4 de junho de 2012 06:27

Por Keka Demétrio

Tenho pena de gente que desperdiça vida. De gente que vive reclamando e se achando o maior ‘coitado’ do mundo. Tenho pena de gente que acha que fazendo ‘drama’ vai conseguir fazer com que as pessoas fiquem ao seu redor. Tenho pena, no sentido literal da palavra, de gente pequena, porque está cheio de gente com mais de 1,80m de altura, que em matéria de evolução, se for medir, não dá mais que 80cm.

Não, eu não estou julgando ninguém, até porque no quesito poder para julgar, tenho bem menos do que meio metro, de tanto que ainda preciso melhorar e aprender a caminhar. E ainda mais porque já fui desse tipo aí, descrente, desanimada e me sentindo a renegada, e não tive ninguém pra me dizer que a forma como eu agia estava errada. Podia ter aprendido com o amor, mas, ignorante como era, optei, através destas atitudes imbecis, aprender com a dor.

Por não ter tido ninguém para me dizer que eu agia errado e afastava as pessoas de mim, é que estou aqui dizendo que você é realmente é um coitado, digno das pessoas se afastarem porque ninguém gosta de gente triste e resmungona, ninguém quer perto quem só lamenta. Não tenho o mínimo receio de falar estas coisas e neste momento estar sendo chamada de metida, pretensiosa e mandona, porque na verdade o que gente como você precisa é ouvir verdades que te façam acordar para a vida. Assim como eu um dia precisei.

Gordo, magro, alto, baixo, branco, negro, amarelo, vermelho, rico, pobre, remediado, controlado, não importa, todo mundo na vida, um dia, passa por isto, por esta síndrome do “coitadinho”, e tem gente que se acostumam tanto, que nunca mais sai desta sintonia.  A grande realidade é que temos uma pré disposição incrível para indicados ao Oscar quando encaramos o personagem de coitado.

Nunca estudei sobre isso, aprendi de forma empírica, porque sempre adorei observar as pessoas, não para criticá-las, mas para tentar entender sua alma e reações, e foi assim, observando, que percebi que sentir pena de si mesmo é um dos males que mais nos atinge e o quanto perdemos tempo, nosso bem mais precioso, em crises existenciais, fortalecendo o ciclo de autopiedade, criando a nossa volta, um muro que repele as maravilhas que Deus quer fazer por nós.

A grande maioria das pessoas parece estar afundando num mar de frustrações porque não tem o corpo que deseja, o carro que impressiona, o emprego dos sonhos, a vida que tanto sonhou possuir. E quando consegue ter tudo isto, frustra-se da mesma forma, porque bens materiais não conseguem suprir os vazios da alma. Quem só vislumbrar o exterior, jamais vai conseguir adentrar dentro de si mesmo em busca das causas desses vazios impreenchíveis. Quem tem medo de encarar a si mesmo, jamais vai entender que muito pior do que apenas existir, é fingir que se vive.