25 de maio de 2010 22:53

Por Eduardo Soares

Faltavam duas horas para acabar o domingo e eu estava no bagaço. Resumo do dia: alguns afazeres do trabalho pela manhã (sim, sou daquele tipo workaholic que leva o trabalho para casa) e prova para concurso às 15 horas da tarde, com duração de 3hr e meia. E o pior: já havia feito essa mesma prova duas semanas atrás, mas devido a confusões oriundas sabe-se lá de quem (até sei, mas não vem ao caso) tive que fazer tudo de novo. Escolheram um local de prova que fica mais próximo de São Paulo do que do Rio propriamente dito, mas lá estava eu, longe de tudo como nunca e tenso como sempre. Ainda tive a genial idéia de pegar um cineminha depois da prova, com o intuito de relaxar a cuca diante do dia cansativo. Não sei se foi o estresse acumulado ou filme ruim, mas a proposta inicial foi por água abaixo. Saí da sessão mais irritado ainda. Como nada dava certo só me restou usar uma frase usada pelos chatissimos Teletubbies: era hora de dar tchau!

Peguei a van e desabei. Parecia que eu nao dormia há séculos. De quebra, o motorista tinha um ótimo gosto musical já que rolava um som relaxante na viagem. Meu sono estava delicioso quando, entre um sacolejo e outro da condução, ouço uma voz diferente. Nem vi quantas pessoas estavam na van, mas aquela voz em especial era doce e irritante ao mesmo tempo. Tudo que atrapalha meu sono é irritante e imagino que o mesmo ocorre com vocês. Procurei entender o que ela dizia. “Borboletinha…cozinha….titi….ido…au”. Depois de certa resistência, me dei por vencido. Dormir em paz só em casa, pensei. Resignado no meu canto, peguei os fones com raiva, estava prestes a castigar meus tímpanos através do som alto e agitado do MP3 quando parei para ouvir e entender aquela melodia cantada entre gargalhadas e pedidos de “de novo, mamãe”:

Borboletinha/ Tá na cozinha/ Fazendo chocolate/ Para a madrinha/ Poti, poti/ Perna de pau/ Olho de vidro/ E nariz de pica-pau (pau, pau)

Sabe aquela sensação que te faz derreter? Baixei as mãos, coloquei o fone no bolso. E a musiquinha continuava. Mãe e filha cantavam com alegria contagiante, como se aquela fosse a primeira canção decorada pela criança. Todos, absolutamente todos ficavam encantados com aquela pequena moreninha de Marias Chiquinhas e de vestidinho rosa com babados brancos. Parecia que elas vinham de uma festa, pois a mãe carregava dois balões cor de rosa e também um embrulho num saco plástico branco. Pelo cheiro, ali tinha de tudo: bolo e salgadinhos. A menininha por sua vez, carregava apenas uma bonequinha que era a sua cópia. Estresse? Qual estresse? Meu lado paternal, que já anda a flor da pele, se rendeu diante daquela mini cantora que embalava a viagem com sua canção típica de jardim de infância.

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Praça de Cascadura. Fizeram dali uma espécie de terminal rodoviário para vans e kombis. Lá encontra-se de tudo: ambulantes dormindo nas próprias caixas de isopor, bêbados “descarregando” o excesso de cevada nas esquinas escuras sem a menor parcimônia, gente estranha comendo espetinhos de churrascos frios, grupos de prostitutas com perfumes fortes e roupas esfarrapadas e mendigos fazendo seus cachorros de travesseiros. A decadência local é gritante. Aliado pelo dia e horário (quase madrugada de domingo), poucas pessoas transitavam por ali e com isso a praça nutria um clima quase assombroso.

Dentre os “moradores” do local, destacava-se uma família com pai, mãe e uma filha pequena. Eles não eram diferentes dos demais: faziam da calçada fria e esburacada uma espécie de “colchão” forrado apenas por jornais, revistas e restos de embalagens de biscoitos; o “quarto” deles era delimitado por vários papelões que juntos faziam uma espécie de quadrado. Com isso, não chamavam a atenção pelo aspecto desumano e sim por frases de aflição e uma voz de choro. Choro de criança. Choro de fome.

Dizem que dentro do possível os mendigos se ajudam. Dentro do que podemos considerar como ‘ajuda’ está o fato de ceder um copo de água para o outro. Entre eles, qualquer tipo de auxilio tem ar de caridade plena. Mas não era o que acontecia com aquela família. A mãe nervosa brigava com o marido, queria que ele desse um jeito para encontrar comida. Ele nada podia fazer, pois todos os bares estavam fechados. Também não iria assaltar, pois ainda mantinha a dignidade que a vida teimava em lhe tirar. Ela dizia que a criança iria morrer de fome em seus braços. Ele se desesperava e berrava com a mulher. A agonia tomava conta daquela família.

Mesmo fraca também devido a fome, a mulher levantou-se para embalar a criança. Ambas choravam copiosamente. Não havia um fio de esperança naquele coração materno. Ela olhava para o céu, não tinha coragem de encarar a filha. A sensação de impotência tomava conta daquele casal. Perder a filha daquela forma seria cruel demais, mas em questão de poucos minutos a morte iria ganhar contornos de realidade. Foi quando um veiculo parou do lado delas.

Dentro dele, uma pequena menina alegre de repente ficou séria ao olhar para a aflição daquela família paupérrima. Guiada por um instinto inocente ela apontou para o embrulho de saco plástico com comida que estava no colo da mãe e apontou para os famintos, como quem diz: “dá para eles, mamãe”.  Supresa, ela atendeu o “pedido” da filha que num último ato entregou com suas próprias mãos sua bonequinha para a menina que inexplicavelmente parou de chorar. Mas quem presenciou a cena não segurou as lagrimas.  Por pena da família, por orgulho da pequena, seja lá pelo que fosse. A van partiu e vimos a mãe faminta agradecer efusivamente a Deus e aquela menina que simplesmente dava “tchau” no alto dos seus dois, talvez três anos.

Seria ótimo se as autoridades competentes tivessem um coração tão sensível quanto a dessa criança que ainda não sabe muita coisa, mas teve a sensibilidade de perceber a agonia de sua “coleguinha” da mesma idade. Sendo assim, façamos a nossa parte: mostrando aos nossos filhos a importância de atos humanitários. Quem sabe assim estaremos modificando o amanhã com famílias dormindo em quartos feitos com tijolos, com camas macias e lençóis aquecidos. Quem sabe assim essas duas crianças poderão cursar uma faculdade juntas.  Quem sabe assim pessoas possam simplesmente comer. Deus nos deu a inteligência. Façamos dela Seu maior orgulho.

  • Liliana

    Não tenho nem o que comentar… emocionante e lamentável ao mesmo tempo.

    A sua visão se repete nos olhos de tantas outras pessoas, que passam e fingem não ver. Vivem de ilusão, no seu próprio mundinho, que fazem questão de não mudar algo que poderia e precisa muito ser mudado.

    Enquanto nos esforçamos para fazer a nossa parte e da melhor forma possível, outros por aí pensam apenas em votos e coisas bem menos importantes. É triste.

    • Edu Soares

      Liliana, foi como eu disse recentemente: o egoísmo dessas pessoas tidas como “competentes”é tamanho que eles preferem fazer “vista grossa” com a miséria, deixam como está e fica tudo certo. Sabe pq? Pobreza dá voto. Deprimente.

  • Divo,

    Lindo post! Não tenho nem palavras para dizer o quanto estou emocionada!

    Beijos …

    • Edu Soares

      Eterna Diva,

      Conheço pouquissimo de vc mas pelo que vi tens um coração enorme. Poucos são aqueles que podem mudar esse panorama e para mim vc é uma dessas pessoas.
      Beijos.

  • Analy

    Edu, você é meu colunista favorito!!
    Eu leio bastante o blog, até várias vezes o mesmo texto, e sempre que leio os seus me surpreendo como alguém pode escrever assim (tão bem)!!! Pode publicar tudo! hahahahahahaha!

    Acho importante pontuar que no caso da população em situação de rua a principal medida não consegue ser alçada por indivíduos, mas sim pelos homens/ mulheres da política… Claro que devemos fazer alguma coisa, a nossa parte ou a parte do outro, não interessa como… mas se de grão em grão a galinha enche o papo, de migalha em migalha NÃO dá pra mudar a vida de todas as pessoas que estão nas ruas, é preciso ação contínua e estruturada… Por isso, prestar atenção em QUAL proposta se está votando é a opção mais viável… (a não ser que se seja muito rico e saia distribuindo por aí seu rico dinheiro, outra boa opção…!).

    Eu tenho esperança, e ela não vai morrer tão cedo… =)

    • Edu Soares

      Analy, obrigado pelo carinho. É bom saber que sou o favorito de uma leitora! Ganhei o dia! Não tenho 10% da capacidade literária dos demais colunistas daqui, mas aos poucos vou tentando chegar lá.

      Sei que o blog não quer entrar na questão da política mas também não podemos fingir que está tudo bem, que tudo está belo, formoso e elegante.

      Não deixe sua esperança morrer. Sem ela, você será apenas mais uma pessoa descrente de dias melhores.

      Beijos

  • Élen Carvalho

    Lindo, emocionante, tocante e realista é lindo quando vemos o dom acolhedor que muito tem, pois quando vc acolhe vc é caridoso é amoroso, paciente e muito mais. Felizmente convivo com crianças de todos os níveis, sejão fisícos, materiais ou psciológicos ser professora é incrível participar da construção ed esenvolvimento de um ser lindo desses que apenas busca seua identidade mais que hj me dia muito mais que isso busca tbm entender a família os pais e os irmãos, tão pequeno e tão sábio, tão indefeso e tão voraz. Deus Abençõe e traga alegria, humanidade e caridade a todos como diz na palavra A caridade é o princípio da sabedoria.
    Se a sociedade um dia reconhecer como verdade para si seríamos todos beneficiados pelo AMOR que tbm é a CARIDADE.

    • Edu Soares

      Élen,

      Sua profissão deve ser a mais nobre de todas, talvez em igualdade com os médicos.

      Meu texto termina com a teoria de que devemos educar, educar e educar. Essa é a chave-mestra do nosso futuro. A partir daí iniciamos a construção do caráter dos pequenos. Não é garantia de que eles seguirão o caminho apontado como ideal mas pelo menos teremos a sensação de dever cumprido.

      Beijos.

  • Paulinha

    Nossa Dudu, li esse artigo logo pela manhã e foi uma espécie de meditação para minha vida… Você é demais viu? Tenho orgulho de dizer que sou sua amiga de infância… rsrsrs
    Beijão e que Deus abençoe esse seu dom tão lindo…

    • Edu Soares

      Paulinha,

      Nossa, quanto carinho! rsrs
      Você, na condição de mãe e professora, é uma mulher especial. Mostre para seu filhote e alunos os valores que você conhece. Esqueça a denominação religiosa. A Palavra não tem rótulos.

      Beijão.

  • Werônica

    Chorei, mas de felicidade. Ainda há pais no mundo que ensinam (ou aceitam) com sabedoria a educação. Dizem que o brasileiro tem uita esperança… sou uma delas. Tenho esperança de um mundo melhor que só “depende de nós”.

    • Edu Soares

      Disse tudo, moça…disse tudo.

  • Laura

    tocante!!!
    sou sua fã!
    nossa impossivel não chorar, moro num bairro periférico da zona sul de são paulo, e estudo numa universidade num bairro de alta classe em são paulo, fico horrorida todos os dias quando vejo o tamanho das diferenças que nos rodeiam, é trsite saber que eu estudo com pessoas que jogam fora coisas que são essenciais pra vizinhos meus.
    é trsite ter q passar por essa realidade todos os dias, e por mais q façamos, todos os dias parece q no meu coração cresce a sensação de impotencia.
    bjs Eduu!

    • Edu Soares

      Laura,

      Esse constraste que faz parte do seu dia a dia incomoda, né? Parece uma espécie de asfixia, que tira nossas forças lentamente.

      Peço por tudo nesse mundo que essa sensação de impotência ceda vez para a esperança. Se puder, de alguma maneira, faça sua parte. Beijos.

  • Carla Gisele Leme

    Lindo texto, nos faz pensar e REPENSAR a vida. É triste imaginar que esse tipo de “cena” é muito mais comum do que possamos imaginar…
    Muitas vezes achamos que tais coisas acontecem somente na reportagem na TV a qual desligamos e depois vamos dormir em nossas camas quentinhas. Tantas vezes nos é cômodo achar que a culpa é somente dos políticos ( não tirando com certeza a responsabilidade que eles têm de melhorar a condição de vida de toda a população), porém quantos de nós também somos muitas vezes culpados de uma criança estar chorando de fome, pois inúmeras vezes se quer olhamos ao lado, se quer paramos para ajudar. Nos recolhemos em nosso mundo, pois quem garante que aquele homem mal vestido que se aproxima, não é um ladrão, ou aquela mulher com a criança chorando no colo não é uma qualquer usando da condição da criança para pedir esmolas e fazer sabe-se lá o que com o dinheiro.
    Pelo menos prá mim, é uma dúvida que me perturba toda vez que alguém pede ajuda. Fico no impasse entre o coração e a razão. Se ajudamos com dinheiro, minutos depois você vê aquela pessoa bebendo, ou fumando ( com o dinheiro que era pro pão). Se damos dinheiro a uma criança pobre, vemos depois adultos explorando tais crianças forçando-as a pedir para que dêem a eles.
    É muito complicada toda essa situação, ficamos muitas vezes de mãos amarradas…
    Diante de tudo isso nos resta usar a sensibilidade que existe em cada um de nós, para tentar ajudar ao próximo sem os preconceitos que nos cercam. Tentar ajudar da melhor maneira possível, e desde já, como o Edu colocou muito bem no texto, ensinar aos nossos filhos que devem compartilhar, quem devem ser também caridosos com os que têm menos, ensinar-lhes a ser humilde e querer sempre buscar o bem.
    Lembrando que o melhor jeito de ensinar alguma coisa é através de seu próprio Exemplo.

    • Edu Soares

      Carla,

      Sua hesitação é a minha e de várias pessoas: se eu der dinheiro para ele, será que ele realmente vai comprar comida?
      Sabe o que dá mais raiva? É ver o dono do boteco vender cachaça e cigarro para o mendigo que acabou de ganhar alguns centavos de esmola. Para esse indivíduo, é mais fácil alimentar o vício do miserável do que recusar a venda e perder alguns trocados.
      Esse mundo anda cada vez mais frio, com pessoas cada vez mais egoístas.
      Para essa gente, seu pensamento serviria como um tapa na cara: “Lembrando que o melhor jeito de ensinar alguma coisa é através de seu próprio exemplo.”

  • Fernanda Santos

    Todos os elogios que pensei apareceram aki de alguma forma.
    Éuma história triste, muito triste…
    E eu pude ver tudo atraves dos seus olhos e das suas palavras, ouvi a voz da pequenina e até mesmo senti o cheirinho dos salgados…
    E infelizmente tb pude ver a cena da familia, ouvi o choro da criança, da mãe e o pai…
    Mais sabe, essa sensação que vc teve dentro de vc , que ainda existe esperança, que ainda mesmo sem saber alguém se importa e num pequeno gesto transforma o dia de alguém? Senti isso tb…
    A pureza de uma criança na coisa mais simples do mundo estender a mão, e não seria apenas isso a solução da grande maioria, estender a mão?
    Pq quando se cresce se perde essa clareza, essa nobreza, essa PUREZA?
    E TODOS, eu digo TODOS somos assim, de uma forma ou outra, do simples até o mais complexo ato.

    Como diz a música do Grupo “Diante do Trono”

    “Há esperança para o ferido
    Como árvore cortado, marcado pela dor
    Ainda que na terra envelheça a raiz
    E no chão, abandonado, o seu tronco morrer
    Há esperança pra voçê

    Ao cheiro das águas brotará
    Como planta nova florescerá
    Seus ramos se renovarão
    Não cessarão os seus frutos
    E viverá…”

    Ainda bem que sementes de esperança ainda são semeadas, e brotam pelos pequenos gestos de um par de “Marias Chiquinhas”

    Parabéns Edu pelo texto, mais uma fã…

    • Edu Soares

      Fernanda,

      Perdemos a pureza no momento em que achamos ser algo normal ver o mendigo largado na praça, como uma espécie de indigente vivo. Tem gente que logo pensa: “Esse aí devia ser cachaceiro, farrista, mulherengo. Perdeu tudo por causa de jogo e agora está assim.”
      Ei, cara pálida! Que tal dedicar os mesmos segundos dedicados para fazer o pré-julgamento para pensar de que forma esse sujeito pode ter o mínimo de dignidade na vida?
      Nascemos e morremos com o mesmo coração. A diferença consiste em saber o que deixamos e tiramos dele ao longo da vida. Eliminar a indiferença para colocar esperança é sadio. O inverso, só fara um pedaço de músculo parecer pedra.

  • Tento – continuamente – mostrar para meus filhos essa face negra da realidade… e sempre… os oriento a serem mais humanos, fazendo algo que modifique e melhore a sociedade a nossa volta… nem que seja apenas a mudança em nós mesmos. Porque depois, a mudança vai se irradiando e se espalhando. O humanismo é como vírus, contagia.

    Nem tenho muito mais o que dizer… mas com certeza repassarei o texto. Parabéns pelo texto tão bem escrito, e com o propósito de disseminar algo que falta no mundo: a caridade.

    Beijo grande, Mimi =]

  • Anny Oliveira

    Lindo o texto, Edu. Tenho até vergonha de escrever isso aqui, mas muitas vezes já passei pelas ruas do Rio e me deparei cenas tristes como essas, e confesso a vc que não já não fico tão abalada. Parece que me acostumei a ver e a achar que faz parte da paisagem, triste paisagem. Por vezes passo por uma cena dessas com medo dessas pessoas, medo que me assaltem, que me façam algum mal. Já vi muitas pessoas agirem assim. Aliás, são a maioria. Triste e vergonhoso, mas é a verdade. Ver uma atitude tão sublime dessa vinda de uma criança, me fez repensar as minhas atitudes. Estamos habituados a querer colocar a culpa nos governantes, não discuto isso, mas acredito que se cada um repensasse sua posição na sociedade, agindo com solidariedade, quem sabe essa realidade fosse transformada.
    Parabéns pelo texto. Bjos!

  • Keka Demétrio

    Adepta da filosofia espírita, e acreditando piamente que sem caridade não há salvação, ainda creio na beleza da alma humana que se aperfeiçoa com o tempo. Quando vc enviou o texto para que eu lesse não pude conter as lágrimas que corriam, já que andamos todos tão carentes de gestos assim. Perceber as misérias e mazelas pelas quais a humanidade passa me dá a triste convicção de que as bases fundamentais ensinadas por Cristo, como a caridade, o ao amor ao próximo, estão sendo dispensadas da vida de tantos, e o pior, principalmente daqueles que detém o poder e a obrigação de estar auxiliando na vida daqueles tão desprovidos de tudo e que a ganância de tantos os tira até mesmo o direito à dignidade. Como mãe, sempre tento mostrar aos meus filhos que a vida é muito mais do que o cobertor que aquece, a comida que alimenta e os tantos brinquedos espalhados pela casa. A caridade não se faz apenas com um prato de comida ou um par de sapatos que protege os pés machucados, mas também através de palavras, de gestos e ações que podem fazer a diferença. E que na vida não basta emocionar-se apenas no instante em que percebe a presença de Deus no gesto inocente de uma criança, mas levar essa emoção por toda a vida, procurando, dentro da nossa imperfeição como seres humanos, amar ao próximo como a nós mesmos.

    Beijos mineiros

  • Ana

    Lindo texto. Mas e você Edu o que fez?

  • Querido Edu! Realmente complicamos muito a vida e suas ações. Gestos simples e sinceros são raros.. mas acontecem pra mexer com a gente!
    Sou espírita e acredito muito que o amor e a caridade farão deste mundo um lugar bem melhor!!
    Que mais crianças.. mães.. pais.. filhos.. amigos.. vizinhos.. compartilhem .. doem … multipliquem… façam o bem.. sempre!!
    Deus nos deu a inteligência… e nos acrescenta a sabedoria.. juntos esses dons podem mudar o Mundo!!
    Beijos !!

  • Edu.
    Que história triste e ao mesmo tempo tão corriqueira…
    Estamos cegos…ou ao menos nos fazemos de cegos por comodidade…
    Mas será que esta menina não sabia o que estava fazendo?
    Acredito em uma nova geração…e dá para ver nos olhos destas crianças que elas vierão para nos testar…ou nos preparar…
    Teste ou não…acho que devemos fazer cada um a nossa parte…
    É simples…um por um…e ai seremos….um todo…
    Bom é o que eu penso…
    Gosto muito dos teus posts…
    bjus…

  • Edu.
    Que história triste e ao mesmo tempo tão corriqueira…
    Estamos cegos…ou ao menos nos fazemos de cegos por comodidade…
    Mas será que esta menina não sabia o que estava fazendo?
    Acredito em uma nova geração…e dá para ver nos olhos destas crianças que elas vieram para nos testar…ou nos preparar…
    Teste ou não…acho que devemos fazer cada um a nossa parte…
    É simples…um por um…e ai seremos….um todo…
    Bom é o que eu penso…
    Gosto muito dos teus posts…
    bjus…

  • Carla Santos

    Edu.
    Amei o texto!!!
    A miséria ultimamente tem feito parte do visual da cidade, do País, faz parte. É bem mais facil olhar pro próprio umbigo, pra que se preocupar com o ” quintal do vizinho”, se o meu é mais importante. Parabéns pela abordagem do assunto, o que realmente precisamos é refletir, e concluir que somos um todo, e que devemos sair de nossas vidinhas e ajudar a quem realmente precisa. Devemos parar e chegar a conclusão de que não podemos levar a vida de forma unilateral, isso é puro egoismo.
    Parabéns o texto é ótimo.
    Bjus.

  • Thaís Belo

    Edu mais um a vez vc arrasou na mensagem, linda e ao mesmo tempo triste, Mas nos faz refletir que existem pessoas que se importam com os outros sem pedir nada em troca e Tb muito bom saber que a atitude veio de um ser lindo que é uma criança.
    Parabéns Edu….

  • Simone

    Edu,
    É a primeira vez que escrevo um comentário no blog, mas não podia deixar de manifestar o quanto eu gostei. Acho que foi o mais bonito, delicado e comovente que vc escreveu. Sei que ainda virão outros por aí.
    Parabéns.

  • carol

    primeiramente voce tem o dom da escrita, escreve muito , mas muito bem….
    em segundo tb me resigno tanto quanto voce, e o nosso presidente fazendo uma “gracinha” para a Grecia…como diaria simao, “Brasil, pais da piada pronta”

  • Fabi Datovo

    Tentando afastar as lágrimas que teimam em cair do meu rosto ao final dessa sua narrativa!
    Sempre digo, que as crianças são anjos que percebem sim tudo ao nosso redor e tem mais facilidade de ajudar sem esperar nada em troca.
    Ao menos por essa noite essa família teve algo pra comer. E que tão belo coração dessa pequena, já cheia de princípios e cuidado com o próximo.
    Não importa o que Eduardo fez, a menina já havia feito por todos.
    E cobrar apenas das autoridades não é o certo, cada um fazendo a sua parte, não morre a esperança de um Brasil melhor.
    Eduardo, obrigada por narrar esse fato e nos fazer perceber que o mundo lá fora é bem diferente e que á sim possibilidade de mudança.
    Bjos a todos [as] e boa noite!

  • Pois é, nessas horas é que devemos lembrar de não reclamar do que temos ou do que não temos. Nessas horas é que devemos lembrar de 2 palavras: caridade e compaixão!

  • Valdenice Costa

    Que linda essa sua história, Eduardo! Amei sua sensibilidade ao detalhar cada fato.
    Realmente séria ótimo se nossas autoridades tivessem a mesma compaixão dessa menininha, pelo seu povo.
    Tenho uma prima de 11 anos e sempre mostro para ela o quanto devemos agradecer a Deus e compartilhar com os outros o que temos. Mesmo quando o que temos é pouco, mas esse pouco Deus transforma em muito; pois Ele sabe do que necessitamos.
    Boa Noite!
    Bjus.

    • Edu Soares

      É isso aí, Valdenice. Seja o exemplo sadio para sua priminha e para quem quer que seja.

      Deus ajuda a quem..ajuda.

  • LIZ

    Oi Edu… todas as noites eu faço uma oração em forma de prece junto com a Lara(minha filha), e é tão lindo vê-la agradecendo com as mãozinhas atadas e os olhinhos fechados falando com Deus, me sinto orgulhosa em ouvi-la agradecendo pela mamãe que tem, pelo papai que mesmo não tão presente , mesmo assim ela agradece, pela familia, pelos avós… enfim, ela agradece sempre, começa sempre assim, e finaliza pedindo para que o papai do céu proteja todas as criancinhas que não tem casa, nem bonequinhas… hj em especial, foi ainda mais comovente pra mim fazer essa pece com ela, pois depois de ter lido seu texto me dei conta que nesses breves periodos com nossos filhos, onde podemos humanizar-los e de alguma forma lhes ensinar um pouco de valores, um pouco de amor ao próximo vejo que ainda podemos por fé nessa nova geração que esta vindo, que de alguma forma nós podemos ainda tentar mudar o enredo dessa história que nos é contada e nos é constatada todos os dias sobre os descasos dos governantes, sobre o egoismo de alguns que tem e não o sabem compartilhar, sobre tantos que apenas preferem ignorar ao invés de estender uma mão…. é o que tento passar pra minha filha, que podemos de alguma forma mudar alguma coisa, que o amor pode mudar tudo, e que ela sendo tão amada como é, pode compartilhar desse amor a quem estiver perto… eu sinto nela, quando a ouço pedir para o papai do céu cuidar das criançinhas, a generosidade a fraternidade o amor ao próximo, e é nisso em que acredito, que certos valores não mudam, e quando termino a oração com ela eu continuo a minha, pedindo pra Ele, que a conserve com essa generosidade pra que ela cresça com uma ótica humanitaria e que possa de alguma forma contribuir para sociedade mais justa e fraterna!
    bjos… obrigada por continuar escrevendo!!