23 de dezembro de 2016 12:18

A Playboy é uma revista que tradicionalmente homem compra, há décadas, para bater punheta. Fato. Com o excesso de putaria grátis facilmente encontrada online, ela perdeu a sua função principal, de entretenimento inspiracional manual repetitivo adulto. Então, mudou um pouco o estilo, agora mais parecido com o da VIP, com mais conteúdo e uma pegada menos “show de pepecas arreganhadas”.

Há quem ache posar Playboy um reforço da objetificação da mulher. Não sou exemplo para julgar, pois já vivo peladinha por aí, sem ganhar um centavo. Tô pouco me importando o que os homens farão com minha imagem. Para mim, é uma libertação e não deixa de ser uma inspiração no melhor estilo “ligue o foda-se” para minhas (per) seguidoras. Além disso, acredito que mulheres gordas devam ocupar todos os lugares de destaque antes ocupados só por magras. Yes, até o direito de sermos mulher-objeto nós temos. Defendo isso. Não só isso, claro, mas defendo.

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Fluvia Lacerda na capa para ver escondido na internet

Maria Luiza Mendes, modelo plus size que não é gorda, negou protagonizar a capa da Playboy. Ela disse não. Não com N maiúsculo, para a revista, justificando que essa revista reforça o esterótipo de mulher objeto. Achei chique.

Quando logo em seguida Ju Romano, blogueira fodástica da gordolândia, anunciou que posaria para a Playboy, o mundo (dos magros e das gordas), tremeu. E lá estava ela, com um biquini super discreto, enorme, bem retrozão, estampando um lindo editorial no miolo da revista, mas ouvindo barbaridades como se estivesse de quatro, peladinha (mas se estivesse também, qual o problema?). Julgamento das que se dizem feministas reprovando sua ação, julgamento dos magros gordofóbicos, ofendendo-a e uma legião de gordas admiradas.

A negativa de Maria Luiza Mendes, hoje Top internacional, e o trabalho de Ju Romano foram tão impactantes, que provavelmente levaram Fluvia Lacerda a aceitar estrelar a capa de uma Playboy. Pegou o caminho livre, o choque da gorda na Playboy já havia sido previamente discutido, mastigado e engolido por muitos. Após Ju Romano no miolo da revista, a capa com uma mulher acima dos 100 dígitos seria a consagração para milhares de gordas, inclusive eu.  Esperávamos ansiosas pelo ensaio brejeiro, no melhor estilo Juma Marruá, de Flúvia. Mas queríamos a capa. A capa seria a nossa consagração.

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Gabriela Rippi na capa para você desfilar por aí

Mas, peralá. Flúvia estrela uma capa digital intitulada capa de colecionador. Nas bancas, a capa é com uma mulher magra, no melhor estilo musa fitness. Ou seja, usaram a causa plus size e o engajamento das fãs de Fluvia Lacerda para criar burburinho na mídia, mas na hora de vender a revista nas bancas, colocam a magra. MAGRA! Pufavô, né? Uma legítima cafajestagem.

Isso reforça o que nós, mulheres gordas, estamos cansadas de saber. A gorda é para se ver escondida. A gorda é a amante, a que o cara só pode desejar, namorar e amar quando ninguém estiver por perto. Quanto mais discreto, quieto, escondido, melhor. Já a magra é aquela que ele desfila por aí, sem medo, sem vergonha, casa, apresenta para o chefe, para os amigos. A Playboy reforçou isso, todo esse preconceito. Não foi bonito. Foi escroto.

Continuo aguardando uma gorda na capa da Playboy. Pena que não foi a Fluvia, ela merecia isso.

update: Um dos donos da Playboy disse que a revista da Fluvia na capa é sim impressa, mas apenas vendida pela internet. Que a intenção era aumentar a base de assinantes. E que está sendo um sucesso a venda online (leia-se escondida) da revista.


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  • Pingback: De repente, um balde de água fria. Onde está a capa da Fluvia? | Garotas FDP()

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    Agora que a maior parte do conteúdo pornográfico é acessado de graça pela internet, o negócio é criar polêmica para tentar manter um volume de vendas razoável. Daí vá lá que até um cara que nunca tenha olhado com tesão para uma plus-size na vida fica atiçado pela curiosidade e chega na banca, se depara com a Playboy com a guria magra na capa e resolve jogar no Google para ver se acha alguma coisa da modelo plus-size, e descobre que a edição está sendo vendida como “de colecionador” só pela internet.