13 de dezembro de 2014 23:03

Por Renata Poskus Vaz

Vida de diva da gordolândia não é fácil. A gente cuida da unha, cabelo, pele, trabalha, namora e ainda tem que encontrar um espacinho na agenda para lavar, passar, cozinhar etc. Aqui em casa é assim, encosto minha barriguinha farta no tanque e no fogão economizando com a faxineira para ter dinheiro para os sapatos. 🙂 (Classe C sofre, meu bem!)

Pensando nisso, há muito tempo pensava em falar aqui no Blog Mulherão sobre o meu dia a dia de dona de casa e consumidora. Uma nova coluna: “Mulherão no Lar“. Escolhi antecipá-la, infelizmente com um assunto negativo que aconteceu comigo, hoje, no Minimercado Extra da Avenida Paula Ferreira, na Freguesia do Ó.

Estava eu linda, formosa e modesta como sempre voltando do Dia de Modelo quando resolvi passar no Extra e comprar coisas essenciais para a vida, como Amanditas, Danone e Coca-Cola. Na entrada do mercado havia um senhor, provavelmente bêbado, deitado no chão com a giromba exposta. Não que aquilo tenha me chocado, afinal, já vi coisas piores na minha vida (se é que vocês me entendem), mas é uma cena que gera certo constrangimento.

Peguei meu kit hipercalórico de sobrevivência e dirigi-me ao caixa. Percebi que a caixa olhava toda hora para o senhor da giromba exposta. Ela estava tensa, preocupada. Com a maior boa intenção do mundo, disse: “moça, porque você não chama a polícia?”. Ela, então, disse brava (muito brava mesmo, tipo candidata à concurso de Miss Plus Size que não ganha a faixa): “chama você. Ele é um ser humano!”. Aí respirei fundo e lembrei dessa minha nova fase Renatinha Paz e Amor, e disse calma: “a polícia pode chamar o Samu, a assistência social e não necessariamente prendê-lo por atentado ao pudor”. A caixa do EXTRA ficou nervosa, começou a resmungar, me ofender e tal. Eu disse: “você é muito educada sempre comigo, porque está me tratando assim agora?”. Foi quando ela me mandou calar a boca. Isso mesmo, adorável leitora. Calar a boca!

Aí eu fiquei garota de programa da vida! Disse que ela não tinha o direito de me tratar daquela forma. Foi quando ela me mandou tomar naquele lugar. Isso mesmo, naquele lugar pequenininho, sensível, que a gente não sai exibindo por aí. Na hora, quase que eu disse: “Deus te ouça! Faz tanto tempo que não sei o que é isso, tô solteira e precisada”. Mas não consegui.

Mandarem a gente tomar naquele lugar é bem profundo. Dói. Literalmente e subjetivamente. Principalmente quando acontece em um mercado em que frequentamos diariamente. Para mulherões como eu, mercado são pequenas extensões dos nossos lares. É lá que compramos um produto de beleza ou outro que nos deixa mais poderosas, é lá que compramos os alimentos das pessoas mais importantes da nossa vida: a nossa família. É lá que compramos os produtos de limpeza para cuidar e higienizar o nosso lar. É lá que compramos as guloseimas que adoçam ainda mais as nossas vidas. Então, quando reclamamos de um produto vencido na prateleira, ou armazenado errado, ou então de um senhor com a calça abaixada com a genitália exposta na frente do mercado, não estamos criticando por criticar, estamos zelando por todos nós.

Bola fora, Minimercado Extra!

E vocês, mulherões, já passaram por isso?

p.s1: Além de me mandar tomar naquele lugar, a caixa cujo nome não citarei (embora pudesse, porque tenho testemunhas, boletim de ocorrência e a loja também possui gravação atestando o que aqui afirmo), também me ameaçou fisicamente, sendo impedida por funcionários que estavam no local. Óbvio que eu jamais revidaria, sou phyna e minhas unhas postiças estavam belas hoje!

p.s2: O senhor da giromba, logo depois levantou a calça e, cambaleante, e caminhou até o Bar, onde ficou por muito tempo, desta vez mostrando a bunda.