6 de setembro de 2013 08:23 comportamento

Por uma moda plus size com roupas maiores e não somente garotas-propaganda maiores

Por Renata Poskus Vaz

Há muito tempo que discutimos uma questão aqui no Blog Mulherão: “que tamanho de manequim é o certo para ser considerado plus size?”.

Já mencionei inúmeras vezes que, para mim, o manequim 44 é sim o ponto de partida para as confecções plus size.  Usei por muito tempo manequim 42 o que já me fazia me sentir excluída de diversas lojas. Nunca podia comprar o que queria, apenas o que havia disponível para meu tamanho. Com 44 e esses seios do tamanho do mundo, então, estava praticamente banida das lojas tradicionais. Porém, sempre vai ter alguém dizendo que: “há 18 anos atrás, quando eu suava manequim 44, comprava sempre na C&A, então tinha roupa sim”. Desculpe-me, eu quero e sempre quis muito mais do que uma C&A na minha vida!

Analisando bem a gordolândia em que vivemos, percebi que é muito comum, ainda, que leitoras discriminem modelos que usam 46, 48 dizendo que são magras demais para ser plus size. Discriminam mulheres lindas, que usam sim manequins maiores como se fossem indignas de pertencerem a nosso universo porque não usam os manequins54, 56…60 das leitoras que as atacam.

Retomo este assunto pela centésima vez porque percebo que quanto mais surgem em nossas redes sociais mulheres assumidamente plus size, mais cresce o preconceito entre nós. Viramos uma série de mini-sizes, mega-sizes, king-sizes… Um festival de sizes que deveria ser apenas plus. Plus Size não é sinônimo de obesidade mórbida. Plus Size não é sinônimo de sobrepeso. Todas somos plus size e subdivisões só criam um segundo preconceito em quem já sofreu demais com segregações.

Gente, uma dica: não adianta atacar modelos mais magras na ânsia de que as grifes a substituam por modelos maiores. Sabe o porquê de isso nunca acontecer? Pois não há como exigir que uma grife que fabrique peças até manequim 52, ache uma modelo 48 indigna de representar sua coleção e contrate uma 60 para isso. Não exite, é irreal. O ideal, sugiro, é que ao invés de perderem tempo duelando sobre quem tem mais banhinhas, circunferência, quilos e números de manequins, que escrevam para as confecções pedindo o aumento de suas grades. O caminho correto é: a confecção passa a fazer roupas maiores e só então contrata uma modelo maior para representá-la.

Quando vocês se atacam e se ofendem para saber quem é a mais gorda e a menos gorda, quem é mais sofredora ou menos sofredora por causa do peso ou manequim, fazem tudo o que conquistamos perder completamente o valor. Vocês perdem a credibilidade. E gente sem credibilidade perde a voz.

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