5 de julho de 2017 14:07

Gordas são para transar, magras para relacionamento sério.  Parece cruel, mas quantas de nós não nos sentimos assim? Objetos. Meros objetos.

Em um dia você está com um cara que te encontra em segredo, às escuras. Ele sente tanto tesão por você, que você não consegue acreditar que aquele cara tenha vergonha de te apresentar para a família e para os amigos. Ele diz com todas as letras o quanto seu corpo gordo lhe dá tesão. E vai além do corpo. Vocês combinam em tudo, se dão bem, se divertem… Ele demonstra ciúmes, não quer te dividir com ninguém. Mas só te encontra secretamente.

Ah, ele é super tímido, você pensa. Até que começa a investigar o passado do cara: ex-namoradas, ex-mulher, todas magras. Não há se quer uma gorda que ele já tenha apresentado em seu círculo social. Vou me “esforçar” para ele se apaixonar de verdade e superar o fato de eu ser gorda, você pensa. Comigo será diferente, acredita.

Está tudo bem com vocês até que ele aparece com uma namorada magra. Assume para a família, amigos. Todos os momentos que sonhou viver com ele tem outra protagonista. Ué, mas ele era tão tímido, tão reservado! Não, não era. Ele simplesmente não queria te tirar daquele compartimento secreto. Do seu submundo de vergonha.

Para caras que se preocupam com a opinião alheia, não é tão fácil tirar uma gorda do armário. Assumimos o mesmo estatus de uma parafilia, uma tara, uma doença. Ele vai ter que enfrentar piadas, amigos, questionamentos.

Eu já passei por isso. No dia em que ouvi com todas as letras de um ex-noivo que ele não me amava mais, puxei papo com o primeiro cara que vi no Facebook curtindo minha foto e marquei de sair. Isso mesmo, no mesmo dia! Não há nada melhor do que uma boa foda de vingança. E lá fomos nós para um bar qualquer (isso porque insisti). Eu fiquei completamente apaixonada. Sabe tudo o que você queria que seu namorado fosse? Ele tinha: empreendedor, inteligente, divertido, criativo… E lindo! Nossa, que cara lindo.

Quando cheguei lá pensei: será uma noite e nada mais, mas eu fiquei absolutamente apaixonada. Se a única coisa que me prendeu ao meu ex-noivo por anos foi o excelente sexo, naquele exato momento ele foi devidamente ultrapassado anos luz por quem assumiria então o status de meu novo amor.

Meu ex-noivo tinha muito orgulho de mim. Sempre me levou em todos os poucos lugares que ele ia, conhecia amigos, familiares, estava sempre me exibindo como se eu fosse um troféu. Ele me achava linda e gostosa com todos os meus Kg a mais. Meu peso não era e nunca foi um problema em nosso relacionamento. E tirando suas ex-namoradas que comentavam o fato dele estar com uma “gorda”, ninguém nunca o ridicularizou por estar comigo. Acho que ele sabia se impor com relação a esse aspecto, mas quantos homens sabem se impor? Terminamos por outros motivos.

Agora, voltando ao novo amor… A noite não acabou ali. Tenho certeza que ele se apaixonou por mim. Mas de alguma forma ele me colocou em seu submundo. Como boa jornalista, minha veia stalkeadora pulsava, sempre latente. E eu descobri o óbvio: ele realmente tinha tara em gordas, mas eu não combinava com seu estilo de vida. Suas ex-namoradas lembravam modelos, muito magras, eram tatuadas, no melhor estilo rock’n roll. Nada parecidas comigo. É um cara vaidoso, que se preocupa com as aparências, que gosta de exibir suas motocicletas, não vai querer exibir uma mulher da mesma forma?

Não precisei de mais de 2 encontros para perceber que eu sempre ficaria escondida, o que nada combina comigo. Queria que ele tivesse por mim o mesmo orgulho que sentia por ele, mesmo conhecendo-o tão pouco. Anos de afastamento e quando nos falávamos ele ressaltava que não sentia pela namorada o que sentia por mim. Papo de comedor? Talvez. Mas sabe que super acredito? O que ele descreve como comodismo eu descrevo como medo de assumir uma gorda em seu grupo de amigos motociclistas, para a família, para as ex-namoradas que poderiam encarar como uma derrota ele estar com alguém mais gorda que elas.

Mas todo cara só vai querer gordas para transar e as magras para relacionamento sério?

Claro que não. Acredito que homem, homem mesmo, com “h” maiúsculo, deseje uma mulher bem-resolvida, bonita, inteligente, madura e se ela for gorda ou não, isso pouco importa. Homem de verdade entende que por trás de corpos existem histórias maravilhosas, almas fantásticas, parceiras incríveis. Na cama, bem sabemos o quanto uma gordinha pode surpreender, ser especial. E se um cara prefere uma foda mal dada e papos rasos a assumir que gosta de uma mulher que foge do padrão dos amigos, o azar é dele.

É difícil encontrar um cara que pense diferente?  Claro que não! O que acontece é que ao invés de valorizarmos os homens que gostam da gente, tendemos a enfiar nossa presença goela abaixo de um cara que nitidamente não está nem um pouco a fim de assumir uma gorda. Um cara vazio, infantil, que se preocupa mais em ficar bem na rodinha de amigos escrotos do que ser feliz em verdade. Será que também não estamos procurando um troféu ou aquela sensação de que conseguimos conquistar o inconquistável?

Não somos idiotas. Sabemos quando a química rola além da cama. Sabemos quem são os caras que vão se orgulhar de desfilar com a gente por aí. Ninguém precisa de tempo para perceber o nosso valor. Ele é nítido. Não podemos em hipótese alguma aceitar ficar em um banco de reservas. Lembre-se, você nasceu para ser protagonista. Não aceite menos do que isso.