12 de julho de 2017 02:27

Para ter noção do quanto amo O Boticário, semana passada eu briguei com o amor da minha vida, parei de falar com ele de verdade, pra sempre (sou dessas) porque, entre outros motivos, comentei que iria fazer este texto sobre 5 perfumes do O Boticário que marcaram minha vida e ele torceu o nariz. Disse que O Boticário era ruim e fez cara de nojo.

Mas bem que ele gostava de cheirar meu cangote, né? E se não gosta do O Boticário, não gosta do meu cheiro e não tem o porquê de estar comigo.

A verdade é que O Boticário está longe de ser ruim. Nós, brasileiros, temos mania de achar que só o que é de fora é bom. O Boticário por anos vendeu colônias que, obviamente, tem fixação menor do que perfumes. E na verdade eu estou cagando e andando   pouco me importando para fixação pois tomo banho no mínimo 2 vezes por dia e não tem o porquê de usar uma colônia ou perfume que ficará impregnada na minha pele por séculos.  E, se quer saber, colônias funcionam assim em qualquer lugar do mundo. Hoje a marca já oferece perfumes (de verdade!) com fixação prolongada. As fragrâncias são variadas, para todos os gostos. É uma marca que adoro, que marcou todas as fases da minha vida.

Eu tive que caçar essa imagem do Google. Quem mandou eu ser véia, né? Mas mais velho que eu é O Boticário, que existe desde 1977. Eu nasci em 82 hahaha… Na década de 80 existia uma linha do O Boticário para crianças sem nome (pelo que me lembre). Tinha uma colônia infantil em um vidro quadrado, com tampa de madeira e a figura de um mago/alquimista na embalagem. Eu lembro de quando olhava o perfume na vitrine. Eu era pequena e olhava de baixo para cima ele lá, numa cantoneira do quiosque, todo em madeira e quando ganhei de uma tia, no meu aniversário, fiquei radiante. Usar Giovanna Baby era para os fracos, eu usava essa colônia do O Boticário e lavava meus cabelos com um xampu de camomila da marca ( que minha mãe me obrigada usar, num desespero para que eu mantesse meus reflexos loiros naturais… hehehe).

Na pré-adolescência a moda era usar a colônia Thaty. Toda menina estilosa, moderna e rica usava. hahaha Eu não era nada disso e não lembro quando ganhei o meu primeiro Thaty, mas me lembro do quanto me senti super adulta em poder usar uma fragrância que todo mundo achava legal. No primeiro bailinho que eu fui, aos 11 anos, na casa do Dênis, um moleque da minha escola super gatinho, eu usei o Thaty. E lembro que foi lá, naquele dia, que levei minha primeira cheirada de cangote. Eu estava dançando a dança da vassoura quando Dênis respirou fundo pertinho do meu pescoço e disse o quanto eu estava cheirosa. 5 minutos depois meu pai estava na porta para me buscar. Só dei meu primeiro beijo quase 3 anos depois. Ah, mas aquela cheirada de cangote eu nunca esquecerei.

Na década de 90, o estilo de se vestir de moças e rapazes descolados era bem parecido. Calça jeans, camisetas e camisões, numa atmosfera super unissex. A música que tocava era o Grunge, imortalizado pelo Nirvana de Kurt Cobain. A Calvin Klein reforçou essa atmosfera sem gênero na moda e também criando um perfume chamado CK One. Logo depois (ou na mesma época, não lembro, eu era muito jovem hahaha), O Boticário lançou a sua colônia unissex, o Insesatez, muito parecida com a pegada do CK One (embora você vá perguntar e eles não irão admitir isso), cítrico e leve. Eu tenho certeza que inicialmnete era um perfume voltado para rapazes, mas que caiu nas graças das garotas que queriam algo menos “melado”, para o dia a dia. Eu fui adolescente nesta época e lembro do meu cheiro se misturar com o dos meus amigos. Era tipo uma seita do Insensatez. hahaha O perfume saiu de linha, mas foi relançado. Que bom!

Eu acho que após tantos anos usando um perfume unissex, assim que entrei nas casas dos 20 anos procurei uma fragrância que tivesse a minha cara, que só eu usasse. Recordo-me que a minha madrinha me trouxe da Europa um perfume com um fundo de baunilha, bem adocicado, da Dolce e Gabbana. Então eu procurei uma versão nacional para substituí-lo. Na época, o sucesso entre as recém-chegadas à fase adulta da vida era o Floratta in Blue. Mas foi no Floratta in Gold que me encontrei. Eu sei por muitos anos a mesma fragrância. E mesmo 10 anos após ter deixado de usá-la, se cruzar com alguma mulher na rua com esse perfume, consigo reconhecer na rua. Eu paro e fico olhando. É como se tivesse roubado uma parte de mim. rs Loucura, né?

Chegando na casa dos 30, mais uma vez procurava um cheirinho para chamar de meu. Eu estava novamente solteira e querendo recomeçar a vida com novas companhias , novas trilhas sonoras e um novo perfume. Vi no O Boticário uma embalagem linda, com uma capinha de renda preta que lembrava uma meia arrastão. Glamour Secrets Black. Nossa, que nome sugestivo. Segredo. Glamour. Que embalagem linda! Ual. Quis sentir na hora a fragrância. Ouvi da vendedora que era uma edição limitada. Haviam plaquinhas, divulgações afirmando que esta fragrância seria vendida por tempo limitado. Comprei. Usei, arrasei. Voltei e comprei outro para mim, para minha madrasta, para minha irmã e só faltou comprar para meu pai só para justificar o estoque que eu queria manter em casa. Eu estava muito triste com a ideia do meu novo cheirinho sumir das prateleiras. Mas a verdade é que O Boticário fanfarrão não o retirou de linha coisa nenhuma. rs

***

Depois de um tempinho usei outras fragrâncias que ganhei de presente e depois vou falar sobre elas um pouquinho com vocês. Mas a verdade é que eu posso ganhar um milhão de dólares, ter perfumes de casas internacionais, mas sempre, sempre, terei em minha memória olfativa, as fragrâncias do O Boticário como protagonistas das melhores fases de minha vida.

Não, não estou ganhando nada com esse texto. Não é um jabá. Mas bem que eu deveria por minha fidelidade virar, no mínimo, uma acionista. hahaha