15 de Maio de 2012 19:42

Por Edu Soares

Costumo dizer que o homem erra a mão no que diz respeito à demonstração dos sentimentos. Isso quando demonstramos algo. Vale a pena lembrar que (pelo menos no Brasil, não sei se é alguma tendência mundial ou intergaláctica) qualquer garoto cresce tendo em mente que o homem não pode, em hipótese alguma, deixar transparecer qualquer tipo de sentimento (principalmente se for algo bom, como o amor) pois “isso é coisa de mulher”. Amor só de mãe, dizem alguns. Ok, posso até concordar com tal afirmação. Mas isso não quer dizer que nenhuma outra mulher existente no Sistema Solar não tenha a capacidade de me amar (e por consequência ganhar minhas sinceras palavras amorosas)! Ou não?

A verdade é que (e por mais que os textos mostrem o contrário), nunca fui perito em expor qualquer tipo de sentimentos [confidência nº 1]. Quando olho para trás, tenho pena das duas primeiras namoradas. Ambas, pessoas completamente diferentes, combinavam nas reclamações quanto às minhas raras declarações. O engraçado é que nunca fui frio (atos), sempre gostei de fazer surpresas, esconder textos em guarda roupas, pegar no colo no meio da rua, mandar flores em datas não comemorativas, enfim, acho que compensei a ausência das palavras com gestos explícitos de carinho [confidência nº 2]. Contudo, na minha cabeça sempre complexa, agradar de alguma forma não verbalizada era o bastante para dizer “ei, gosto muito de você, estou feliz do seu lado”.

Conto nos dedos as vezes em que disse “Eu te amo” [confidência nº 3] nesses 33 anos de carreira. E até hoje tenho duas sensações quanto a isso: 1 – ter dito tal frase nos momentos errados e para as mulheres erradas; 2 – não dizer (por algum motivo qualquer) para quem merecia realmente ouvir.

Honestamente, talvez fizesse tudo da mesma forma novamente. Melhor, repetiria 90% desse “tudo”. Os 10% restantes seriam dedicados para quem não conseguiu entrar na minha vida única e exclusivamente por minha causa [confidência nº 4]. Nesses casos, fechei as portas sem ao menos saber se a não-tentativa era o melhor dos caminhos. Coloquei o cadeado e joguei a chave sem pensar na possibilidade do acerto. Vi apenas (possíveis) erros. Vacilei por achar que eu era um exímio vidente (e estes também erram) ou dono exclusivo da verdade. Emburreci minha razão e empobreci o resto da emoção que ainda havia dentro do coração silencioso.

Hoje [confidência nº 5], começo a aceitar as consequências das oportunidades perdidas. Sabe, quando você se acostuma com determinada situação depois de algum tempo, fica praticamente impossível mudar o panorama. Conheço várias pessoas que depois de determinada idade simplesmente abdicaram do sonho da vida a dois, adotando então a filosofia do “antes só do que mal acompanhado”. Essa gente é feliz? Podemos dizer que, dentro do possível, sim. Essa gente é 100% feliz? Seguramente não. Mas, numa boa, quem consegue ser feliz por completo? Uns têm apenas dinheiro. Falta-lhes o amor. Outros apenas têm amor. Falta-lhes algo mais.

Lembram da teoria preconceituosa do primeiro parágrafo e do cara não declarante no resto do texto? Esqueçam tudo. O diálogo a seguir aconteceu poucos minutos atrás e foi o responsável pela criação desse post.

Tô precisando dar carinho, dormir abraçado, essas coisas… (será que perco uma porcentagem considerável de testosterona ao assumir isso?)

Você é muito durão.

Você me conhece, sabe q isso é fachada. Meu coração é mole até demais.

– Sei bem…mas ultimamente você anda muito durão…

O “sei bem” saiu da boca de quem namorou comigo dois anos atrás. E ela não está errada. Com isso, acho que a confidência número 05 toma conta de mim lentamente. Talvez seja melhor assim. Carência/solidão é feito maré: Ora está em alta, mas depois baixa o nível. Imediatamente surgiu uma canção pop grudenta na mente: Could you show me what love is about?/No clue, no key, just a scent of a doubt (Você poderia me mostrar o que o amor se trata? Nenhum indício, nenhuma chave, apenas um perfume de uma dúvida).

É bem por aí. Com medo das tais dúvidas, optei pelo achismo. E gradativamente (sem perceber, mas já percebendo) faço do conformismo solitário meu aconchego ideal.

E por favor, não fiquem com dó (pulverizo comentários do tipo “ooohhhh, tadinhooooo!” ou “um dia você vai encontrar a pessoa certa”). Notem que em momento algum eu disse estar arrependido das coisas que fiz ou deixei de fazer. Pago o preço das escolhas feitas e abdicadas. Viver só está longe de ser o pior dos castigos impostos pela vida. Triste daquele que se faz de vitima dos próprios atos. Gente assim merece levar dez cipoadas de urtiga no lombo, ao meio dia de janeiro. Com direito a sal grosso na ferida para aprender a parar de reclamar da vida.

Logo você, merrrmão, sentindo vontade de falar, se declarar…quem te viu, quem te vê, Dudu.

  • luarcoirisvioleta

    Ainda está em tempo de agir diferente e ver que bicho vai dar.
    Acho que você só tem a ganhar.
    Boa sorte!
    Bjs,

  • Também concordo com a amiguinha aí em cima…sempre dá tempo!
    Eu, ao contrário de você, tenho me tornado mais cínica e durona (o que é uma pena) e com isso ficando cada dia mais certa de que estar só, é o melhor caminho. Somos opostos, hã? Eu sou você ontem e vc sou eu amanhã hahaha. Tirando a piadinha infame, acho digno qualquer tipo de tentativas. Isn´t ironic? Nós somos feitos do que nossas escolhas nos tornaram…..

    Grande beijo.

  • Pensei em escrever um belo comentário pra mostrar como me sinto após ler esse texto… mas não consigo! Suas palavras conseguiram despertar milhões de pensamentos e sentimentos que vieram à tona em forma de lágrimas.
    Eu sei, eu sei… não foi sua intenção escrever palavras tristes, mas as escolhas que fiz me trouxeram até aqui e, às vezes, isso doí… Ainda mais quando você usa uma música do Roxette pra ilustar. Ai apelou e me arrasou!! =P
    Bom, você disse “Gente assim merece levar dez cipoadas de urtiga no lombo, ao meio dia de janeiro. Com direito a sal grosso na ferida para aprender a parar de reclamar da vida.” Mas, por favor, eu não mereço não!! Hahahaha…
    Beijos, Edu!!!

  • Uau! dificilmente se encontra algo tao sincero, exposto na internet, sem duvidas nos faz refletir em q momentos de nossas vidas tb nao fechamos a porta do nosso coracao…ao fazer essas escolhas nos privamos de nos machucar, mas ao mesmo tempo diminuimos a nossa porcentagem de fecilidade e oq era pra ser real, nao passa de devaneios ou ilusoes…mas cabe a nos decidir o q eh mais conveniente.

  • Estou a fim de trocar confidências, Dudu.
    Aparece! =D

    • renatavaz11

      Ui, trocar confidências. :p