8 de junho de 2017 13:11

Hoje recebi o release do livro “Como conseguir um homem rico” e fiquei com vontade de chorar de decepção ao perceber que já passamos do ano 2000 e ainda encontramos mulheres se preparando não para conquistar sua independência financeira, mas para garantir um companheiro que lhe proporcione tudo isso pelo resto de suas vidas.

O livro “Como conseguir um homem rico” foi escrito por Regina Vaz, coach de casais e Jennifer Lobo, matchmaker profissional e publicado pela Editora Matrix. Jennifer é criadora do site www.meupatrocinio.com em que garotas pedem para ser bancadas por figurões. Hoje elas chamam isso de sugar baby, na minha época era garota de programa mesmo.

Lembro de uma vez, eu devia ter uns 10 anos, quando preparei pela primeira vez uma limonada para meu pai. Era um presente. Ele, então, tomou em um gole só e falou: “traz mais um para o papai?”. Prontamente respondi que havia acabado e escutei um sonoro: “então faz outro”. E eu, com 10 anos, mas já toda empoderada, respondi que não ia fazer não. Ele ficou puto da vida e disse que pagava minha escola e eu nem para ser grata e fazer outro copo de suco. Não fiz mesmo assim. hehehe

Eu amo meu pai, quem o conhece sabe bem o pai maravilhoso e ser humano incrível que ele é, mas naquela ocasião, aos 30 e poucos anos de vida dele, me ensinou algo valioso: a aprender a me virar sozinha, ter meu próprio dinheiro, para não ser coagida a fazer nada que não queira para um homem só porque sou sustentada por ele.

“Nossa, que exagero, era só mais um copo de suco!”, você deve pensar. Não interessa. Eu não queria transformar a minha gentileza em uma obrigação. Via parentes próximas querendo se separar de seus maridos, mas não podiam, por depender exclusivamente deles. Sem chance de sair de casa, pois voltar a depender de seus pais aparentava ser um temor ainda maior.

E este mesmo pai foi quem sempre me falava: “trabalhe e tenha sua própria casa, porque aí homem nenhum poderá te tirar dela”. Entendi o recado. Não iria depender de mais nenhum homem no mundo.

É por isso que desde pequena trabalho. Sou louca por trabalho. Trabalho desde os 11 anos, já fui babá, recepcionista de pizzaria, já vendi clips, papel de carta, fui babá, professora de ballet, corretora no Kumon, recepcionista em feiras e eventos, secretária, estagiária, redatora, roteirista, assessora de imprensa, editora, hoje sou empresária e tenho apenas 35 anos… Ah, nunca fiquei parada nessa vida! Paguei minha faculdade sozinha e o nada que tenho hoje devo a mim mesma. Tenho vários nadas.E bota nadas nisso! Mas durmo de cabeça tranquila, sem ouvir cobranças de nenhuma espécie.

Desta forma, nunca coloquei como meta me apaixonar por um homem rico. Quero um cara esforçado, que trabalhe, que tenha metas, muitos sonhos, seja ele rico ou não. Com o perdão da palavra, mas homem tem que ser um puta companheiro e me comer gostoso. Um cara que te come gostoso pode ficar rico, mas um rico ruim de cama não tem como aprender a virar o comedor pica das galáxia e muito menos um companheiro nota 10. Dinheiro acaba, gente. Juro que acaba.

Assim como a sua beleza e as mentiras  que mantém o seu relacionamento também acabam!

Tenho uma “amiga” de infância que se casou com um famoso cantor sertanejo. Ele nitidamente não era o cara dos sonhos dela. Não combinavam em nada e aquele amor fabricado dava até nojo de ver de tão falso. Claro que nunca falei nada, ou seria a amiga “recalcada”, que não aceita a felicidade alheia, né? Mas quem a conhecia esperou de camarote o desenrolar daquela história de amor. O cantor famosão brigou com o irmão, separaram a dupla, ele ficou cheio de dívidas e… Pobre. E a minha “amiga”? Ah, o casamento acabou.

Tenho uma parente que trocava de marido como quem troca de calcinha. Um mais rico que o outro. Aos meus 20 e poucos anos ouvi o seguinte conselho dela: “você é muito inteligente, não deixe que os homens percebam isso. Você sempre tem que fingir saber menos do que eles”. Ahãn. E eu quero um babaca rico sem autoestima? Quero um cara que tenha orgulho de mim!

Não pago conta para homem. Mas não me importo de dividir nada. É lindo ser feminista da porta do motel para fora, mas achar o cúmulo da indelicadeza dividir conta nos primeiros encontros.

Condicionar um relacionamento ao dinheiro é fadar o relacionamento ao fracasso. Eu preferiria ser uma garota de programa declarada, dessas que passa valor, vai lá, faz o serviço, sem enganar ninguém, do que fingir amar alguém que não amo só por causa do seu dinheiro.

“Mas não se pode encontrar um cara maravilhoso, companheiro, bom de cama e que seja rico?”. Claro que pode! Mas repito, a conta bancária do moço não tem que ser o objetivo, não acha? Acredite, existe poesia no amor além do $$$. ♥

Como Con$eguir um Homem Rico

Editora Matrix

168 páginas

R$ 32,00


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