3 de abril de 2017 02:05

A joinvilense Kamila Faria tinha apenas 13 anos quando acompanhava o irmão em uma seletiva de modelos e, convencida por sua mãe, aceitou passar por uma avaliação. “O agenciador me chamou, me olhou, avaliou e disse que eu precisava emagrecer para ser aceita, mal sabia ele que estava redondamente enganado, pois anos depois comecei a modelar e não precisei emagrecer. Não encarei aquela situação como preconceito porque eu sabia que era gorda e sabia que eles estavam procurando meninas magras e altas. Mas hoje acho engraçada essa situação”, esclarece Kamila.

E foi dois anos após essa experiência, sem emagrecer um grama se quer, que Kamila recebeu sua primeira oportunidade. O irmão, modelo, entregou fotos de Kamila em sua agência. “Eles gostaram de mim e me direcionaram a esse “novo” mercado plus size, que na época era uma novidade”. 

Kamila, que tem 25 anos e mais de 10 anos de carreira, participou do último Fashion Weekend Plus Size. Divide-se entre Santa Catarina e São Paulo, onde integra o casting da Ford Models Curve.

 

1) Você sempre foi plus size? Que conceito você tinha das pessoas plus size na sua infância?

Resposta:  Sempre fui cheinha, desde a infância. Não sabia o que era plus size, não sabia o que era gordo. Quando entrei na escola nos primeiros anos fui descobrindo, pois os amigos falavam que fulano era magro, fulano era gordo, mas não tinha nenhum conceito. Na minha família tinha gente gorda então pra mim era normal.

 

2) Qual o seu primeiro trabalho como modelo plus size?

Resposta: Foi com 15 anos, logo que fui “descoberta”, fotografei para a linha plus size de uma grande marca têxtil, a Cativa, até hoje fotografo para eles.

 

3) Qual o trabalho mais marcante?

Resposta: Foi esse ano para uma rede de lojas do sul do país, foram fotos publicitária e comercial. Foi uma campanha que estampava diversidade.

4) Já passou por alguma saia justa nos bastidores da moda plus size?

Resposta: Sim, há uns 4 anos fui contratada para fotografar a coleção de uma marca da qual não conhecia ninguém da equipe. O trabalho ia muito bem, os clientes eram uns queridos, maquiadora também, as roupas maravilhosas, mas o fotógrafo era um abusado. Não sei se ele não tinha experiência ou se era novidade para ele fotografar uma gorda, mas no meio da sessão ele mandou eu encolher a “chopeira”, vulgo barriga. Foi muito desagradável, ele achou que estava sendo engraçado, porém todos da equipe ficaram sem graça e eu também. Não estava esperando, fiquei meio que em choque, até porque outras pessoas da equipe também eram gordas. O trabalho aconteceu em dois dias e o ocorrido foi logo no início do primeiro dia. Ele não parou por aí, continuou enchendo o saco até o final do trabalho, ninguém mais estava aguentando. Mas enfim, eu continuo expondo a minha “chopeira” nos catálogos da marca e aquela foi a primeira e única vez que contrataram aquele fotógrafo desagradável.

5) Tem uma segunda profissão? É formada em alguma área?

Resposta: Embora tenha me formado em pedagogia, há quatro anos que trabalho única e exclusivamente como modelo. Cursei faculdade de Pedagogia.

6) Quais seus sonhos e planos ligados a  carreira de modelo plus size?

Resposta: Como a maioria das modelos eu sonho em trabalhar fora do país.

7) Cite algumas das marcas para as quais já trabalhou

Resposta: No decorrer desses 10 anos trabalhei para marcas como: Cativa, 2 Rios, Elegance, Lunender, Charlott, Posthaus, Malwee, Melinde Brasil entre outras.  Continuo a trabalhar para empresas que trabalhei no inicio da carreira, pude acompanhar de perto o crescimento de muitas, é gratificante ter o reconhecimento através da fidelização dos clientes.

 

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