5 de março de 2015 20:51 comportamento

Meu marido pode me largar porque engordei?

Por Renata Poskus Vaz

Sim, minha amiga, o seu marido pode te largar só porque você engordou. Mas se um dia ele fizer isso, por favor, não lamente. Você terá se livrado de um babaca!

Quando estamos em uma balada, não saímos com uma placa escrito: “Leio Hamlet, sou doce, educada, divertida, religiosa e transo como ninguém”! Neste caso, a aproximação se dá, primeiramente, pelo físico. Quantos casais já não se formaram assim? Depois da atracão física vem a paixão, a convivência, a identificação e finalmente o casamento.  Este último, teoricamente, só deveria acontecer quando se há amor. E no amor não existe essa de desistir do outro porque engordou, emagreceu, ficou careca, doente, pobre etc…

Então, quando vejo homens se desfazendo de suas mulheres porque engordaram ou envelheceram, me pergunto se naquele relacionamento algum dia existiu amor. Não, não existiu! E muitas vezes, esses mesmos homens que se desfazem de suas companheiras como se elas fossem chinelos velhos, também sofreram as consequências do tempo em seus corpos. Todos mudam. Os que não amam, só enxergam as mudanças no corpo do outro e nunca em si mesmos.

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Keely, esposa de Pierce Brosnan

Aqui no Blog Mulherão já contamos a história de Pierce Brosnan (relembre aqui), o 007 das telonas que há décadas é casado com uma ex-modelo lindíssima e gorda. Uma mulher deslumbrante, para a qual ele sempre declara seu incondicional amor e admiração.

Este texto não é para deixar a mulherada em choque e condenar todos os homens como desalmados. É para mostrar que existem sim homens maravilhosos que sabem amar e respeitar suas mulheres, independente do peso. Serve também de alerta. Se o seu marido te ofende, te humilha e te despreza por causa do seu peso, não é você que tem que mudar. Esse cara que é indigno de você.

Você merece mais.Muito mais! Como os mulherões abaixo:

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Heitor Peixoto e Rafaela Coelho 

 Conheci a Rafa em 2006. Ela já era mãe de um filho, e tinha o que se chama por aí de “corpo normal”.

Lembro que a Rafa me arrebatou logo na primeira “olhada”, e ainda mais nas primeiras conversas presenciais (já vínhamos trocando mensagens virtualmente antes do primeiro encontro). Não sem razão, com dois meses de namoro já éramos noivos, e com sete meses, marido e mulher, com igreja, cartório… pacote completo.

Menos de um ano depois, na gravidez da nossa pequena Laura, os primeiros três meses foram mágicos. Porém, uma grave doença – hiperemese gravídica – tornou o restante da espera um pesadelo. Vômitos incessantes, dia e noite. Em vez de ganhar peso, Rafa perdeu mais de 30 quilos na jornada, internou-se sete vezes, uma delas em CTI (desidratação severa,  desnutrição, depressão), e por pouco não precisou de se alimentar por sonda, o que seria um risco para a Laurinha que chegava. Ela era pele, osso… e barriga.

Como último recurso, o médico entrou com corticoides e dieta à base de whey prothein e maltodextrina. Coisa de academia mesmo. E deu o alerta: “prepare-se, porque quando passar essa fase, você vai engordar muito”.

Dito e feito: Laurinha chegou, graças a Deus melhor do que a encomenda, e Rafa passou a engordar. Mais de 50 quilos. Até voltou a emagrecer recentemente, com um belo e cuidadoso tratamento. Mas uma nova cirurgia, dessa vez de joelho, retomou tudo que havia perdido.

Isso, claro, mexe com a autoestima de qualquer mulher. Me incomodava também, mas apenas quando a via insatisfeita. Os quilos e manequins a mais nunca me preocuparam (nunca não, apenas pela perspectiva da saúde, na qual estamos sempre de olho), mas vinham aborrecê-la cotidianamente, sobretudo na hora de escolher a roupa para sair: “Tá marcando na barriga? O braço tá gordo? Tô enorme nesse!”. Da minha parte, eu até me forçava a desgostar do que via, tentando concordar com ela. Mas não tinha jeito.

Resumo da ópera: ao longo da nossa vida de casal, vi minha mulher de “corpo normal” engordando no início da gravidez, virando pele e osso quando do nascimento, engordando como nunca depois disso, voltando ao peso lá do início de namoro e engordando tudo de novo. Muitas Rafaelas diferentes? Para mim, não. O que via e o que vejo é a mesma mulher que me arrebatou nove anos atrás, com todas as suas perfeições e imperfeições, de corpo e de gênio.

Na real, houve sim duas Rafaelas. A magra e a gorda? Negativo! A que eu amei no primeiro olhar… e a que hoje, muitos quilos além, eu amo ainda mais. Porque diferente da paixão (tão arrebatadora nos primeiros momentos), amor é algo que se constrói e se cultiva lenta e pacientemente.

Se eu a abandonaria por engordar? Claro que sim! E neste dia, mudarei meu status de “casado” para “o mais estúpido dos homens”.

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 Erick Godoy e Carolina Lages

Acho que antes de falar do meu relacionamento, devo falar sobre o que eu entendo por família.  Vim de uma com muitos problemas e desde pequeno um dos meus desejos era uma companheira a quem eu poderia cuidar. Após muitas desilusões amorosas, conheci a Carolina.

Lembro muito bem daquele mulherão que passou na minha frente durante uma festa e também de pensar que ela era demais pra mim, mas o destino foi generoso e ficamos juntos. Dois anos depois de casados veio meu primeiro filho. Carol engordou muito e junto apareceram alguns problemas de saúde que faziam com que ela sentisse muitas dores e, triste, continuava a engordar.

Ela ficando mal,  me deixava mal também. Um dia sentamos, conversamos e percebemos que algo precisava mudar. Carol buscou tratamento, uma mudança de vida e nesse momento ainda raspou a cabeça careca. Era uma redescoberta de si mesma. Ela estava feliz, se aceitou e foi trabalhar como modelo plus size. Eu como marido “babão” sempre a acompanhei, sempre dei um jeitinho de ficar com ela, estar perto desse crescimento.

Se ela estava feliz eu estava mais ainda. Ela estar acima do peso nunca foi um empecilho para o casamento, o namoro ou o sexo. Nunca tive vergonha dela ou me arrependi de estar casado pois eu sempre soube quem eu queria.

Uma vez li um texto que falava “o casamento não é para mim”, e realmente não é. O relacionamento é para nós, é feito para dividir e compartilhar tudo, problemas, alegrias, lágrimas, dores e amores.

Amo Carol gorda, magra, com cabelos compridos, curtos, careca, loira, morena, ruiva… enfim eu amo a Carol pelo que ela é. E se eu posso dar uma dica, ou dizer algo sobre isso é: não tenha medo de tentar e nem espere o príncipe encantado, tenha em mente que a paciência e a entrega é a chave de um relacionamento feliz, verdadeiro e você tem que estar disposto a ceder, conversar e não é fácil como nos filmes, mas é delicioso.  Eu acredito que não é o peso ou a beleza física, mas sim quem você é, o que você quer. Então, seja!

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Marcelo Verona e Venância Roque

Sobre a pergunta, um marido até pode, na minha opinião, largar sim uma mulher porque ela engordou, mas isso infelizmente se ele casou apenas com o corpo dela!

Certamente, este não é o meu caso, pelo contrário… não vou dizer que o corpo da minha esposa na época mais magra não chamou a minha atenção, mas a forma de pensar, de agir, a beleza que não estava apenas externamente me cativou muito mais, tanto que casamos depois de 01 mês de namoro, rs.

Mesmo quando começou a ganhar peso, pra mim (e para muita gente, rs) ela continuava linda! E continua até hoje!

Lembro que quando casamos, foram justamente suas curvas que me chamaram a atenção em seus 65 kilos, isso com relação ao corpo, claro. Mas, sempre tive pra mim que um corpo poderia mudar e o que ficaria na realidade seria o mais importante, a personalidade, a companhia, as qualidades que verdadeiramente fazem a diferença em uma relação.

Felizmente, como disse acima, não casei apenas com o corpo dela!

Depois de 15 anos, posso afirmar que o que mantém nosso amor, definitivamente não são, nem nunca foram os quilos a menos ou a mais (tanto dela quanto meus, pois também engordei depois de casado, rs) nem a beleza, que minha esposa sempre teve.

Aquela mulher que eu conheci, continua charmosa, delicada, companheira e o principal, amiga, independente do peso!

Evidente, o cuidado com a saúde deve ser fundamental, pois quem ama cuida.  Quero vê-la saudável, animada, feliz e isso é diferente de estética. Mas, se ela quiser emagrecer, ou precisar por questões médicas, vou apoiá-la também.

Sou apaixonado pelo seu bom humor, força de vontade e disposição para viver a vida. Aliás, nisso ela sempre foi melhor que eu.

Pra dizer a verdade, posso fazer aqui um trocadilho e confirmar que o “peso” maior, não está em ser gordinha, estar com quilos a mais, mas deixar o mau humor e a insegurança tornar-se um “peso” no sua vida, no relacionamento.

Claro, toda mulher (e a minha não é diferente) precisa de atenção, cuidado e de um companheiro que quando necessário, possa dividir este “peso” emocional quando vier. Afinal, com quilos a mais ou a menos, com mais ou menos idade, ela continuará sendo mulher, a “minha mulher”, sensível e feminina.

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