25 de novembro de 2009 01:21 comportamento

Espaço da Leitora: por Vanessa Sobral

Há uns 7 anos, no auge da minha melhor forma (79kg, vestindo um “44 malhado”; nunca fui magra), conheci um rapaz no trabalho e com um mês começamos a namorar e com um pouco mais de um ano já ficamos noivos.No início tudo era lindo. Ele era bastante ciumento e me proibiu de várias coisas, como malhar e sair com amigos, por exemplo, alegando querer mais atenção e eu cedi; como eu disse: no início tudo é lindo!

Com o passar dos meses, e já tendo adotado hábitos bastante sedentários (minhas atividades limitavam-se a trabalhar e fazer programas engordativos de casal: cineminha + pipoca, jantares, fast food, etc.), alcancei a marca de 160kg! Pulei do manequim 44 para o 60! Aquele moço apaixonado já não era tão fofo assim. Demonstrava vergonha de andar comigo na rua . Fazia comentários desagradáveis, do tipo: “Você engoliu a minha Vanessinha” ou “Só comecei a namorar com você pois gordinhas são mais fáceis”.

Em seu novo círculo de amizade, feito com a promoção que ele alcançara graças também a tantos incentivos que dei, eu não fui apresentada. Os programinhas de casal já estavam quase extintos. Menos carinho, menos companheirismo, menos atenção. Percebi que cada dia que passava eu me sentia mais solitária e infeliz. Nesse tempo (2005), eu já havia mudado para um apê, que eu dividia com ele desde a compra, cujo objetivo era ser nosso ninho, após o matrimônio.

Um dia, sinceramente, eu não sei o que deu em mim. Só me lembro de ter esfriado bastante com ele uns 10 dias antes da tomada da decisão, antes do início do que seria o gozo de nossas primeiras férias juntos, durante uma briguinha, o rompimento. Garanto a vocês que foi o nosso primeiro e último rompimento em 4 anos de relacionamento; mas tenho certeza que o meu ganho de peso foi determinante. Ele cedeu à ditadura da sociedade de que os homens devem exibir mulheres magras ao seu lado.

Depois do calor da emoção da tomada da decisão, comecei a ficar hipertensa e entrei em depressão. Familiares e amigos ficavam aflitos quando eu não atendia o telefone, pois não tinha vontade de falar com ninguém. Isso fez com que minha mãe (meu ANJO aqui na terra – que Papai do Céu esteja cuidando bem dela) chegasse a mudar sua rotina e passasse algum tempo comigo, pois sabia da minha fragilidade emocional e tinha medo que eu fizesse o pior.

Dias muito difíceis foram aqueles. Sentia falta de tudo dele. Esperava por sua chegada todos os dias; afinal, isso fazia parte da minha rotina, até então. Meu erro foi viver minha vida pra ele, esquecer de viver a minha vida em primeiro lugar.

Hoje tenho a coragem de confessar que aquele COVARDE não tentou efetiva reconciliação em nenhum momento. Passados 3 anos, descobri que dias depois da nossa separação, onde ele alegava querer ficar sozinho, ele começara a namorar uma mulher do trabalho dele, muitos quilos mais magra que eu.

Mas eu dei a volta por cima, pessoal!

Demorou pra eu perceber que ele era um fraco, que com suas atitudes só fez dar mais força pra esse preconceito ridículo, e isso me machucou muito. Nós gordinhas temos sido mais discriminadas do que os negros, que lideraram por muito tempo esse ranking, devido à ditadura da beleza imposta que nada tem a ver com as mulheres reais. Por isso achei que tinha tudo a ver dividir a minha história com as outras leitoras desse blog incrível, que só tem nos enaltecido seja qual for o veículo de comunicação que consiga um espaço pra falar.

Depois do ocorrido, já conheci vários rapazes, até quando estava com o manequim 60, no auge dos meus 160kg (já estou vestindo 52!). Homens que valorizam outras coisas em uma mulher e não quanto ela veste. Hoje voltei a malhar e me alimento mais saudavelmente porque busco saúde, pois saibam que amo cada curvinha do meu corpo de MULHERÃO e não deixei os prazeres da comida de lado.

As pessoas têm imagens erradas dos gordinhos. Julgam termos falta de vergonha por não conseguirmos levar nossas dietas, mas só nós sabemos as dificuldades que enfrentamos todos os dias. Aí, inventaram a “tal de redução de estômago” que pra mim é uma agressão ao corpo e à vida de nós gordinhos (isso já seria assunto pra outro post).

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