4 de julho de 2017 00:04

Uma das modelos plus size que eu mais admiro é a Babi Monteiro, de Brasília, mas que trabalha para grifes do país inteiro. Não é porque ela é minha amiga não. Estou falando de profissionalismo mesmo, ética, pontualidade, respeito às marcas que representa, generosidade com as colegas inexperientes e outras coisas… Isso sem contar a beleza. Ah, a beleza! Como é que pode os anos serem tão cruéis com algumas de nós e tão generosos com a Babi? Ela é linda!

Aos 42 anos ela continua brilhando como uma das modelos plus size mais requisitadas do Brasil. Pedi para ela escrever um pouquinho sobre a carreira dela. Quero dividir com vocês, pois a análise que ela faz sobre o mercado é uma baita lição para quem quer começar a carreira de modelo plus size. Todas as fotos abaixo foram tiradas por Adriana Líbini, no ensaio plus size externo, do Dia de Modelo (informações: diademodelops@gmail.com)

“Comecei a modelar aos 5 anos de idade. Foi meu primeiro desfile. Aos 13 anos entrei em um curso profissionalizante de modelo que durou um ano todo. Já na época apesar de usar manequim 40 já  sofria preconceito porque era a mais gordinha dentre as modelos. Mas sinceramente nunca dei muita bola, me sentia bem e continuei fazendo tudo o que sempre desejei.

Me formei como modelo e comecei a atuar em comerciais para a TV. Fiz vários dos 15 aos 19 anos. Comerciais para óticas, lojas de departamentos da cidade etc. Com o falecimento do meu querido pai resolvi focar na faculdade. Fiquei afastada por muito tempo até os 37 anos quando fiz um trabalho para a TV. Um comercial para o governo do Distrito Federal. No comercial fiz par com um rapaz gordinho e formamos o casal gordinho da TV. Teve repercussão e foi legal, logo depois meu namorado me incentivou a modelar na aérea plus. 
No começo não entendi nada. Não conseguia entender o que é ser plus size e tudo que envolvia esse setor. Bom, fui conhecendo e me aprofundando, quando recebi o convite para ir à São Paulo. Participei do concurso de Miss Brasil Plus Size, ganhei e desde então procurei viver tudo isso. Logo depois fui convidada a desfilar no Fashion Weekend Plus Size. Muitas portas se abriram desde então e aí fui viver a carreira de modelo com muito amor e profissionalismo. 
Sempre acreditei que podemos alcançar nossos sonhos se temos garra, determinação e equilíbrio. Procuro focar. Procuro fazer as coisas com amor. Hoje sou agradecida pela oportunidade que Deus me deu. Pela maturidade  e experiência que as muitas viagens e pessoas que conheci me proporcionaram. 
Simplesmente não  tenho a dimensão que tudo isso tomou. Hoje percebo como o mercado está se abrindo, o quanto nós modelos plus sizes somos seguidas por pessoas de todo o mundo que admiram nosso trabalho e se inspiram nele. Inspirar pessoas é uma grande responsabilidade pois não somos perfeitas mas também uma graça divina por conseguir mudar um pouco o conceito que às vezes uma pessoa tem negativo sobre ela mesma. Sobre estima e etc.
Eu acredito na beleza como um todo. E acredito que precisamos ser representados sem distinção de biotipos. Diversidade é o futuro. Nada melhor do que se ver em uma revista de moda ou na Tv e saber que todo mundo pode ter seu espaço . Recebi convites e dei entrevistas que nunca imaginei dar, foi realmente emocionante para mim ver como poderia chegar mais longe e ver meu esforço de tantas viagens e horas no salto começar a dar certo.
Quando me perguntam se sou a favor da obesidade eu claramente digo que sou a favor do bem estar e a decisão deve ser pessoal. Cada um deve fazer suas escolhas . Ser magra ou gordinha e ser respeitada por isso, tendo também  o direito de ser representada . Agora sim eu sempre falo que devemos cuidar da saúde, respeitar nossos limites.  
Em relação ao preconceito em toda a minha trajetória de modelo eu sofri preconceito de alguma forma. Ou como magra ou como gordinha.  Sempre há comentários na família, de cunhados e tios, mas não me deixei  abater. A minha estima pertence a mim. Não dei ibope para eles e continuo não dando.
Quanto a carreira de modelo sempre digo que é  um mix de várias coisas, amor pelo que faz, profissional, foco, disciplina, talento, carisma e sorte. Muitas coisas estão envolvidas. É  preciso consciência de que é um trabalho que exige compromisso e também versatilidade, estar pronta para aprender, ser humilde e evoluir. Boas fotos, fotogenia , profissionalismo, enfim muita coisa. Estar preparada e com pés no chão sempre.  Nada é tão rápido.  É como colocar um tijolinho por  tijolinho no castelo. Construir uma carreira.
As pessoas também se assustam com meus 42 anos bem vividos, sim resultado de que nunca é tarde para seguir seus objetivos e aqui estou, modelo, miss, menina, mulher e principalmente  uma pessoa que tem  pés no chão e que ama o que faz.
 Se voce ama o que faz tudo fica mais fácil de fluir. Eu procuro ser eu. Procuro ter minha identidade própria mesmo que tenha como  inspirações outras pessoas.
Isso é  o segredo. Ser você.  Procurar seu melhor. Sempre evoluir. O resto o destino se encarrega. Eu pelo menos tento viver meu sonho sem medo pois o medo escraviza a gente. Deu certo.  Sou feliz por isso.  Grande beijo. Babi.”
Babi integra a equipe do Workshop Plus Size organizado por mim e Adriana Líbini. Ainda temos vagas. Participem!