25 de agosto de 2014 11:32 Uncategorized

A gorda coitadinha

Por Renata Poskus Vaz

A gorda coitada, quando não é  aprovada para uma vaga de trabalho, logo questiona a decisão do empregador. “Ele contratou a magra porque ela é gostosa e eu sou gorda”. Isso mesmo, nunca a gorda coitada vai reconhecer que seu currículo e desempenho podem, eventualmente, ser inferiores ao de uma magra. Como se excesso de peso e competência coexistissem sem exceções. Nem toda gorda é nerd, nós sabemos disso.

Quando toma um fora, a gorda coitada logo diz que o boymagia é preconceituoso porque não gosta de gordas. Como se todo homem fosse obrigado a sentir tesão por qualquer mulher que passe na frente dele. Isso é machismo, minha amiga! Nós também não sentimos atração por qualquer cara, justo que eles também possam não sentir. Se magra toma fora, porque nós gordas  estaríamos livres disso?

Quando os amigos se afastam dela, não a chamam para o churrasco ou para a balada, a gorda  coitada logo diz que eles a excluem por ser gorda. Mas nunca lembra dos pitis que já deu por estar acima do peso, que vive reclamando da vida, que faz bico, fecha o semblante sem mais nem menos.

A gorda coitadinha também não gosta que a chamem de gorda. Gosta de ser chamada no diminutivo como: fofinha, gordinha, rolicinha, cheinha e mais um monte de “inha” que a faz cada dia mais digna de pena, dó disfarçada de carinho. Gorda bem-resolvida sabe que é gorda, se chama de gorda, não se sente intimidada, diminuída ou agredida em ser chamada do que ela é de verdade: gorda.

Já fui a gorda coitadinha. Tinha tanta dó de mim mesma que me sentia perseguida por toda a humanidade. Acreditava que só viam em mim meus quilos extras e que tudo de ruim em minha vida acontecia porque eu era gorda. Esse blog, inclusive, surgiu por conta desse complexo.

Quanto mais eu choramingava, mais era acalentada pelos que me cercavam.  E esse carinho e  piedade alheia, alimentavam cada vez mais o meu complexo de vítima. Ser a gorda coitadinha tem lá suas vantagens. Mas a realidade é que ninguém aguenta gente chata por muito tempo do lado. As pessoas te consolam, te apoiam, mas paciência tem limite. E aí você se enxerga em uma encruzilhada. Ou você levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, adotando uma postura positiva e feliz, ou vai viver isolada, sem amigos, depressiva e infeliz.

Ver a vida de forma positiva nos permite conquistar novos amigos, amores, trabalhos, experiências… Não é nossa circunferência que nos isola do mundo, mas a forma como olhamos para nós mesmas e como nos mostramos para o mundo.

Se você quer ser vista como a gorda coitada é assim que te enxergarão. Você quer viver do respeito ou dó alheia?

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