13 de janeiro de 2015 22:50 comportamento

Como comprar roupas de gorda em lojas com vendedoras magras?

Por Renata Poskus Vaz

Por que em lojas plus size, somos atendidas por vendedoras magras, e nunca o contrário? 

Certa vez fiz uma pesquisa aqui no Blog Mulherão perguntando o que as nossas leitoras desejavam que tivesse em sua loja plus size dos sonhos. No lugar delas eu pediria gogoboys sarados seminus servindo drinks enquanto eu apreciava as roupas das araras :p , ou então um telão gigante passando desfiles e making off das coleções disponíveis na loja pra comprar. Mas a solicitação da maioria foi: vendedoras gordinhas.  Algo tão simples, não é mesmo?

Acontece que a nossa Constituição Federal (art. 3º, IV) proíbe preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Ou seja, ninguém no Brasil pode, por exemplo, anunciar uma vaga de emprego pedindo vendedoras magras, altas e com corpo definido. Também não se pode fazer o contrário. Oferecer uma vaga para vendedora gorda seria discriminar quem não é.

Conversando com alguns proprietários de loja sobre esse assunto, eles se queixaram de que as candidatas para vagas de vendedora são em sua maioria magras. As gordinhas simplesmente não aparecem. E isso não é difícil de acreditar, afinal, gordas não se arriscam a procurar emprego na área de moda porque cresceram à margem desse cenário fashion e ainda acreditam que não são aptas para exercer o ofício. É uma profissão para a qual poucas se prepararam, acreditaram não ter o perfil ideal e levará ainda um certo tempo para mudar essa percepção.

Do lado das consumidoras, a queixa é de que as vendedoras magras, por mais atenciosas que sejam, sempre parecem falar com falsidade. Não, não estou dizendo que de fato são falsas, mas é muito difícil acreditar nos conselhos e sugestões de uma profissional que não sabe o que é ser gorda. Além disso, conhecemos o nosso corpo. Um modelo de roupa 36 parece cair como uma luva em qualquer mulher que use 36. Já, por exemplo, mulheres que usem 48 podem ter o corpo completamente diferente e uma roupa que cai bem em uma, pode não ficar nada legal em outra.

Por isso, muitas clientes ainda preferem o sistema Self-service. Entram na loja, olham os produtos, provam sozinhas e pronto. Sem nenhuma vendedora magra e forçosamente simpática do lado de fora dizendo que tudo está lindo, mesmo quando não está. Ah, como isso irrita! Algumas vendedoras magras acreditam que só porque uma roupa coube em uma gordinha, que já está bom. Ignoram o caimento e que cada mulher plus size tem um formato de corpo diferente. Isso sem contar a personalidade.

Antes gorda não tinha direito de ter personalidade, tinha que comprar a roupa que tivesse. Hoje, com opções, algumas vendedoras magras ainda não tem essa percepção. E ninguém precisa ser uma Mãe Dinah do varejo. Basta saber fazer à cliente uma perguntinha básica: qual o tipo de roupa você gosta? Simples.

Não adianta empurrar uma roupa para a gordinha. Ela pode até comprar na pressão, mas vai se decepcionar e nunca mais voltar. Uma cliente bem atendida, mesmo que não leve nada de imediato, é uma compradora feliz e assídua em potencial.

Esperamos o dia em que as lojas plus size tenham dezenas de vendedoras gordinhas, lindas e que entendam muito de moda. Mas enquanto esse dia não chega, que as magrinhas que nos atendam sejam honestas e tenham verdadeiro interesse em nós. <3 <3 <3

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