12 de março de 2014 22:39 Preconceito

Reprovada em concurso público por estar obesa

professora obesa

Por Renata Poskus Vaz

Esta semana, li uma desagradável notícia de que uma professora que passou em segundo lugar no concurso público da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo foi impedida de assumir seu cargo por ter sido considerada inapta por ser obesa, na análise do perito médico do estado.

A professora, que há anos já atua como professora substituta na rede pública de ensino, disse que nunca foi afastada por problemas de saúde e que seus exames pré-admissionais não apresentaram nenhuma alteração.

Enfim, eu pergunto, cara leitora, qual o problema de uma mulher gorda lecionar? Se ela passou em segundo lugar em um concurso público, isso mostra que pelo menos academicamente ela está preparada – e muito – para assumir o cargo. E as chances dessa mulher ter um afastamento médico por problemas de saúde é a mesma que um professor com idade mais avançada, uma magra aparentemente saudável, mas que toma remédios para emagrecer, um professor com problemas oftálmicos, uma professora que tenha acabado de casar e queira ter 5 filhos… Enfim… Todos os professores são doentes em potencial, não só os gordos.

Tenho alguns professores “diferentes” que me ensinaram muito a entender, aceitar e respeitar a diversidade humana. No primário, todas as minhas professoras eram mais velhas que a minha avó. Tive que aprender que nem toda velhinha é gagá e que devia respeitá-las muito. Isso aconteceu também no colegial, em que meu professor de educação física era um senhor já de idade, negro, alto e manco. Ele não reproduzia nenhum exercício, devia ter algum problema sério na coluna ou nos membros inferiores, mas sabia nos orientar a fazer. Era crítico, exigente e muito amado por todos os alunos. Ainda dá aulas, na mesma escola.

Minha primeira professora de ballet também era mais gordinha. E ela era atenciosa com todas as alunas, sem exceção. Foi ela quem me fez me apaixonar pelo ballet. Eu a admiro até hoje.

Na faculdade tive o primeiro contato com professores gays, homens e mulheres (pelo menos assumidos) e, coincidentemente, era os que eu mais admirava.

Crescer e ser educada com as diferenças, com certeza faz com que nos tornemos adultos muito mais seguros e tolerantes.

Para saber mais sobre a história dessa professora, clique aqui.

E você, já sofreu preconceito no trabalho por estar acima do peso?

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