9 de março de 2015 22:39 comportamento

Pedofilia é crime! Armazenar, assistir e compartilhar vídeos de pedofilia também é!

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Por Renata Poskus Vaz

Galera, o papo hoje é sério e há muito tempo eu queria falar sobre isso aqui,

Há alguns meses, uma amiga minha me mostrou pessoalmente,  por meio do seu celular, um vídeo de duas crianças fazendo sexo (uma menina de uns nove anos e um garotinho de 4 anos, aproximadamente). Antes de me mostrar o vídeo ela disse: olha que engraçado o que o meu namorado me mandou pelo watzapp.

Minha amiga dava gargalhadas, como se aquela cena fosse divertida. Obviamente que ela não estava se excitando com aquela cena, achava curioso crianças tão pequenas fazendo sexo, mas isso não diminuía a exploração e abuso que aquelas crianças estavam sofrendo.

A minha primeira pergunta foi: o que você faria se fosse o seu sobrinho neste vídeo? Gostaria que as pessoas vissem isso?”

Ela parou para pensar. Ficou envergonhada, mas ainda assim eu percebia que ela não havia notado a gravidade de se assistir e compartilhar pornografia infantil.

Então expliquei que essas crianças estavam sendo filmadas por um adulto explorador, pedófilo. E sua imagem estava sendo compartilhada para muitos outros pedófilos. Disse que, de repente, essa menina foi até orientada a manter relações sexuais com o menino menor. Talvez ela seja abusada sexualmente e fisicamente por um adulto, reproduzindo esse comportamento em outra criança. Essas crianças estavam sendo humilhadas, denegridas e expostas publicamente, um trauma que pode as acompanhar pela vida toda. Milhares de hipóteses que levam para uma só: abuso sexual infantil. Pedofilia!

Por fim, caso minha amiga não tenha de fato se compadecido pela exploração das duas crianças eu disse que o namorado dela ao compartilhar o vídeo estava cometendo um crime. E ela em receber e armazenar também. Falei que mesmo que achassem que podem sair impunes, que se ela perdesse o celular e alguém o achasse, poderia denunciá-la. Foi então que ela se desculpou mais uma vez e apagou o vídeo.

Pegadinha contra pedófilos

Foi pensando em pessoas como essa minha amiga, que acham que “uma olhadinha só não faz mal”, que a ONG Bandeiras Brancas criou uma campanha contra o consumo de material pornográfico infantil com usuários da internet para entender qual é o perfil das pessoas que se interessam por esse tipo de conteúdo, conscientizá-las e encaminhá-las para tratamento adequado. Mais de 123 mil pessoas foram impactadas na primeira fase da campanha.

Brunno Barbosa, publicitário, jornalista e idealista da ONG resolveu testar e informar pessoas de diversos lugares do País sobre o compartilhamento de conteúdos impróprios que estão circulando nas redes sociais e em aplicativos de mensagens de celular.

Noticia falsa e procura por pedófilos

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Em parceria com o portal humorístico Sensacionalista foi publicada uma notícia fictícia de uma menina brasileira de 12 anos que colocaria silicone para posar nua e conseguir dinheiro para viajar à Disney, nos Estados Unidos. A curiosa “matéria” dizia que ela teria feito isso com uma grande promessa de dinheiro e somente apareceria em uma revista russa local, porém, as fotos teriam vazado e estavam disponíveis online para usuários brasileiros. No final do texto, havia um link para as supostas imagens.

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Nos primeiros dias, aproximadamente 60 mil pessoas clicaram no link, que redirecionava para uma página onde mostrava a foto do usuário atrás das grades, com o seguinte aviso: “Cuidado, ser voyeur de criança é crime. Não alimente essa indústria criminosa”.

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Barbosa conseguiu acesso ao nome, e-mail e fotos dos usuários e, analisando este banco de dados, encontrou pessoas de todos os gêneros e idades. “Essa primeira amostra era muito genérica. Eu precisava chegar a quem realmente faz a busca por conteúdo pornográfico infantil, não somente os curiosos que caíram com a nossa notícia em sua timeline”, explica o idealizador da campanha. Parte da missão estava cumprida: informar ao público em geral.

Quem continuou a procurar por pornografia infantil?

Com a viralização da notícia fictícia, a campanha seguiu conforme a estratégia traçada e a matéria acabou aparecendo primeiro lugar em sites de buscas quando pessoas buscavam “fotos de garotas nuas”. Isso serviu como carapuça e finalmente começou a atingir o público alvo. Porém, veio a surpresa, antes de completar 1 mês, cerca de sete mil pessoas buscaram, acessaram a matéria e foram atrás do link com as fotos. O perfil mudou e passou a ser de homens com idades entre 25 e 55 anos. “Entendi que esse era o público-alvo da campanha, era para essas pessoas que eu precisava direcionar os meus esforços”.

Ele coletou, filtrou os dados obtidos e entrou em contato com essas pessoas através de uma página que criou no Facebook. Assim, teve a oportunidade de conversar com mais de 1.600 desses usuários e endereçou-os para clínicas especializadas ou pessoas que poderiam tratar esse tipo de distúrbio. As reações foram diversas.

Informação para diagnóstico e tratamento

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Além de crime, pedofilia é um sério transtorno psiquiátrico que precisa ser diagnosticado e tratado corretamente, explica Antonio de Pádua Serafim, psicólogo e coordenador do Núcleo Forense do IPq – Instituto de Psiquiatria HC. “Caracteriza-se por impulsos sexuais muito intensos, fantasias e/ou comportamentos não convencionais recorrentes, capazes de criar alterações desfavoráveis na vida familiar, ocupacional e social da pessoa por seu caráter compulsivo e causam sofrimento ou prejuízo na vida do indivíduo e ao outro”.

De acordo com o especialista em psiquiatria, nem todos os portadores do transtorno são criminosos. “Estudos mostram que a maioria dos portadores de pedofilia pode manter seus desejos em segredo durante toda a vida sem nunca compartilhá-los ou torná-los atos reais. No entanto, se transportam a fantasia para a prática, esta condição se torna potencial fator de risco para a ocorrência de violência sexual”, orienta.

O tratamento é interdisciplinar, envolvendo uma equipe de médicos e psicólogos. “Os médicos vão avaliar a necessidade do uso de medicação, como no caso de pessoas portadoras de pedofilia que apresentam quadros de ansiedade ou impulsividade. Já os psicólogos ajudarão os pacientes a desenvolver estratégias de enfrentamento dos impulsos e desejos sexuais. Mas tudo depende muito da pessoa ter a noção do crime e da violência que está cometendo, estar disposta a se tratar, além de receber a participação ativa da família”.

Impacto e reações

Brunno se diz satisfeito com os resultados que a campanha trouxe. “Tenho recebido até hoje feedbacks de usuários que procuraram médicos e estão em processo de tratamento, agradecendo o apoio. A notícia foi a terceira mais lida do portal em 2014, e um ano após o lançamento da campanha, ainda se encontra em destaque no Google, pessoas acessam diariamente e continuam sendo impactadas”, finaliza o idealizador da campanha.

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