26 de abril de 2012 08:53

Por Eduardo Soares

Com o passar dos anos a vida nos oferece vários tipos de dores. Grande parte delas constrói nosso constante e eterno aprendizado. Em outras palavras: cedo ou tarde, inevitavelmente,  iremos nos confrontar com alguns dos inúmeros tipos de dores existentes pelos quatro cantos do mundo. Azar, desgraça, maldição? Longe disso. Não pense que o Sr. Destino (caso você acredite nele) sorteou seu nome numa chuvosa tarde de Outono, presenteando sua vida com um poderoso arsenal das agruras da vida. Independente do motivo, a dor da saudade que você sente tem em sua composição a mesma essência da saudade sentida por um australiano, vietnamita, ucraniano, húngaro, islandês, marroquino, canadense, seja lá pelo que/por quem for.

Dizem que a dor maior seria aquela na qual os pais enterram seus filhos, pois eles sofrem o oposto da ordem natural da vida. Impossível não citar a dor da derrota, dor do fracasso, dor da escolha, dor do silêncio (às vezes é preciso guardar as palavras para evitar confrontos), dor do arrependimento.

Para muitos a dor de fome pode gerar a dor pela falta de fé.Ainda assim, existe a espera e a esperança. Mas a escassez de alimento continua e os constantes pedidos também. Surge então a dor pela oração “não ouvida”. Acredite, ela será atendida no momento certo.

Dor da indignação/dor do “sim” ou do “não”/dor da permissão (quando discordamos mas somos forçados a fazer em prol de algo)/dor da omissão (permanecemos covardemente inertes durante um tempo e quando pensamos em agir, é tarde demais)/dor da decepção/dor da traição/dor daquilo que foi dito/dor daquilo que não pode ser desfeito/alguns sentem a dor pelo campeonato perdido/outros dão adeus à dor da aposta furada/Fácil sentir a dor do emprego perdido/difícil absorver a dor da humilhação (que surge em tom de piada).

Dor de barriga, que faz qualquer um ganhar status de rei e rainha, já que o “trono” é nossa única companhia; nossas preces são despertas visando o cessar da dor dos sisos; a dor do parto traz choro e alegria; dor intensa que aperta o peito nos instantes finais; dor que asfixia mesmo quando o ar que nos envolve não resolve; dor que limita movimentos de quem vivia sem limites.

Dor da lembrança que não será repetida, dor das lembranças que somem aos poucos da memória (quando a pessoa envelhece e percebe que dali a alguns meses não terá lucidez suficiente para contar suas histórias).

Dor do desapego/Dor do descaso/Dor da falência/Dor do despejo/Dor da mágoa/Dor do medo/Dor muita/Dor pouca/Dor para quem ainda tem muito a sofrer/Dor pelo pouco que ainda resta/Tem quem faça uso de uma dor fingida ou futilmente intensificada/Tem que sinta a dor da consequência pela inconsequência cometida.

Sexo causa dor. Dor pela primeira vez iniciada (com prazer) através do sangue ou a dor da transa forçada/não pensada, finalizada (com pesar) através do feto no lixo.

Citei algumas mas certamente existem outras dezenas de dores. Ah, se possível desconsidere a dor de amor. Mas, caso algum dia você venha a tê-la, troque de coração. Melhor, troque de hóspede. Ninguém que mora no aconchego do seu peito tem o direito de arruinar o maior/melhor dos sentimentos. Se a pessoa quiser vandalizar o carinho, que seja em outro lugar, de preferência com alguém que ele(a) mereça para fazer valer o velho clichê do “aqui se faz, aqui se paga”.  Nesse caso, o correto seria “aquele(a) que com um(a) fez, com dez pagará”.

Não se trata de vingança. É aprendizado, crescimento. Amadurecimento tardio ou imaturidade eterna. Ação e reação. Atos e consequências. Quem aprende, ganha. Que erra, paga.

É a lei da vida.