30 de agosto de 2013 02:34

corpo magro

Por Renata Poskus Vaz

É muito difícil para uma mulher que nasceu magra e recebia na adolescência elogios por seu corpo enxuto, se acostumar com um corpo gordo e com todo o preconceito e dificuldades que cercam pessoas acima do peso. A mulher magra cresce associando magreza à beleza. Sente o gosto de ser desejada, amada e admirada. Na cabeça dela, todo esse prestígio e facilidades se devem unicamente ao seu corpo magro. Quanto mais magra, para ela, mais fácil para ser estilosa, para namorar, para ter amigos, para ser convidada para festas, para ter sucesso profissional… Sem magreza, para ela, não há beleza. Não há felicidade. Não há sucesso.

 Engordar, na cabeça dessa mulher, mais do que um aumento de peso, representa o fim de sua autoestima, de toda aquela satisfação que sentia por ser “bonita”. Engordar significa perder, fracassar.  O primeiro preconceito a ser enfrentado pela ex-magra é o que ela sente por si mesma. Lutar contra a própria vaidade é muito mais difícil do que lidar com o novo corpo de medidas generosas. Convencer-se de que é possível ser feliz acima do peso, ser linda, admirada, amada, ter sucesso profissional é a segunda e mais difícil etapa da fase pós-magreza. A primeira, claro, é a negação inicial acompanhada das tentativas desesperadas de emagrecimento com dietas malucas que colocam a própria saúde em risco.

Levam-se anos para que a ex-magra finalmente desista de tentar emagrecer e reconquistar o corpo magro do passado e, só então, descubra suas verdadeiras potencialidades: seu charme, sua inteligência, atrativos que vão muito além da forma física. Engordar, embora represente um descontrole físico, metabólico e até psíquico, não deixa de ser uma forma dessa mulher equilibrar a própria vaidade e se conhecer de verdade.

Mesmo sabendo que conscientemente ninguém queira e nem precise engordar para descobrir seu verdadeiro “eu” é inegável que as ex-magras aprendem com o novo corpo e os desafios de se estar acima do peso, novas formas de se destacarem.

Nesse aspecto, as “gordas de nascença”, aquelas que desde pequeninas já eram robustas e cresceram engordando, são excelentes exemplos. Óbvio que não podemos generalizar, que existem magras sem autoestima e gordas que sempre foram gordas e que nunca se amaram. Porém, a grande maioria, talvez até por não ter vivido uma existência magra, encara a vida de forma mais bem-humorada, conscientes da beleza singular de seus corpos, felizes, bem-resolvidas.

Falo com experiência de causa. Sou uma ex-magra que fazia muito sucesso com os rapazes e amigos com minha antiga silhueta magra. Porém, só descobri minhas reais potencialidades e verdadeira felicidade com o sobrepeso e tendo como exemplo minhas amigas mais gordinhas. 

Ser feliz e realizada sem o corpo magro do passado é perfeitamente possível.