11 de fevereiro de 2015 22:00 Beleza

O dia em que perdi meu seio!

Por Simone Fiúza

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Demorei muito para compartilhar essa experiência com vocês. Não tinha coragem, sentia vergonha e nos últimos meses tenho visto uma série de ofensas à Andressa Urach. Sim, aquela mesma que colocou hidrogel nas coxas, teve uma infecção e quase morreu. Vi muitos comentários apontando o dedo para ela, criticando, ninguém parou para pensar no sofrimento que ela estava passando. Ignoraram a dor que ela sentia.

A cirurgia plástica pode ser encarada como vaidade, mas muita das vezes é uma ferramenta pra recuperar a autoestima de uma pessoa. A baixa autoestima é um problema muitas vezes negligenciado, que traz diversos riscos sociais e psicológicos. Sendo assim, um procedimento cirúrgico que visa trazer de volta a autoestima de uma pessoa, por mais que seja estético, é completamente válido.

Eu entendo perfeitamente o que ela passou e sei que muitas pessoas a abandonaram. Eu também vivi isso, estava obcecada pela beleza, fazia bronzeamento artificial, clareamento nos dentes, drenagens, tratamentos estéticos, 3 horas na academia… Passava horas me cuidando e contraí uma infecção no seio esquerdo e quase morri. Vou contar como foi.

Há alguns anos realizei 3 cirurgias plásticas conjuntas: lipoescultura, maxtopexia (levantamento do seio e inserção de prótese de 395 ml de silicone) e rinoplastia. A cirurgia até então foi um sucesso, mas infelizmente tive algumas complicações posteriores decorrentes de uma infecção hospitalar. Como uma cirurgiã me explicou, a cirurgia é como atravessar uma rua, tomamos os devidos cuidados, olhamos para um lado, olhamos para o outro e enfim atravessamos, só que nesse intermédio pode vir algo e te ferir. E ela tem razão!

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Meu corpo pós cirurgias

5 dias após a cirurgia em um dos pontos do seio apresentou uma bactéria e aquilo se expandiu e em menos de 48 horas o que era um pontinho se tornou 10 cm de pele corroída pela bactéria. Era nojento e assutador! Fui internada novamente no hospital no qual fiz a plástica (Hospital Saint Peter) e tratada com 4 antibióticos diferentes para combater a infecção. Me lembro que uma outra paciente no mesmo andar enfrentava uma infecção como a minha no abdômen. Sim, eu corri risco de morte. O meu médico da época até sugeriu ao meu marido que pedissemos à DEUS a cura, porque ele não tinha mais o que fazer. Foram 9 dias internada e em nenhum momento eu achei que fosse dar errado, sou muito otimista e sabia que seria curada.

A infecção sanou e era hora de retirar a pele morta. Fui para o centro cirúrgico na esperança de que a bactéria e a pele morta seriam removidas e meu seio voltaria lindo e incrível. Porém, não foi isso que aconteceu.

Estava ainda no hospital quando acordei, levantei a camisola, e vi que meu seio e minha aureola não estavam mais ali. Fiquei com um seio de criança, reto e o outro lindo, redondo e perfeito. Chorei, esperneei, xinguei e apaguei. Depois fiquei sabendo que tive uma espécie de apagão de memória, fiquei tão em choque que xinguei o mundo, saí andando pelo hospital (isso meu marido me conta, porque não lembro de absolutamente nada).

No dia após perder o meu seio, a ficha tinha que cair! Não sabia por onde começar, o que fazer, fiquei por mais 5 dias internada e com a promessa que em breve colocaria novamente meu silicone, faria uma tatuagem no lugar onde seria a auréola e tudo voltaria ao normal. Na minha cabeça esse processo demoraria 1 mês no máximo, mas não! Durou 11 meses, sim eu fiquei sem meu seio esquerdo por quase um ano.

Meu marido Michel Gutto fez uma canção no quarto do hospital, porque passamos esses nove dias, eu, ele e DEUS e muito me emociona (Por favor, ouçam!! Só dar o play!)

“Na vida nem tudo é tão fácil, não tenho um mar de rosas ao meu redor

de noite eu choro e peço, pra que Deus te livre do pior

E nessa oração eu falo pra Deus, tirar a tristeza que existe em mim

E o meu coração conforta dizendo, Filho querido não temas estou aqui

De braços abertos, pra te ajudar

Foi eu quem permitiu tudo isso, logo vai passar

Continue firme, que a vitória virá

Acredite e creia no meu nome, que nunca falhará…”

No primeiro mês fiquei na casa do meu marido (no momento era namorado), porque não poderia movimentar os braços e isso inspirava muitos cuidados. Um mês que não passava, não conseguia me olhar no espelho, não conseguia trabalhar, não me via mais como mulher, a vaidade se foi, o bom humor também e a tristeza tomou conta de mim. Neste momento percebi o quanto o seio era importante para uma mulher, não só fisicamente, mas fazia parte da sua essência, da alma feminina.

Coloquei-me no lugar das mulheres que são assombradas pelo câncer de mama e elas não tiveram escolhas, teriam que passar, sobreviver e agradecer a Deus pela vitória de conseguirem se curarem da doença, mesmo sem o seio. Neste momento veio um start na minha cabeça que, ou aceitava a situação e passava por cima dela com a cabeça erguida, ou passaria meses e meses em uma cama depressiva, esperando a solução do meu problema. Escolhi a primeira opção!

Não vou dizer que foi fácil, mas foi necessário. Sofri, chorei, mas aprendi muito, principalmente dar valor a pequenas coisas e momentos. Tive que encarar meus medos e “deixar de lado a vaidade”.  Tive que voltar a trabalhar, afinal o meu sustendo vem principalmente da moda plus size, consegui uma prótese de silicone de 400 ml e a colocava dentro do sutiã para dar volume e não perceberem a ausência do meu seio. Não conseguia me despir na frente de ninguém, em trabalhos, prova de roupas onde normalmente as modelos se trocam na frente de produtoras, estilistas e outras modelos (sim, isso é normal! E pedir para se trocar escondido, em outro lugar não pega bem!) eu me virava para parede e tentava esconder de todo jeito, aquela prótese de silicone, que fingia ser um seio.

Encontrei pessoas desagradáveis que me perguntavam o porque da diferença de tamanho, porque não tinha um colo no seio esquerdo, até uma pessoa sem educação que puxou para ver o que tinha de errado, morri de vergonha e tristeza e a pessoa de constrangimento.

Passando 11 meses, o cirurgião analisou e achou que agora seria o momento ideal para recolocarmos a prótese e tentar reconstruir a mama, fui internada inicialmente no mesmo hospital que fiz a cirurgia Saint Peter que me negou atendimento para a reconstrução. O cirurgião conseguiu um novo hospital para me internar e realizar o procedimento (Hospital São Raphael), em uma segunda feira e não acreditava que teria novamente meu seio, realizei a cirurgia, foi inserida a prótese é uma leve reconstrução da auréola foi feita, foi tirada pele da auréola direita e colocada na auréola esquerda. A cirurgia foi um sucesso, deu tudo certo, me recuperei bem e finalmente tinha o meu seio de volta.

simone fiuza e michel

Eu e meu parceiro de vida Michel Gutto

No momento que acordei da cirurgia só de ver que os dois estávamos lá, meu coração acalmou, a essência feminina chegou ao mesmo tempo, sim eu me sentia mulher de verdade. E todo esse processo me fez crer muito mais em Deus, minha fé aumentou muito, mas realmente dar valor a tudo à sua volta e não julgar a dor da outra pessoa, você não percorreu o caminho que ela percorreu, pois muitos me julgaram, achavam que era frescura, mas no fundo poucas pessoas se aproximaram para estender a mão e ouvir o que eu estava passando. Sim, perdi amigos nessa época, mas reconheci os verdadeiros e tive a certeza que o meu namorado Michel Gutto até então, era meu parceiro de vida, ele sim segurou a barra ao meu lado, sem me deixar desistir da vida!

E esse texto não é para desistirem de mudar o corpo, não é para acharem que a cirurgia plástica é um bicho de 7 cabeças, não, não é!  Sim, tem riscos como qualquer cirurgia e eu fui premiada.

Se eu me arrependo? De forma alguma, faria novamente! Fiquei com um corpo incrível e acredito que tudo o que passei, eu tinha que passar, Deus tinha um propósito, foi para dar valor a pequenas coisas, deixar de lado a vaidade que me consumia diariamente, hoje continuo vaidosa, mas não perco o sono por isso. Eu terei que fazer em breve correções no seio e vou adicionar uma abdomenplastia, a gravidez me deixou bem flácida e vai dar tudo certo, só que dessa vez vou tomar muito mais cuidado!!

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Meu corpo pós cirurgia

A cirurgia plástica não é algo banal, mas muda a vida das pessoas, devolve a autoestima é incrível. Faça, se informe, procure um médico, procure seu histórico, recomendações de outros pacientes, pesquise o hospital, se sinta segura e ai sim estará pronta pra mudar seu corpo.

Julguem menos, estendam mais a mão! Mais amor e, por favor e sem militância neste post, hein?!

Bjokas e se amem!

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