27 de setembro de 2011 11:05 comportamento

Quero mas não posso. Ou será que posso?

Por Edu Soares 

Caso ou compro uma bicicleta?

Bem, minha história começou há sei s anos, quando começamos a namorar. No começo, como todos os relacionamentos, tudo era lindo, “perfeito”. Apesar de tudo lindo, ele (meu noivo) sempre dizia que não queria casar, pois não se via nessa situação e nunca havia sentido vontade de tal compromisso.Hoje penso que deveria ter largado dele naquela época, mas como amava muito, e como ele sempre foi muito carinhoso, atencioso e tantos “osos”, continuei imaginando que um dia a história poderia mudar. Passado todo esse tempo, ele quis noivar, compramos um imóvel, e estamos “caminhando”…

Mas depois desse tempo razoável de namoro, sinto que esfriamos. Tem vezes que passamos uma semana longe um do outro. Não tenho mais certeza se quero casar, nem ao menos se o amo. Pois quando o olho não sinto o mesmo amor. Não sei se é fase normal que desgasta o relacionamento, ou algo assim. Sei que me sinto muito confusa, porque também sei que ele é um homem pra casar. E nesse tempo que começamos a esfriar, outra pessoa apareceu, e o que estava na média, piorou. Não tenho o que reclamar dele, não brigamos, ele nunca foi baladeiro, mulherengo ou coisa assim. Porém creio que não dá pra casar sem amor, e sinto que para ter certeza de que o amo ou não devemos ficar longe.

Mas tenho medo de terminar e descobrir que ele sim é o homem da minha vida…”

A dona do relato acima é Tamires, tem 30 anos, trabalha no ramo comercial, mora na grande São Paulo e como ficou claro, sofre de um dilema relativamente comum para diversos casais: a sequela de algo mal resolvido no passado.

De certa forma, seu desabafo me fez lembrar o recente filme Sem Limites, uma das películas mais interessantes dos últimos anos e, disparado o segundo melhor longa de Robert De Niro (na minha opinião perde apenas para o non-sense Machete) nos últimos dez anos de escolhas capengas do ator americano. Sinopse: escritor com imaginação em curto circuito não consegue obter qualquer tipo de ideia para compor um livro que já deveria estar nas mãos de sua editora. Como resultado, a cachaça torna-se amiga inseparável e sua quitinete beira o intransitável (sem contar que a namorada o abandona). Fadado ao fracasso, ele encontra um sujeito que lhe apresenta um comprimido chamado NZT. A droga permite que qualquer pessoa utilize 100% de sua capacidade cerebral (lembrando que alguns estudiosos afirmam que usamos apenas 10% do nosso intelecto). O então sujeito incompetente dá lugar a um gênio. Ele se lembra de tudo que viu e ouviu desde os tempos de infância, aprende mandarim e italiano em poucos minutos, transforma-se no grande nome do ramo de investimentos. Ou seja, é a perfeição em pessoa, do tipo que faz tudo melhor do que os outros, sem direito a erros. Se é verdade que a arte imita a vida, quantas doses da tal NZT você gostaria de tomar para acertar sempre nas suas decisões?

Até onde sabemos, a (cada vez mais avançada) medicina ainda não lançou no mercado qualquer tipo de droga que tonifique por completo nosso poder cerebral.  Mesmo assim, tenho certeza que alguns pensaram da seguinte forma: mulherzinha indecisa, viu! Fala que gosta mas quer acabar com o noivado! Essa merece um cara que a maltrate só para ela pagar os pecados!

Ou temos uma grande quantidade não descoberta de gênios perambulando entre nós ou o maldito pré-julgamento fala mais alto. E assim como aconteceu com Tamires, em algum momento da vida paramos para pensar da seguinte forma: continuei imaginando que um dia a história poderia mudar.

Qualquer escolha feita é um passo exclusivamente seu. Agora, o que pode te levar para determinado caminho é o conjunto de fatores acerca do momento vivido, seja no presente ou passado. Tamires tem medo (tempo presente) de dar o passo adiante (futuro) justamente por causa do pensamento indeciso do noivo no passado (como ela frisou: ele sempre dizia que não queria casar, pois não se via nessa situação e nunca havia sentido vontade de tal compromisso). Ter ficado com o cara mesmo sem qualquer tipo de perspectiva foi um erro? Talvez. Mas quem garante que o próximo namorado não iria ter o mesmo pensamento do atual? Aí entrou a velha teoria do “melhor deixar como está, afinal de contas não vou trocar o (in)certo pelo duvidoso”. E o tempo foi passando, passando, passando…

Inevitavelmente tudo aquilo que deixamos para trás (a contragosto) em algum momento da vida voltará a caminhar do nosso lado, como uma sombra que não some enquanto algo acontecer.  Anos depois da situação não/mal resolvida, Tamires teima em relutar mas sente que agora é a hora de mudar. O estoque de “melhor deixar como está” transforma-se aos poucos em “como seria se fosse de outra forma?”. Sendo assim, as outras opções jamais despertariam sua confiança/atenção em tempos passados começam a ganhar força. O conceito de “quero mas não posso ou será que posso?” surge a cada investida de quem nada tem a ver com isso (palavras dela: E nesse tempo que começamos a esfriar, outra pessoa apareceu, e o que estava na média, piorou).  A frase “O QUE FAÇO AGORA?” surge piscando em letras garrafais na sua frente. O tamanho e a luminosidade quase cegante do questionamento incomoda demais. Será que os tais 90% de inteligência adormecida seriam capazes de mostrar o melhor caminho a seguir percorrido? É apenas questão de inteligência (razão)? E o coração, onde entra na questão?Ou ele é apenas um musculo bombeador de sangue isento de influenciar nas escolhas?

Tamires tem como único “NZT personalizado” o estoque continuo de maturidade, onde residem seus questionamentos, discernimentos e escolhas. No filme, o protagonista começa a ter problemas quando a droga NZT acaba. Tomara que não aconteça na vida real.

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