pelo que ouvi das vendedoras, há várias lojas nos shoppings de São Paulo.