13 de abril de 2015 02:46 comportamento

”Quero ser magra”

Por Renata Poskus Vaz

Desde que criei o Blog Mulherão vi surgir comigo uma legião de mulherões dispostas a defender que é possível sim ser feliz acima do peso que os outros consideram ideal. Muita gente se salvou nessa onda de “amor próprio, independente do peso”, inclusive eu. Foi o fim das dietas malucas, da exclusão social, da intimidação, do autoboicote emocional…

Há 6, 7 anos, vivíamos o massacrante culto ao corpo magro, com mulheres beirando a anorexia estampando as revistas de moda e estrelando nas telas do cinema e da TV. Não existiam os Instagram da vida, com dicas de emagrecimento saudável. O que se pregava na internet eram as fórmulas malucas de emagrecimento: restrições alimentares severas associadas aos remédios para comer menos, cagar  ir mais ao banheiro, desidratar etc. Uma loucura! Cirurgia bariátrica, então, era restrita aos obesos com graus elevados de morbidez.

Hoje tudo mudou. Vejo ainda uma pressão pelo “corpo perfeito”, mas o que percebo é que cada vez mais a qualidade de vida e saúde estão em primeiro lugar. Há quem deseje, ainda, emagrecer a qualquer custo. Mas muita gente entende que de nada adianta emagrecer em tempo recorde, sem saúde, sem equilíbrio e depois engordar tudo de novo e deixando a saúde debilitada.

E como ficamos nós,  que bradamos aos 4 ventos que nos amamos gordas? Somos obrigadas a continuar gordas? O que vão dizer de nós se, de repente, decidirmos emagrecer? Vão nos acusar de termos vivido uma mentira? Vão dizer que mentíamos sobre nos amarmos gordas? Vão nos julgar, nos condenar?

Sim, vão!

Mas você, sendo uma mulher bem resolvida, saberá que não É uma mulher gorda ou magra, que na verdade você ESTÁ gorda ou magra. O que te faz uma mulher que se ama vai muito além da sua forma, dos seus quilos, do seu peso, do seu corpo. Quando você se ama, não está amando apenas aquilo o que olha no espelho, mas o que está em sua alma. Então, emagrecer ou engordar não vai mudar o que você é e nem transformará o seu amor próprio em uma farsa.

Antes, você queria emagrecer para ser aceita pelos outros, para não ser xingada, para entrar em um padrão e para não se sentir rejeitada. Hoje, após o resgate da sua autoestima, você não quer emagrecer pelos outros, mas por si mesma.

Você pode se amar gorda e se amar magra também. Pode se amar com cabelo curto ou longo. Pode se amar loira ou morena. Pode se amar chacheada ou lisa. Pode se amar com ou sem tatuagem. Pode se amar jovem ou madura…

Desta forma, dane-se o que vão pensar de você! Se quer permanecer gorda, permaneça. Se quer emagrecer, emagreça. Mas sempre por você, para agradar a si mesma e a mais ninguém. As pessoas que te atacarem porque emagreceu são incapazes de se colocar no lugar do outro, não aceitam mudanças nos outros e não tem autoestima.

Este talvez seja o grande segredo da humanidade: amar quem a gente é, e amar aqueles que pensam ou são diferente da gente.  

Não, não fiz este texto porque quero ficar magra. Fiz este texto para deixar claro que sempre apoiarei e torcerei pela felicidade de todos os mulherões, gordas ou magras, e que aqui não selecionamos nossas leitoras por IMC. Mulherão é mulherão e pronto.

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