13 de novembro de 2011 00:48

Por Renata Poskus Vaz

Quando foi exibida em 1992,  a novela de De Corpo e Alma trazia, em um de seus núcleos, o Clube das Mulheres. Na época, eu era uma garotinha com pouco mais de 10 anos e via naqueles homens musculosos e rebolativos apenas sujeitos engraçados e com sunguinhas de super-man.

Após quase 20 anos, resolvi conhecer o Clube das Mulheres. Fui com minha amiga Keka Demétrio e com uma amiga dela lá de Ituitaba.

Combinamos tudo por telefone. Eu, como sempre, estava atrasada. Peguei um táxi e pedi ao motorista para que me levasse na Rua Henrique Schauman, 517, em Pinheiros. Ok, mas tenho o dom de atrair taxistas carentes que forçam uma conversa a todo custo. E lá se colocou o adorável e falante velinho a me perguntar para onde eu estava indo. “Ao Clube das Mulheres”, respondi. Acho que não preciso nem mencionar, que os olhos azuis do quase setentão se arregalaram. Mas não parou por aí. Lá vieram mais perguntas, como por exemplo se eu já havia ido lá, se era um lugar legal, que tipo de mulheres freqüentavam aquele lugar e se os homens tiravam realmente tudo. Limitei-me a responder: “Só estou aqui por que minha amiga de Ituitaba insistiu muito. O senhor sabe como são essas mulheres mineiras do interior, né?” …. hahahaha… Sacanagem! Na verdade eu estava louca para conhecer o lugar imortalizado no imaginário das mulheres, embora ainda achasse muito bizarro homens bombados sacolejando o pandeiro como a Carla Perez.

Quando subi as escadarias da casa noturna, em meio à escuridão, senti um cheiro horrível de mofo. E eu que sou alérgica, logo senti meu nariz coçando e a garganta arranhando. O local estava vazio e não havia música. Perguntei pela Keka e o recepcionista me disse que ela me aguardava em uma mesa à direita do palco, bem ao fundo. Chegando lá, vi minha amiga toda elegante, bebericando uma… Água. Lá dentro, a visão do inferno. Um grande tapete mofado vermelho forrava uma passarela. As cadeiras e mesas eram daquelas de boteco, de metal. Nada ornando com nada. Confesso que esperava mais glamour daquele lugar, afinal, a entrada custava 40 reais, isso sem contar a locação da mesa e o preço exorbitante pelas bebidas servidas em copos de plástico.

Minha gêmea boa, Keka Demétrio, e eu

Então, decepcionada, falei: “Keka, vamos embora daqui, vamos para o Villa Country, é bem mais barato, o lugar é bonito e lá não me dá asma”. Nos levantamos e percebemos o quanto estávamos sendo egoístas com Mariana, amiga de Keka, que morria de curiosidade de ver aquele lugar fedido e ao mesmo tempo tentador em funcionamento. Então, voltamos e esperamos o show começar. Eu, sinceramente, estava achando aquilo tudo muito bizarro. Achava o level 10 da boiolice ver homens musculosos rebolando.

Eis que entra no palco um dos proprietários da casa e apresentador do Clube das Mulheres, o Manzano, e anuncia o início do show. Antes, ele fez algumas brincadeiras com as noivinhas que estavam lá na platéia. Sim, mulheres prestes a se casar visitam o Clube para a despedida de solteira. Usam tiaras com veuzinhos de noiva, todas fofas (ao menos na aparência), e se sentam em mesas na frente do palco e na lateral de uma passarela, por onde os rapazes desfilam, dançam e exibem seus corpinhos sarados.

Acontecem cerca de 9 a 10 apresentações na noite (confesso que perdi a conta). Cada dançarino encarna um personagem diferente que atiça o imaginário feminino. Primeiro o médico. O rapaz não deveria ter nem uns 20 anos, ou seja, a não ser que ele fosse um berd super dotado de inteligência e com tempo livre para malhar sem parar, como seria médico? Ok, vamos deixar toda essa análise racional de lado e ver o que o rapaz fez no palco:

Prestem atenção no local em que o médico posicionou o estetoscópio

Vendo a foto acima pergunto a vocês, carsa leitoras: “se o seu marido fosse em um centro de lazer masculino noturno e colocasse o estetoscópio dele na direção da perseguida de qualquer mulher por aí, vocês aceitariam? E se eles vissem a cena abaixo, acha que seus cônjuges, noivos, namorados, achariam algo leve, perdoável?

No coments

Após a apresentação do médico precoce, chegou a vez do Bombeiro. Mas aquela história de que bombeiro apaga o fogo é tudo mentira. As mulheres ficaram ensandecidas e, após ficar só de sunguinha e pular para o abraço, o coitado do apagador de fogo foi todo bolinado. Sim, porque a mulherada não perdoava. E lá vale tudo, menos passar a mão no “dito cujo” dos rapazes. As mais abusadas eram, sem dúvida, as noivinhas. Que lascavam a mão sem dó nos rapazes. Fiquei imaginando que seus noivos devem ignorar completamente o teor das apresentações do Clube das Mulheres.

O bombeiro e as fogosas

Legal mesmo foi quando entrou no palco o SWAT, um rapaz vestido de policial de operações especiais, todo de preto, óculos e escuros e etc. Não vou colocar a foto dele fantasiado aqui pois sei que o que vocês querem mesmo é ver o rapaz de sunguinha então lá vai:

Sabe de uma coisa? Eu que achava tudo muito bizarro, gostei pacas de assistir as apresentações. Fiquei pensando que nossas crises existenciais e de TPMs seriam muito mais brandas se nossos namorados, noivos, maridos, rolos etc, aplicassem em nossos relacionamentos 0,1% do que esses rapazes encenaram no Clube das Mulheres. Sabe aquela coisa de flertar, seduzir com os olhos, tocar, acariciar, dançar de corpos colados etc? Que muitos abandonam após os primeiros anos de namoro? Pois bem, foi o que os rapazes do Clube das Mulheres fizeram com as noivinhas safadinhas e suas acompanhantes.

Agora, meninas, imaginem ter à sua disposição um “Toninho da manutenção” como esse abaixo:

Meus personagens prediletos foram o Cowboy (lembram-se que eu queria ir ao Villa Contry antes de começar ao show?), com sua calça de montaria mega-super-hiper-ultra apertada…

… e o Gladiador, com seus quase 2 metros de altura:

Se eu pudesse dar uma dica às leitoras sobre ir ou não ao Clube das Mulheres, eu diria que talvez. É divertido e diferente e você não precisa subir ao palco ou permitir que qualquer dos dançarinos se aproximem de você com seus corpos lindos, cheirosos e musculosos. Agora, pense bem no que fará lá. Da mesma forma que você não gostaria que seu amor se esfregasse em uma stripper, não deveria ir no Clube das Mulheres que, aos olhos de outros parece inocente, mas eu bem vi que lá o negócio é mais quente do que se pensava.

Um abraço!