1 de março de 2012 06:25 comportamento

Notaram como tem gente?

Por Eduardo Soares

Notaram como tem gente que se transforma (para pior) quando determinada religião/doutrina é abraçada com fervor? Tal mudança negativa soa como paradoxo, afinal de contas em tese a conversão sugere uma (inédita) vida harmoniosa e, por isso, feliz. Certamente você deve conhecer vários casos onde a pessoa era feliz e alegre antes do batismo mas, sabe-se lá o que aconteceu no meio do caminho, a mesma figura torna-se reclusa depois da “nova vida”. A questão não é a escolha feita, qualquer um de nós pode simpatizar com a religião que achar melhor.  Tem gente até que não frequenta igreja e mesmo assim acredita verdadeiramente em Deus mais do que muito religioso “repetidor de Amém”  por aí. Como disse antes, a questão não envolve a escolha e sim o fanatismo. Tem coisa mais insana que as famigeradas Guerras Santas? Tem coisa mais estúpida do que o sujeito bomba-humana que sacrifica sua vida (e de vários que nada tem a ver com a situação) em nome das quarentas virgens no céu?

Será que essa gente não percebe que Deus não usa uma camisa branca de seda com a expressão “I LOVE FANATISMO” em letras garrafais?

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Notaram como tem gente que consegue ser mais falsa que a risada da Val Marchiori (cultura inútil: o melhor programa de humor escrachado do momento é o tal Mulheres Ricas)? Ao conversar com uma amiga de trabalho recém demitida, ficou nítido o jogo de cena que algum fazem para manter uma possível imagem de “pode confiar em mim, sempre estarei do seu lado”. A amiga em questão estava ausente do trabalho desde novembro passado e por isso sua demissão era certa (tão certa que foi alvo de um papo nosso ocorrido em dezembro). Ao retornar para o trabalho na semana passada, eis que a moça ouviu isso: Menina! Que surpresa te ver por aqui!! Como você está linda!!

Falsidade n° 1: não, ela não está linda pois acabou de sair do hospital onde ficou internada por duas semanas, entre a vida e a morte. Nem a beleza irretocável da Carla Gugino ou Drew Barrymore resistiria a um longo processo de recuperação pós-hospitalar;

 Falsidade n° 2: a frase dita beira o absurdo ainda mais quando vem da chefe de DP/RH. Pombas, “que surpresa te ver por aqui” foi dito pela pessoa que digitou o aviso prévio!

Dissimulação é uma das maiores doenças do nosso ego. Para concluir, a chefe desavisada ainda queria ganhar um abraço da demitida. Judas atualizado é assim: trocou o beijo no rosto por outros gestos.

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Notaram como tem gente desconfiada desde o nascimento? Esse tipo procura provas/certezas o tempo todo. Mas o que eles fariam se encontrassem?

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Notaram como tem gente que vive a rasgar elogios para você, 24 horas por dia, sete dias na semana? Sinceramente, esse paparico moral em excesso te faz bem? Você nunca estranha isso?

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Notaram como tem gente que confunde persistência com insistência? Aliás, esse será o tema exclusivo das nossas prosas futuras.

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Notaram como tem uma cambada de ricaços em depressão enquanto o sujeito da periferia vive a sorrir com o pouco que tem? Confesso que não entendo ambos: se o dinheiro facilita a vida, como pode a madame/grã-fino torrar a grana no psiquiatra por causa de “vazios da alma”? Em contrapartida, de onde vem (e pra onde vai) tanta felicidade suburbana?

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Notaram como tem gente que usa pesos e medidas diferentes? O coroa setentão a desfilar com a mulher de vinte e poucos é visto como velho safado, inseguro, isento de auto-afirmação (falamos sobre isso no post da semana passada). Por qual motivo raramente/ou não usamos a mesma definição quando vemos a senhora de 60 a namorar o estudante de vinte? Observem que a diferença de idade nos casos citados é a mesma (quarenta anos), mesmo assim o olhar crítico da maioria muda de acordo com o sexo do alvo. Temos exemplos de dois famosos solteirões convictos: por que criticamos as escolhas sentimentais etárias de um Antônio Fagundes da vida e aplaudimos a “iniciativa” da Marília Gabriela ao assumir seus bebês-namorados-bibelôs? Será que o ator e a apresentadora estariam à procura da tal auto-afirmação camuflada através das escolhas sentimentais,que nada mais seriam que distintos gestos de auto-ilusão quanto a velhice inadiável que caminha a passos lentos para todos nós, famosos ou não? Tradução: estou ficando velho(a), preciso disfarçar, fingir que os anos não estão passando! Hmmm…já sei! Tem coisa melhor que namorar com metade da minha idade?

Já diria Zélia Duncan: é difícil conjugar a vida…

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