17 de abril de 2017 00:30

A estudante de direito Barbara Barreiros Braga, 22, foi ofendida e agredida dentro da balada sertaneja Rancho do Serjão, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A denúncia foi feita pela irmã da vítima, Mariana Barreiros Braga, na rede social Facebook.

Segundo Mariana, na madrugada deste sábado para domingo, a irmã Barbara dançava na casa noturna Rancho do Serjão com mais três amigas. Ouviu diversas ofensas de um frequentador, que a ridicularizava por ser gorda e estar se divertindo. Ela continuou dançando, ignorou, mas as ofensas foram aumentando. Quando finalmente respondeu às ofensas, levou socos no rosto. A garota foi socorrida por frequentadores e encaminhada à enfermaria. Já o agressor retirado da casa pelos seguranças.

Na enfarmaria, de acordo com a irmã da vítima, Barbara foi orientada por funcionários a resolver o caso fora da casa. “Falaram pra ela resolver o assunto fora da balada. Ficaram preocupados porque no momento ela ainda não havia feito o pagamento da comanda”. 

A estudante foi encaminhada para o Hospital e, posteriormente, a família registrou um boletim de ocorrência no 1° DP de SBC.

Barbara não pode dar entrevista para o Blog Mulherão pois, conforme a família, encontra-se profundamente abalada, chora compulsivamente e não consegue se alimentar ou conversar direito. O Rancho do Serjão de São Bernardo do Campo foi contratado, mas até o momento não recebemos respostas.

***

Pronto, dei a notícia bonitinha, jornalisticamente falando? Agora vem um artigo. Senta que lá vem história.

Quando um cara agride uma mulher gorda na balada, ele não agride porque não gosta de gorda. Ele simplesmente não gosta de mulher. E arruma a desculpa que quiser para agredi-las. No caso da Barbara a desculpa foi o fato dela ser gorda. Certamente ele achou que ela não responderia (afinal, todos acham que gorda é boazinha, subserviente, sangue de barata, que vai correr para casa chorar, jamais reagir etc) e ele seria o macho-alpha-bonzão-parrudo-opressor da balada. Resumindo, o bosta dos amigos (vai lá me processar por te chamar de bosta, seu bosta!). Mas Barbara não aguentou e respondeu. E levou uma porrada na cara. Afinal, na cabeça de cara pequeno e machista, mulher tem que ouvir e ficar quieta. Mulher nasceu para ser humilhada.

Se a gorda não estivesse na balada, ele certamente perseguiria uma menina baixinha e magra, ou uma deficiente, ou uma mais velha, ou uma com roupa decotada e saia curta… Qualquer uma! Humilharia, perseguiria e agrediria porque agredindo se sentiria menos bosta. Mas não tem jeito, bosta é bosta. E agora será um bosta com um processo criminal nas costas.

Já a casa Rancho do Serjão, infelizmente, segundo a família, não fez nada. Levou a garota à enfermaria, mas não chamou a polícia. Ainda tenho esperanças que nesta segunda-feira a direção do Rancho do Serjão contate a família e se ofereça para ajudar a esclarecer o ocorrido, oferecendo as gravações da casa para identificar o agressor e suporte médico e psicológico. Se o fato ocorreu no interior da casa, não há como se omitir pedindo que a cliente resolva isso “lá fora”. A casa é responsável pela agressão, mesmo que não tenha tido o dolo. A comanda da cliente agredida foi devidamente cobrada. A família certamente espera a contrapartida, o apoio que merecem como consumidores.

 

Aí, você, leitora, deve estar se perguntando se a casa noturna é responsável pela integridade física de seus frequentadores. Sim. E há inúmeros casos já julgados e que podem servir como exemplo. Vejam só:

E podem responder não só pela agressão sofrida por Barbara, mas também pelo dano moral sofrido pelas 3 amigas que a acompanhavam e também estavam lá para se divertir. Elas também sofreram, também se sentiram intimidadas e desamparadas. No caso do Rancho do Serjão de São Bernardo do Campo, há outras mulheres que alegam terem sido agredidas na casa, como pode-se observar neste post abaixo, de fevereiro, na Fan Page da casa:

 

O que sugiro à casa é que advirtam seus frequentadores sobre violência contra mulheres. O Rancho do Serjão distribui convites VIPS para mulheres ou no máximo pela metade do preço do que os rapazes pagam. Ou seja, é um artifício para encher a casa de presença feminina e atrair mais homens. Então, que protejam seus chamarizes.  Nunca vi alguma casa com histórico de violência ter a coragem de subir ao palco e dizer que qualquer violência contra a mulher será seriamente repreendida. Possivelmente, quando mulheres frequentam a casa Rancho do Serjão, lembram-se da figura carismática e amável de Sérgio Reis que é (ou era?) um dos sócios da casa. Talvez busquem encontrar lá um lugar familiar, jamais violência.

Eu queria reunir um bando de seguidoras gordas de top cropped para ir à casa. E ai daquele que me falasse um “a”. Mas, sabe, não sei se vale a pena gastar meu dinheiro em um lugar que se encontra assim, nem mesmo por protesto.

♥ Força, Barbara. Nosso exercito é literalmente pesado e estará sempre contigo ♥

Barbara, linda

Update: Nota recebida hoje, segunda-feira, após a publicação desta matéria, do Rancho do Serjão de São Bernardo do Campo:

Comunicado Oficial : Em relação as notícias veiculadas e ao fato ocorrido no último fim de semana, o Rancho do Serjão de São Bernardo do Campo, vem a público esclarecer que lamenta profundamente o ocorrido e repudia qualquer tipo de violência, seja qual for sua motivação, de modo que o Rancho em seus quase 4 anos de vida sempre buscou preservar o divertimento e bem estar de seus clientes. A discussão ocorreu entre dois clientes do estabelecimento comercial, sendo uma situação isolada diante do público presente na casa, mais de 1.000 pessoas, que continuaram no estabelecimento. Diante do entrevero entre os clientes, o estabelecimento comercial acionou imediatamente a Polícia Militar que esteve no local para acalmar os ânimos. Nesta oportunidade, uma das partes, a estudante Barbara Barreiros Braga, foi orientada a realizar um Boletim de Ocorrência comunicando os fatos a Autoridade, mas ela se recusou. Nos colocamos à disposição das Autoridades para qualquer outro tipo de esclarecimento. Atenciosamente, Rancho do Serjão.

  • Tereza Tere

    Que vergonha

  • Thaynara Nascimento

    Renata, não é a primeira e nem ultima vez que isso vai acontecer. Eu mesma já fui assediada dentro da casa e perseguida pelo maluco fora dela. Foi assustador e eles nunca podem fazer nada.
    Quando rola uma coisa do tipo é sempre “paga sua comanda, sai e resolve la fora”

  • Carlos Eduardo Tibaes Bispo

    Fico indignado com um cara destes, cara não é uma ameba, quero encontra-lo e ver se ele é homem, mesmo pois bater em mulher indefesa é facil, agora vem bater num homem, isto ele nao tem coragem é um Bosta mesmo. Barbara minha querida o sol nasceu para todos e voce é linda e tem varias qualidades que ele nao tem, e uma delas é carater. Após que agora ele esta mijando nas causas com medo da consequências, levanta a cabeça e vai em frente.

  • Jacqueline

    As pessoas estão muito superficiais,pois há uma semana,fui fazer compras e quando entrei na loja,que é popular mas está num bairro rico,na hora de provar dois casacos de moletom,no momento em que iria entrar no provador,veio uma funcionária,gritando,dizendo que queria olhar o que EU iria provar.Quis ressaltar,pois estava um homem provando roupas e sua mulher estava do lado de fora,auxiliando-o e ele indagou para a senhora se era com ele e ela disse que não,ou seja foi algo pessoal.Talvez ela achou que eu estava mal vestida para o lugar,já que eu estava com um All Star azul,usando meias compradas naquela loja,com uma calça azul e com uma blusa cinza mescla,comprada numa filial da mesma loja,com coque no cabelo e com uma bolsa ,que estava com a minha carteira,chave,celular e vários folhetos que peguei pelo caminho,que não caberia dois casacos de moletom.Estava suada,pois estava calor e tinha saltado no lugar errado e estava andando.
    Não foi preconceito racial,já que sou branca,ela cismou com a minha cara,mesmo.
    Fiquei chocada,pois fui a outras lojas e fui bem tratada.Sei que a loja em questão,está tendo problemas com furtos e assaltos,até presenciei,no mesmo dia,fazendo compras,uma filial da mesma loja,uma funcionária pegando,no meio da rua, uma mulher que tinha furtado roupas.Foi um barraco.A polícia chegou imediatamente e a bolsa ENORME,maior que a minha,estava cheia de produtos que a funcionária retirava,contudo,está com terno e gravata ou tailleur,não significa que a pessoa seja honesta.
    No Reclame Aqui,há várias reclamações do atendimento dessa loja,em todo o país.

  • Rosa Maria Baião

    MIL, isso mesmo 1000, repetindo, 1000 pessoas e NINGUÉM pra se colocar em favor da menina.