10 de abril de 2012 08:23 comportamento

Estou apaix….por você

Por Eduardo Soares

Raramente proseamos a respeito de algo que obrigatoriamente antecede o amor: a paixão. Tem gente que menospreza o assunto, outros supervalorizam, mas inegavelmente nosso amigo coadjuvante também é figura presente em nossas vidas. O curioso é que a associação “paixão” + “masculina” não é tão comum assim. Afinal, essa comunhão de palavras/sentimentos existe na vida real?

Sim, nós, barbados, marmanjos, seres aparentemente desprovidos de sentimentos também alimentamos vários tipos de paixões: tem sujeito apaixonado por Ferrari; outros pelo time do coração; uns por esportes radicais; alguns por bandas; tem até marmanjo apaixonado por desenhos animados. Convenhamos que tais apreços existem em ambos os sexos e por isso vamos dispensar tais “paixões secundárias” para focarmos no inexplicável. Dá para entender porque raios o cara tem medo de assumir que está apaixonado?

A incerteza soa como refúgio sentimental. Fora isso, tem a turma defensora do tal advento da dúvida. Ou seja, defensores e argumentos não faltam. Entretanto, falta eficiência suficiente para manter tais teorias como itens fundamentais em qualquer tipo de relacionamento.  Ora essa, que garantia a mulher tem de que não será sacaneada quando está apaixonada? Nenhuma! E mesmo assim ela dá à cara a tapa para ver em que aquilo vai dar. Nós da ala masculina fazemos isso? Raramente. Motivo: m-e-d-o.

Homem tem mania de superioridade e isso vem desde a época primitiva. Deixar transparecer qualquer tipo de sensação boa vinda do coração nunca foi nosso forte. “Ela que demonstre/chore/declare/sofra”, pensam alguns. Lembrei de trechos de uma canção do Frejat: “Homem não chora nem por dor, nem por amor/E antes que eu esqueça/Nunca me passou pela cabeça lhe pedir perdão(…)Meu rosto vermelho molhado/É só dos olhos pra fora/Todo mundo sabe que homem não chora(…)Homem não chora por ter/Nem por perder… ”  

Raros são os casos onde o sujeito é/está desprovido de tal medo. Para isso, é necessário ter uma autoconfiança satisfatória. Imagine se todo mundo tivesse medo de receber um “não”, quem iria arriscar? Melhor, pra quê correr tal risco? Seríamos reféns dos nossos medos, prisioneiros das possíveis respostas contrárias àquelas que gostaríamos de ouvir.

Mas estamos analisando apenas um lado da moeda. Tenho uma amiga que costuma tocar na ferida quando o assunto envolve questões sentimentais. Ela consegue localizar causa e conseqüência com facilidade impressionante. Qual é a causa em questão? Palavras dela – A verdade é que hoje os homens têm medo dessas mulheres que não querem nada com a hora do Brasil. Enquanto algumas buscam apenas curtição, certos homens procuram compromisso com o intuito básico: achar uma pessoa bacana pra formar uma vida juntos. Esse papo de que todo homem é safado não está tão atual, pois determinadas  mulheres também não ficam atrás…às vezes elas são piores.   E qual é a conseqüência disso? O medo trocou de sexo. Hoje, ele também está na cabeça dos homens, coisa inimaginável num passado não muito distante. Além disso, vocês levam vantagem no assunto “amor próprio pós pé na bunda”. Afinal, a mulher sofre por curta temporada. Chora, desacredita, canaliza o pensamento no canalha mas depois passa. Nada como alguns encontros divertidos com aquelas amigas sempre dispostas a ajudarem a dona do pé na fossa. O homem acumula o sofrimento e usa o silêncio para manter a pose. Sofremos calados. Orgulho puro que leva ao alcoolismo, depressão e atitudes inconseqüentes (agressões físicas ou crimes passionais estão inclusas nesses atos impulsivos).

Mulher tem medo (de sofrer, arriscar, se apaixonar) mas mete o peito no vento e paga pra ver. Homem tem medo e se retrai, mete a cara na janela para tentar ver aquilo que nem sempre está no alcance visual. Logo nós, historicamente corajosos, guerreiros, desbravadores, audaciosos, ousados, valentes. Enfrentamos centenas em guerras épicas mas tememos expor nossos sentimentos para a mulher amada, como se isso fosse exposição de uma fraqueza.

Homem tem medo de perder o controle. Optamos por deixar a companheira dormir cheia de dúvidas, negamos a ela o doce som da verdade. Preferimos alimentar o machismo burro (como é o feminismo ou qualquer tipo de radicalismo) do que alimentar a harmonia do casal. Deve ser mais prazeroso para alguns falar “te odeio”, “você não é nada pra mim”, “quem manda sou eu”, “cale sua boca”ou “fica na sua” na hora da briga do que soltar um “estou apaixonado por você” no momento de carinho. Declaração essa sem neuras, receios e complexos. Declaração portadora de sentimentos verbalizados.

Sem a melosidade excessiva de quem erra a mão na forma de demonstrar sentimento (e isso independe de sexo), precisamos (ala masculina) soltar/dizer aquilo que está preso injustificadamente.  Ou você prefere “abrir o coração” quando for tarde demais? Saiba que, por mais sincero que venha a ser, tal declaração tardia soa como canalhice. Ou covardia.

Estou para conhecer idosos solitários e felizes. Conheço sim, vários idosos ranzinzas e (na maioria dos casos) solitários.  Tem gente deixou escapar várias pessoas ao longo da vida devido ao silêncio. Vai ver eles preferem levar para o caixão várias declarações não ditas e que ficaram perdidas no tempo e nos corações daqueles que pediram mas nunca as tiveram.

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