20 de março de 2012 07:33 comportamento

Patroa

Por Eduardo Soares

É ela
Que se joga no chão enquanto chove
Canta qualquer coisa para me encantar de qualquer jeito
E depois, cheia de dengo (em doses tímidas)
Usa e abusa daquele cenário sensual
Me convida pra deitar do seu lado, no barro molhado
Avessa ao modismo, vem com aquele sorriso lindo
E me beija sem pressa debaixo do temporal

É ela
Que faz do meu peito seu travesseiro
Enrosca suas pernas no meu corpo
Como quem diz “bom dia, fica mais um pouco”
E eu que não sou louco
Nunca irei recusar essa travessura

É ela
Que manda lá em casa
Que dita as ordens do jogo
Que alimenta meu fogo
Que aumenta meu amor de novo
Dia após dia
Poesia após poesia
Melodia após melodia
Entre teimosias e ousadias
Entre manhas e manias
A cada futura nostalgia
Nas antigas fotografias
Nas noites de boemia
No silêncio da calmaria
Nas palavras de sabedoria
Na contínua caligrafia
Pertencentes às páginas de ficção e fantasia
Da minha biografia

É ela
Quem leva a bossa
Sou eu
Quem lava a louça
Sou eu
Quem faz a janta no domingo
É ela
Que acaricia a barriga
E carece ter três filhas comigo

É ela
Que dá gargalhada deliciosa
Que tem a pele cheirosa
Que adora ser chamada de charmosa
Que chora ao ganhar uma rosa
Que da vida goza
(E goza no meu ouvido)
Que me considera um abrigo
Que me descobre tímido ou atrevido
Que tem um querer quase abusivo
Que resgatou meu sentimento foragido
Que prendeu meu instinto bandido
É ela
A quem chamo de patroa
E ela
Me chama de marido.

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