25 de novembro de 2009 00:41 comportamento

“Sou vítima de preconceito em minha própria ca …

Por Renata Poskus Vaz

Recebo centenas de e-mails com pedidos desesperados de ajuda de mulheres que sofrem preconceito dentro de suas próprias casas. Elas vivem uma rotina diária de ofensas e humilhações vindas do marido, pai, mãe, irmãos e até dos próprios filhos. São piadas, comentários maldosos e apelidos que se transformam em uma violência moral sem limites, que fere e às vezes mata. Sim, mata. Pois alguns casos de depressão podem se tornar irreversíveis quando a mulher desiste de lutar e acaba tomando como realidade o que os outros dizem e se nega a continuar vivendo.

Marido frustrado

É comum mulheres casarem magrinhas e depois de um tempo engordarem. Alguns maridos não admitem isso. Homens que se prezem reconhecem a dificuldade da mulher em controlar o peso e a auxiliam a emagrecer, convidando-a para caminhadas, sugerindo gentilmente mudanças na alimentação e até acompanhando-a em consultas médicas. Tudo sem pressão e alicerçado em muito amor e carinho. Há também homens maravilhosos que não se importam com o fato da esposa ter engordado, pois reconhecem que se ele teve o direito divino de criar uma barriguinha de chope e ficar calvo, não há nada demais em ela ter engordado alguns quilos.

Agora, há maridos intolerantes, grossos, que não percebem que as pessoas mudam e exigem que a mulher fique com o mesmo corpo que tinha aos 20 anos. Ofendem, gritam, humilham… Como se tivesse diante de um bem desvalorizado por causa do tempo. É por isso que eu digo: não mude por ninguém. Se tiver que emagrecer, que seja por você mesma. Não seja tola. Um homem que te maltrata não te merece. Você pode até emagrecer por ele, mas assim que engordar alguns quilos este ciclo de humilhações vai voltar. É assim que você quer viver? Em pânico?

Pais intolerantes

Alguns especialistas afirmam que mais do que fatores genéticos e hormonais, os maus hábitos alimentares são as principais causas da obesidade. Eu, por exemplo, tomava coca-cola na mamadeira e comia Nescau de colher desde os quatro anos de idade. Quem comprava essas delícias em casa? Aposto que se com 4 anos não existissem tantos alimentos gostosos e hipercalóricos na dispensa, eu certamente passaria muito bem só com uma bananinha.

Os pais enchem seus filhos de gostosuras. Filho gordo, na infância, confere título de pai zeloso, que não deixa faltar nada ao pimpolho. Só que depois que as crianças crescem, a gordura, ao invés de passar a idéia errônea de saúde, passa a falsa idéia de relaxo e ociosidade. Então, o que era um sentimento de orgulho para o pai, assume a característica de fracasso. Aí, o que eles fazem?

Poucos estimulam seus filhos obesos. A maioria faz piadas, desacredita o potencial de seus filhos e alguns até demonstram se envergonhar deles.

A única maneira de ser feliz é enfrentando o preconceito

A saída quando se é “perseguida” dentro da própria casa por pessoas que deveriam lhe dar amor, proteção e carinho, é procurar um profissional especializado em psicologia. Faculdades de psicologia costumam oferecer este serviço gratuitamente. Em alguns casos de agressão verbal é possível denunciar o agressor à justiça.

Outro passo importante é ter uma conversa franca com sua família e explicar que não é gorda porque quer e que não se sente bem com aquele tipo de tratamento. Mostre o Blog Mulherão para sua família. Se as ofensas continuarem, organize-se e saia de casa. Sem paz, ninguém consegue ter saúde e felicidade.

Lembre-se, você é especial e não é menos do que ninguém só por causa do seu peso.

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