15 de outubro de 2009 02:14

Recebi este e-mail, sem identificação. Não costumo postar mensagens com pseudônimos e com e-mails fictícios, mas desta vez abri uma excessão pois considero que a dúvida desta nossa amiga pode ser de muitas outras.

Por Renata Poskus Vaz

(…) Vi as meninas que “escolheu” para o trabalho na Record e gostaria de entender qual o critério que usa para isso ou outras indicações. Entendo perfeitamente que para um desfile de alguma grife exista uma numeração ou uma média de numeração exigida, mesmo porque até mesmo as roupas disponíveis na grife exige isso. (….)”

Querida amiga, as grifes produzem peças pilotos para seus desfiles e catálogos. Cada qual tem seu padrão que pode variar de 44 até 48. Poucas fazem modelos maiores do que esses. Há clientes que solicitam meninas negras, outros loiras, outros morenas. Há quem peça que todas tenham uma determinada altura, ou determinada circunferência de quadril, por exemplo.

Então, não escolhi ninguém. Mandei fotos de todas as meninas que participaram do Dia de Modelo em São Paulo, com raríssimas excessões. Por exemplo, indico todas as meninas, mesmo as que jamais entraram em contato comigo após o Dia de Modelo.  Agora, se alguma menina, na minha opinião, agiu com falta de ética ou decoro comigo ou com terceiros(são raríssimas exceções) e eu considero que isso pode me comprometer com os clientes, eu não a indico. Acho que este é um direito meu, já que meu nome está em jogo.

Uma coisa tem que ficar bem clara: nem toda gordinha bonita tem perfil para ser modelo. E isso quem decide não sou eu, são os contratantes.

“(…)Percebo algumas predileções por algumas, geralmente aquelas que há troca de carinho mais explícita no orkut e são exatamente essas que são indicadas ou lembradas. (…)”

Quem me conhece sabe bem que não gosto de puxa-saquismo e sei separar muito bem minhas amizades do trabalho.  Eu nunca vou indicar para um casting que exija loiras de 1,80m, a Danizinha Lima, por exemplo,  que é colunista deste blog, negra, baixa e minha amiga pessoal. Uma garota muito próxima à mim, por exemplo, chegou a se revoltar porque me via indicando meninas manequim 48 para um casting e não entendia porque eu não a indicava, mesmo ela usando manequim 54. Eu explicava, mas a vontade de estrelar um catálogo superava a visão racional.

“(…)Não gostaria, sinceramente, que meu contato com todos vocês não passasse de “um dia de modelo”. Afinal, me motivei, paguei e me motivei mais ainda com os resultados. Desculpe. Só gostaria de ver e sentir que as oportunidades são dadas por igual. E nem precisa ser exatamente comigo, mas ficaria muito feliz se em alguns desses trabalhos eu visse alguns rostinhos até então desconhecidos. E não desconhecidos porque simplesmente apareceram tardiamente por aqui e sim porque estão sendo deixadas de lado ou até mesmo atrás dos holofótes do blog. Espero, sinceramente, que compreenda minhas palavras.”

O Dia de Modelo é uma oportunidade para que garotas acima do peso se conheçam, façam amizade, confraternizem. Cada menina recebe um CD-book com 30 fotos, com 3 looks, cabelo e maquiagem. Aparições na imprensa e indicações para trabalhos não estão inclusas neste pacote. Quem paga, paga pelo book e não pela mídia. Isso sempre deixei bem claro para todas, desde o início, mas inevitavelmente, uma ou outra garota, se sente lesada por aparecer menos do que a outra.

Sinto que algumas meninas não vão ao Dia de Modelo para se valorizarem por meio de fotos bonitas. Elas esperam aparecer na tv e quando isso não acontece se frustram. É como se todo o Dia de Modelo não tivesse valido a pena.

Aparições na mídia

Inicialmente, éramos mais solicitadas pela mídia para algumas matérias porque o assunto Dia de Modelo era novidade. Sempre tomei o enorme contato para dar oportunidades iguais para que todas sentissem o gostinho do que é estar na tv, ou em uma matéria de jornal ou revista. Então, quando levava uma garota na tv, levava a outra em outra emissora. Mesmo assim, houve quem reclamasse e achasse injusto dar apenas 4 entrevistas e não 5.

Tenho feito isso até hoje. Amanhã, 4 meninas do Rio de Janeiro darão entrevista para o Fantástico. Como fizemos a seleção? Procuramos saber quem já havia aparecido no Jornal O Dia e falado na entrevista anterior do Fantástico. Quem apareceu menos, recebeu destaque desta vez. E ainda há menina que ficou de fora e que, certamente, vai se chatear. Escolhemos meninas com o perfil solicitado pela Globo. Mandamos diversas fotos e eles selecionaram 4. Para algumas isso quer dizer “apenas” 4. Para mim é “ainda bem que 4 de nossas meninas estão lá!”.

Amiga que é amiga não some!

Quem se sentir abandonada, injustiçada ou jogada às traças, pode e deve me puxar a orelha no orkut ou no msn. Não precisa me puxar o saco, mas não custa nada para quem quer ser lembrada passar aqui no blog de vez em quando e dizer que está viva e que continua acompanhando o nosso trabalho. Da mesma forma que vocês se sentem abandonadas, eu também me sinto. Afinal, são poucas pessoas que se mantém firmes e fortes ao meu lado, mesmo sem imprensa por perto ou sem nenhum grande evento ou casting próximos.

Muitas meninas que fizeram o Dia de Modelo em edições passadas vão me visitar nas edições atuais. E não são poucas!

Não tenho nenhuma obrigação em promover ninguém. Por isso, se tiver a oportunidade de levar alguém à tv, essas serão as que ainda não sentiram o gostinho da fama, ou pessoas que são imprecindíveis para a sobrevivência do Blog, como as meninas que, junto comigo, escrevem para o Mulherão.

Você também pode participar mais. Só basta querer!

Beijos e espero que tenha respondido as suas dúvidas.