6 de outubro de 2017 15:37

Ontem assisti Como se tornar o pior aluno da escola, o novo filme de Danilo Gentili. Fui na coletiva de imprensa representando a Playboy, portal para qual eu também escrevo, mas quis escrever aqui também para vocês , mulherões, já que é um filme que nem foi lançado ainda e já é sucesso entre a garotada. Seus filhos vão assistir, vocês querendo ou não. Dá uma olhadinha no trailer oficial:

Como se tornar o pior aluno da escola é um roteiro adaptado por Danilo Gentili, de seu próprio livro homônimo, que funcionava literalmente como um manual de péssimas maneiras. O livro chegou a ser recolhido e recebeu um aviso na capa de que era proibido para menores de 18 anos, após um acordo com o Ministério Público. Foi um grande tiro no pé para os pais que o denunciaram junto ao MP. A “proibição” ajudou no marketing. Afinal, nós que já fomos adolescentes um dia, sabemos bem que tudo o que é proibido é mais legal, mais gostoso, né?

O filme tem, por enquanto, classificação indicativa de 14 anos. Pode mudar, já que tudo que Danilo Gentili faz gera polêmica. Para sentir o nível do longa, perguntei ao jovem protagonista Bruno Munhoz, que tinha apenas 12 anos quando o gravou, o que sua mãe achou do filme. “Ela odiou”, respondeu o jovem. Assim, direto e reto.

Você, como mãe, inicialmente também vai odiar. Vai odiar porque vai ver dicas de como seu filho poderá trolar professores e amigos, sugestões de como burlar regras da escola, explodir as privadas dos banheiros, entre muitos desserviços.  Para você, claro, é muito melhor que seu filho de 14, 15 anos, fique em casa vendo My Little Ponny. Mas a verdade é que seu filho já deve fazer tantas coisas sem que você saiba, que é muito melhor falar sobre elas do que fingir que elas não existem. Ele já pode ser o pior aluno da escola e você não está sabendo. Ou pode ser um triste melhor aluno também.

 

Como já contei aqui no Blog Mulherão, minha mãe morreu há 15 anos e eu ajudei meu pai a criar a minha irmãzinha Barbara que, na época, tinha apenas 10 anos. Ela conta de uma vez em que estava super depressiva, com a cabeça baixa na carteira, chorando, quando uma professora falou: “olha a Barbara, que belo exemplo! Quietinha na cadeira dela. Vocês deveriam fazer o mesmo”.  Ou seja, a professora não via que tinha uma criança depressiva e desestimulada na frente dela e ainda confundiu a introspecção e depressão profunda com bom comportamento. Essa mesma irmã tem um grau de inteligência altíssimo e sempre sofreu na escola por não se enquadrar no sistema, usou o mesmo caderno em quase 10 anos de escola porque não copiava nada. Não fazia lição de casa, entregava porcamente trabalhos, mas lia 1 livro a cada 4 dias. Livros que ela queria e escolhia. Leu Sidney Sheldon com 6 anos, como não admirar? Aprendeu a ler e falar outras línguas sozinha. Era brilhante, tirava notas altíssimas e passou em todos os vestibulares que passou, inclusive em faculdades públicas. Hoje é mãe, pedagoga, ama o que faz e pelo que passou, consegue ver brilhantismo em alunos que são livres, que aprendem de formas diferentes. Barbara nunca foi a melhor aluna da escola.

Lembro do Huguinho Luiz, o menino mais bagunceiro da minha sala no ensino médio. Expulso várias vezes da sala. Ele era genial. Formou-se em administração e contabilidade e hoje vive e trabalha em Nova Iorque. Já pensou, você pode ter um gênio em sua casa e não sabe.

Observando nossos filhos e nossa própria história como alunos, o filme pode ser visto por outro viés. Fala do ensino engessado e ultrapassado, que não estimula o pensamento, a individualidade, a criatividade. Tem cenas muito polêmicas. Além das muitas cenas escatológicas, a que mais me chocou envolvia pedofilia. Me deu nojo. Fiquei chocada. Pensei: “que desnecessário”. Mas será que é desnecessário mesmo? Isso acontece todo dia, temos que falar sobre isso com nossas crianças.

Além de poder amar a oportunidade de rever seus conceitos sobre educação, você se verá em várias cenas. O que mais gostei no filme:

  • Moacir Franco – para mim, o cantor e ator foi o melhor em cena. Ele vive um servente de escola rabugento que ajuda os alunos a aprontar.
  • Bruno Munhoz e Daniel Pimentel – com 13 e 18 anos, respectivamente, ambos vivem estudantes de 14 anos. São meninos comuns, em seu primeiro trabalho, sem aqueles vícios de Chiquititas, sabe? O Daniel é compridão, desengonçado, como Danilo Gentili deveria ser na infância. Já Bruno é um gordinho lindo, descolado. Eu me apaixonei por eles!
  • Músicas – nossa, vocês vão amar a trilha do filme. Puro Rock’n’Roll. Uma seleção bem pensada.
  • Carlos Villagrán – o nosso amado Kiko, do seriado Chaves, vive um diretor de escola linha dura. Eu senti dificuldade em entender o que ele falava. Era um portunhol misturado com gagueira, mas mesmo sem entender, a gente se apaixona por nosso ídolo.
  • Skylab – Na vida real ele é um poeta e músico muito louco, que faz músicas que são muito inteligentes de tão idiotas que são. hehehe… Bom, se você não for nerd, não saberá quem ele é. Mas dá uma ouvidinha:

  • Danilo Gentili: interpreta um ex-aluno, solteirão, gato e rico, que deixa o manual de Como se tornar o pior aluno da escola para seus discípulos. Tá na cara que na vida real Danilo era o nerd (e talvez ainda seja) magricelo interpretado por Daniel Pimentel. Já o solteirão gato e rico, seu áuter ego. Durante o filme, você alternará entre amor e ódio por seu personagem.

Filme: Como se tornar o pior aluno da escola

Lançamento: 12 de outubro

Direção: Fabrício Bittar

Roteiro: Danilo Gentili