1 de janeiro de 2013 20:41 Mulherão Saúde

Projeto Mulherão Saúde: Esteatose Hepática (fí …

Por Renata Poskus Vaz

Primeiro dia útil do ano e com certeza essa também é a data em que muitas mulheres iniciarão suas dietas para perder peso ou desintoxicar o corpo por conta de tantas gostosuras calóricas e não tão saudáveis saboreadas durante as festas de natal e réveillon. Comigo não será diferente. E minha preocupação vai muito além de controlar os ponteiros da balança… Tem relação direta com minha saúde que, há algum tempo, não anda muito boa.

No ano passado visitei um médico endocrinologista preocupada com meu grande aumento de peso, sobretudo a concentração de gordura exagerada na parte superior abdominal, na região do estômago e fígado. Além de fortes dores na coluna, também sentia dores de cabeça terríveis quando ingeria muita gordura e sérias indisposições gástricas.

17 Kg mais gorda

renata poskus vaz mais magra

Acima, 17 Kg mais magra em 2009, sem photoshop

Em 2009, no início do Blog Mulherão eu pesava 72 Kg. Hoje, peso 89 Kg. Um aumento de 17 Kg em menos de 4 anos. Passei do manequim 44 para o 48/50. Engordei tanto que não agüentava mais dançar ballet. Suportar meu peso sobre uma única perna passou a ser impossível para mim. A coluna também mandava recados de que não ia bem.  Trabalhar o dia todo sobre um salto alto quando estava menos pesada já era cruel e com meu novo peso me incapacitava no dia seguinte para qualquer atividade.

Engordar não foi proposital, porém não há como não notar que os ataques que algumas blogueiras e outras invejosas faziam questionando minha condição gorda diminuíram drasticamente (sim, eu já fui discriminada por ser uma gorda em um mundo magro e depois passei a ser discriminada por ser uma magra em um mundo gordo). Mais gordinha, pude ver meu bumbum crescer, o corpo ganhar mais curvas e rosto ficar mais corado e jovial. Enfim, fiquei mais bonita gorda do que quando era magra, porém, a saúde não ia bem.

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 Esteatose Hepática

Quando recorri a um endocrinologista, não imaginava que, na verdade, deveria ter recorrido a um gastroenterologista. O endocrinologista me pediu alguns exames de sangue e de hormônios. O resultado não apresentou alterações hormonais, de glicose, triglicérides ou colesterol, mas apontou para um outro problema: esteatose hepática, vulgarmente conhecida como gordura no fígado.

Esta condição do fígado pode ser gerada pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas ou por alimentação rica em gordura. Mais de 70% dos pacientes com esteatose hepática são obesos. Meu caso. Meu atual peso elevou minha condição de paciente com sobrepeso para paciente obesa.

 A retirada da minha vesícula aos 22 anos, que antes auxiliava a processar a gordura que eu ingeria, também é um fator que pode ter contribuído para esse quadro clínico. Os riscos principais da esteatose hepática são doenças decorrentes da inflamação do fígado, como a hepatite e outras lesões no fígado.

Isso me dá medo? Sim. Minha avó materna morreu de câncer no aparelho digestivo e a avó paterna dela também. Em nossa família também há muitos outros casos de complicações gástricas graves.

Recuperando a saúde

Embora tenha recebido esse diagnóstico há alguns meses e temer uma complicação, nada fiz para reverter esse quadro. Culpo-me por ter sido omissa comigo mesma. O excesso de trabalho e a falta de tempo me fizeram adiar o início do tratamento e de novos exames. A notícia boa é que essa predisposição de acumular gordura sempre existirá, porém, com dietas e acompanhamento médico, é possível controlá-la e não sofrer nenhuma complicação.

A dieta deve ser controlada. Não adianta cortar a gordura totalmente da alimentação, pois meu organismo sentirá essa restrição forçada e para se precaver pode estocar no fígado toda a pouca gordura ingerida, piorando meu quadro clínico.

Nesta semana, marcarei médicos e iniciarei um programa de nova vida saudável. Vou dividir com vocês aqui, toda segunda-feira, tudo o que fiz de saudável na semana anterior. Vou chamar de “Projeto Mulherão Saúde”. Sei que tornando meu caso público, poderei ajudar mulherões que padecem desse mesmo mal e também tenho certeza que receberei apoio e carinho de todas vocês.

Contar ou não que estou com a saúde afetada?

Perguntei-me várias vezes se seria ou não uma boa idéia dividir aqui que estou doente. Afinal, sou exemplo para muitos mulherões que me seguem. Tinha medo do impacto que poderia causar para alguém que recuperou a autoestima por meio do Blog Mulherão, ver que a autora do blog prega que é possível ser gorda e saudável se ela não está saudável. Cada caso é um caso. Da mesma forma em que há magros doentes, hoje, sou eu que estou debilitada.

Minha decisão de tornar isso tudo público é porque cansei de ver gente muito mais gorda e com problemas de saúde muito mais sérios do que os meus, mentindo sobre seu verdadeiro peso e divulgando que são absolutamente saudáveis, quando sabemos que isso não é verdade. Gente que forma opinião, que poderia ajudar muito mais gente se fosse sincera. Afinal, mentir para os outros e para si mesma é o pior veneno que alguém com a saúde debilitada pode sofrer.

Torçam por mim!

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