10 de agosto de 2010 09:08

Por Eduardo Soares

Dentre as definições possíveis, encontrei uma perfeita para exemplificar o tema do texto de hoje. Segundo o Michaellis, podemos definir o tempo (olha ele aí de novo) como “uma medida de duração dos seres sujeitos à mudança da sua substância ou a mudanças acidentais e sucessivas da sua natureza”.

Luana sonha com a vida de casada. Com quase uma década de namoro/noivado, e a casa comprada através de suaves 120 parcelas (com pouco mais de 50 quitadas) e mobilhada aos poucos, é a hora de juntar os trapos com o amado. Só falta um detalhe para coroar esse momento de transição única na vida de qualquer um: a cerimônia matrimonial. Tem gente que valoriza, outros não dão muita importância. Mas ela quer. Oras, na cabeça daquela mulher é apenas o que falta para abrilhantar todo aquele reinado a dois construído aos poucos.

Data marcada: fim de novembro próximo. Quem já passou por isso sabe do que estou falando. A expectativa aumenta a cada dia e toma conta não só do casal como também de cada parente ou amigo próximo. Como forma de amenizar um pouco essa ansiedade, as amigas do trabalho de Luana resolveram chamá-la para uma passar algumas horas num barzinho bacana, desses com música ao vivo (ao estilo voz e violão), garçons prestativos, petiscos maravilhosos que aposentam a dieta por um dia e claro, aquele choppinho estupidamente gelado. Convite feito, convite aceito. Qual é o mal de passar o tempo com gente agradável num local não menos cativante?

Entre um gole e outro, Luana começou a rir. Efeito do álcool na cabeça, pensaram as amigas. E todas foram no embalo da amiga. Gargalhavam sem saber o motivo, apenas o faziam. Quem estava por perto era contagiado com tamanha alegria inexplicável. Uma das amigas conseguiu controlar a euforia e perguntou para Luana a razão daquela súbita alegria excessiva. A resposta foi imediata:

– Olhem para a direita. Estou vendo meu noivo aos beijos e abraços com uma loira! Vou parar de beber, amigas! Estou vendo coisas!!

Ou todo mundo estava sintonizado numa mesma dimensão de utopia etílica ou aquela cena não era fruto da ilusão da mente. Pior: a segunda opção era verdadeira.

Imagine-se caminhando na avenida mais linda da metrópole mais moderna de todas. Prédios imponentes e carros luxuosos enfeitam ainda mais o visual. Esse palco era o seu projeto de vida, construído aos poucos, com suor, sacrifício, confiança e cumplicidade. Você colhe os frutos da sua determinação. Observa com orgulho cada cor e formato da sua idealização projetada em conjunto com alguém especial. De repente, o chão se abre de ponta a ponta; explosões deformam parques; os prédios começam a ruir em efeito dominó, o caos toma conta daquela paisagem antes perfeita. É assim que nos sentimos quando acontece algo semelhante ao caso da Luana.

E ai, acabou o mundo? Você não terá mais forças para reerguer seus sonhos ou quem sabe iniciar do zero uma nova cidade? Vai ficar deitada no asfalto quente, à espera que o buraco engula seu corpo e a leve para o limbo da incredulidade, sem chances de retornar a vida?

Não. Render-se diante do caos é atitude de covarde. Se os projetos foram modificados, tenha sabedoria e força de vontade para refazê-los. Nunca deixe algo ou alguém jogar fora tudo aquilo que você arquitetou por anos. Seja arquiteta da sua vida. Crie, inove, avalie, mande e desmande. Refaça. Mesmo quando tudo parece perdido, refaça. Que as tais mudanças acidentais ditas no dicionário sejam o seu ponto de partida, e não o término.

O tempo realiza prodígios. Constrói pontes onde havia abismo. Cria escudos onde havia ferida. Faz de simples maquetes as paisagens mais imponentes: depende apenas da competência do engenheiro responsável pelo projeto.

  • Letícia Melo

    Nossa! “Render-se diante do caos é atitude de covarde.” Essa frase é perfeita, eu sempre tento manter essa mesma ideia em mente, por mais que as vezes pareça dificil. Meus parapéns pelo texto maravilhoso!
    Bjs!

  • Giselle

    oii amei vcs ontem no superpop!!! estavam lindas como sempre! Meu e aquela menina a Paula, nem é tão gorda…

  • muito bom , Edu!!!

  • Gostei do texto cara! A vida é um castelo de areia na beira de uma praia, uma hora ou outra vamos ter que reconstruir do zero alguma área da nossa vida.

  • Ingrid

    Nossa que texto…me fez pensar e muiiiiito.Nao podemos deixar nossa vida e futuro nas maos de uma pessoa.Adorei a frase:“Render-se diante do caos é atitude de covarde.”

    Ah Parabens…adorei vcs no programa Super pop!!!
    Nao gosto muito daquele programa,pois nao sabem abordar muito bem as questoes.Mas parabens!!

  • Juliana Luz

    Nossa,…Edu…perfeito!!!!!!!!!!!!!!

  • Carol Caran

    Esse texto doeu. Horário e almoço e eu aqui com vontade de chorar… Nossa!

  • Juliana Luz

    Por coincidência hj lí uma frase assim:
    “Hoje pode ser um dia excelente e maravilhoso – só depende de você.”…

  • Oi Edu!

    Que texto, que sensibilidade, que lindo!
    Que atire a primeira pedra quem nunca viveu um momento assim:?

    Beijos

  • Cynthia

    “Render-se diante do caos é atitude de covarde. Se os projetos foram modificados, tenha sabedoria e força de vontade para refazê-los.”

    Já escrevi na primeira página da minha agenda!!!
    Maravilhoso!!!
    Cheiro!!!

  • Gosto muito do blog de vcs.. que não poderia deixar de indicar no meu site.. sucesso sempre.. beijos

  • Keka Demétrio

    Uma, duas, três, quatro, perdi a conta de quantas vezes meu mundo caiu e me vi sendo tragada por um abismo sem fim. Inerte, sem forças ou vontade de reerguer-me, as oportunidades que a vida me oferecia passavam despercebida, a piedade que sentia de mim mesma não me permitia vê-las. Só que chega uma hora em que, ou você retorna para a vida ou ela termina e nesses momentos é primordial trazer à tona a fé de que existe um ser, inteligência suprema de todas as coisas, que está sempre pronto a te ajudar a curar todas as suas feridas.

    Edu,
    você me remeteu a épocas de minha vida que outrora eu sequer me atreveria a lembrar pelas cicatrizes que carrego, porém, a nova cidade que estou projetando precisa ser construída sem os defeitos que fizeram todas as outras desmoronarem. Portanto, todas essas lembranças se tornaram essenciais para que eu consiga solidificar os meus sonhos.

    Beijos mineiros

    Em tempo, um de seus melhores textos. 🙂

  • Fátima

    Esse texto me fez lembrar um acontecimento da minha vida …o ódio que eu nem sabia ser capaz de sentir, a sensação de não ter chão, não ter perspectiva do que fazer daquele ponto em diante, uma cegueira que me impedia de dar o primeiro passo para sair daquela situação. Minutos após a Sensação-Maysa ( meu mundo caiu), encontrei um amigo que viu como eu estava e contei o acontecido. Ele me olhou nos olhos e disse algo que me salvou: ” Sai dessa menina, não seria pior ter visto o que viu, depois de casada?” Palavras simples que me fizeram ver um futuro muito melhor e que me fizeram começar a sentir prazer ao invés de dor, sentir alívio em cortar todos os laços e recomeçar a viver, mais forte para passar por diversas dores e decepções que sempre nos acontecem.

  • Evelyn

    Oi Edu. Caramba, vc definiu a minha situação em 2007. 1º de agosto, dois dias antes do meu aniversário, num almoço de família, em um retaurante uns 40 min de onde eu moro. Não foi meu namorado ou noivo, mas sim a humilhação pública. Infelizmente existem parentes que sem nenhum direito nos fazem cobranças. E aquele dia foi em público. Jogando na minha cara cada erro que cometi ao longo dos meus 25 anos. E falar pra todos na mesa não era suficiente. Tinha que alterar o tom para tornar público. O constrangimento foi total. Senti uma vergonha tão intensa. Parecia que todos estavam olhando pra minha cara. Na verdade, muita gente estava mesmo. Fazia muito tempo que eu não tinha que engolir o choro. E foi muito choro. Pedi licença para ir ao banheiro e fui embora. Meus joelhos tremiam tanto, que eu achei que fosse cair ao descer as escadas do shopping. Meu coração batia tanto, minha vista embaralhava. Sem querer parecer hipocondríaca, mas Entrei em um táxi e voltei pra casa. Surpresa: estavam quebrando a calçada, e passando mal tive que andar uma quadra até chegar em casa. Adivinha o que aconteceu ao cruzar pela porta: minha mãe abalada diz que meu pai (ele estava presente duranto o “espetáculo” e não me defendeu), tinha ligado e me acusou de ter saído do restaurante avisar. Exigiu que eu pedisse desculpas. Que a minha conduta foi inadequada. Ainda tive que engolir mais essa. Pedir desculpas por não continuar sendo humilhada não é fraco não, meu amigo. Tem situações que a gente passa que até parece saída de novela. mas o drama foi real. Demorou, mas foi superado. Beijos pra vc e pras meninas do Mulherão.

    P.S.:Saudades de ler e comentar aqui

  • Vanessa Souza

    “O tempo realiza prodígios. Constrói pontes onde havia abismo. Cria escudos onde havia ferida. Faz de simples maquetes as paisagens mais imponentes: depende apenas da competência do engenheiro responsável pelo projeto.”

    Simplesmente perfeito… e cabe bem no momento que tô vivendo. Sei q vou conseguir construir novos castelos e seguir em frente. Apesar de não ter sofrido uma desilusão amorosa e sim uma decepcção com uma amiga… acho q dói até mais… :/

    Você é especial Edu. Parabéns pelo texto.

    beijoss

    Nêssa 🙂

  • maria elizabeth lapenna riscalla

    muito lindo mesmo, ja enfrentei varias quedas, mas sempre conseguindo me levantar, e aprendi que realmente eu sou minha propria engenheira e arquiteta de minha vida, mesmo assim, as vezes balanço, mas não caio, e começo de novo, de novo, de novo, e é muito gratificante pois a cada tombo aprendemos alguma coisa, bjs em seus corações

  • Monique Laureano

    Nossa moço! estou tão orgulhosa de vc … que lindo!!! adorei o texto e sabe serviu para me inspirar um pouco mas.
    De agora em diante virei arquiteta rs
    bjus moço! o autógrafo pego depois ok??? vou quardar para quando ficar mas famoso ainda vender no mercado livre huahaua
    bjus.

  • Meu doce e misterioso Edu, eu refleti rapidamente sobre seu valioso texto…
    A glória de sobreviver a tantas transformações nos faz fortes a cada instante, e p mim tudo que me leva à viver mergulhando nas minhas reais emoções vale à pena… ( pois como já dizia o autor ) quando a alma não é pequena ! Casei com a Alegria de Viver e passei a Reconstruir um namoro comigo mesma a cada etapa de minha Vida. Welcome to my way of life ! Bjs

  • andreza

    preciso de ajuda e hoje visitanto o blog pela primeira vez, apareceu uma luz no meu caminho

    • Edu Soares

      Bom saber que a “luz” apareceu num momento de transtornos, Andreza.
      Estamos aqui para ajudá-la no que for preciso.
      Beijos.