8 de março de 2012 08:43

Por Eduardo Soares

Tem gente que consegue emplacar um longo relacionamento iniciado durante a adolescência mas convenhamos que essas pessoas são felizardas e raras, por isso poucos otimistas natos aconselham uma pessoa com menos de 20 anos a assumir um relacionamento que não seja o namoro. Denise tem 22 anos mas apesar da pouca idade já passou por um noivado de dois anos e um casamento de cinco, cada um com homens diferentes. Não é preciso ser expert em matemática ou psicologia para deduzir que ela iniciou sua vida sentimental (repleta de alegrias e aporrinhações) cedo demais, o que não garante necessariamente um amadurecimento precoce, pelo contrário. Prova disso é que atualmente (três meses depois do divórcio) ela está confusa até o último fio de cabelo.

Bom, quem sou eu pra guia da vida amorosa de alguém, longe disso (fosse fácil assim minha estrada sentimental estaria satisfatoriamente pavimentada). Mesmo assim não escondo o que penso e dou meus pitacos sem jamais assumir o papel de Senhor da Verdade ou Imperador da Razão. Durante um almoço recente, disse a ela que depois da maratona olímpica que seu coração passou (iniciada ao assumir um noivado aos -inacreditáveis- 15 anos), EU optaria pelo descanso. Sabe, na minha cabeça a fase pós-término sugere repouso, momento propício pra fazer o coração respirar livre e desimpedido, isento de cobranças que um relacionamento sério porventura venha a ter. Noiva aos quinze anos, leitora querida!! É muita coisa responsabilidade (desnecessária) para tão pouco tempo de vida! Sei lá, acho que têm pessoas que padecem da Síndrome da Solidão. Ou será que acostumei a viver só?

Pois bem, pois mais louco que possa parecer, como foi dito no inicio do texto hoje ela está confusa (ou nas palavras da moça: perdidamente apaixonada). Leve ao pé da letra a parte do “perdidamente” já que Denise alterna momentos de euforia com outros pautados pelo medo. Explica-se:

Euforia pelo re-re-re-re-re-re-reaquecimento do músculo que bombeia sangue e sentimentos proporcionada por um (de novo, palavras dela) simpático admirador. Analisando friamente, até que dá pra entender o entusiasmo, afinal quem não gosta de ser alvo de elogios rasgados, aparentemente sinceros?

O medo reside justamente nas experiências desastrosas obtidas ao longo dos primeiros e únicos relacionamentos. Afinal de contas, quem garante que o affair atual não terá o mesmo fim que os outros dois? Analisando friamente, até que dá pra entender o receio, afinal de contas e se for apenas fogo de palha por parte do cara, sabedor do momento carente da nossa amiga?

Adianta convencer o gato angorá que ele não é tigre siberiano? Como não dá pra transformar teimosia em calmaria, disse a ela: já que é assim, entregue-se em slow motion, sem afobação, e procure ser feliz à sua maneira anti-solitária de ser. A irritante resposta veio com um “ah, não sei o que fazer da vida! Estou tão feliz com as palavras dele mas tenho tanto medo de passar por tudo e novo. No fundo, ele tem cara de safado”.

Com base na santa paciência de Jó misturada ao humor do Dr. House, pensei com meus botões: o que Denise quer/espera da vida? Quando você cede (leia-se dar corda, abrir precedente) aos galanteios seja de quem for, arque com a escolha feita!  Ficar nesse cabo-de-guerra entre medo e euforia torna as coisas mais complicadas. Indecisão? Sem chance. Não dá pra descer da montanha russa quando ela está prestes a dar o primeiro looping. Motorista que tem medo de bater deixa o carro na garagem! Vivemos sob o efeito do “e agora?” e deixamos de viver o agora. Se você optou por determinado caminho, vá até o fim ou até o momento em que a escolha for benéfica. Do contrário, use aquele ditado: persistir é burrice.

Ao tomar uma decisão, você analisa o preço da escolha –acatada e recusada – e só. Não dá pra prever o risco daquilo que ainda não aconteceu. Em suma: acredito ser impossível calcular hipóteses, probabilidades, razões, paralelas e perpendiculares do amanhã.

Fosse assim, fosse a vida uma previsível estrada reta, sem atalhos ou desvios no meio do caminho, e caso quiséssemos saber a prévia de determinado risco, bastaria utilizarmos a equação ax + by + c = 0 e todos ospossíveis medos seriam sanados.

Arriscar está longe de ser uma ciência exata.