10 de janeiro de 2014 15:27 Uncategorized

Photoshop que esconde magreza

“Para editores de grandes revistas, a visão de magreza perfeita não existe”

Leah Hardy (ex-editor da Cosmopolitan).

Por Cintia F Rojo

karlie kloss

Aposto que ao ler o título desse post, você arregalou os olhos e perguntou: Oi? Ou então voltou ao título e releu… ou clicou em todos os hyperlinks do post pra saber se tinha algum erro na concepção desse conteúdo. E depois de ter feito tudo isso você entendeu direitinho: editores de moda, das principais revistas do mundo, agora também usam o photoshop para retocar as magrinhas. Será que eles cansaram de “emagrecer” as gordas ou de “plastificar” a beleza natural das mulheres? Não, não é bem isso…

A matéria veiculada no site catraca livre sobre o uso de photoshop para disfarçar a magreza excessiva de algumas mulheres, comenta um artigo publicado por um ex-editor da revista Cosmopolitan, que aqui no Brasil se chama NOVA. Dentre os figurões citados, ela traz o depoimento de Robin Derrick, diretor criativo da Vogue, e Jane Druker, editor da britânica Healthy (palavra que significa “saudável”). Druker admitiu ter editado muitas fotos de modelos que pareciam magras demais e pouco saudáveis. Já Derrick disse: “Passei os primeiros dez anos da minha carreira fazendo meninas parecerem mais magras – e os últimos dez tentando deixá-las maiores”.

Oras, vamos pensar bem levando em conta a frase de Leah Hardy, em destaque no começo do post, e em tudo que nós, mulheres acima do peso já enfrentamos nessa vida no quesito “padrões estéticos”. Já estávamos fartas de ver campanhas publicitárias com mulheres que foram vítimas do photoshop do mal. Vocêm lembram a vergonha alheia dominando geral em 2013, depois da divulgação da campanha da C&A, em que Preta Gil está com um pescoço que parecia do Anderson Silva. Algum tempo depois, a Sabrina Sato também tinha levado um banho de retoques malignos na capa de outra publicação feminina. Nem a lindona sarada escapou do photoshp e ficou com aparência de estátua de cera.   

Portanto, note que as gordas não agradaram e as magras também não agradam mais! Isso comprova o que repetimos incansalvemente: não adianta ir contra sua natureza nem projetar sua felicidade na conquista de padrões estéticos. Esses padrões opressores – não queria usar essa palavra mas é a verdade (humpf!) – foram construídos pela mídia e agora ela própria admite que tais padrões não servem mais. Uma de minhas melhores amigas é saudável, usa manequim 36 e sempre ficou brincando, em tom de gozação, que não precisava fazer esforço para ficar com as costelas aparentes como as meninas das passarelas. Pois, amiga, trago notícias: você está ficando fora de moda!

Honestamente, não sei mais o que esperar. Tenho a impressão que amanhã, quando acessar minha revista feminina favorita (que é a Aquarius, de Dubai) vou encontrar uma modelo-robô, uma mulher que não existe, mas ela estará vestindo as últimas tendências da moda e usando as melhores marcas de maquiagem. E mesmo que eu , plus size, ou minha amiga, manequim 36, não nos identifiquemos com a mulher-robô, não teremos outra alternativa a não ser fingir que aquela beleza é real e acessível a qualquer mulher em qualquer lugar do mundo.   

(Foto: Karlie Kloss, via Catraca Livre)

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