25 de novembro de 2009 14:32

Por Renata Poskus Vaz

Em 2008, a revista Chocolate, admirada entre as jovens leitoras angolanas, organizou um concurso de beleza chamado Miss Chocotale, mas não imaginou que uma gordinha de 25 anos, 1,72m e 100 Kg seria uma das 10 finalistas. O nome dela é Tânia Almeida e criou uma saia justa entre os coordenadores da competição, que só analisaram fotos de rosto e esperavam apenas beldades magras em sua seleção.

Na foto acima, a linda angola que acompanha nosso Blog

Sem critérios de seleção, mas preconceito de sobra

O Miss Chocolate foi patrocinado por uma marca de linha de cosméticos e uma rede de perfumarias. As únicas exigências para participar do concurso eram a de se inscrever em uma das lojas e entregar uma foto em que estivesse usando os produtos da linha. E foi isso que a Tânia fez. Apoiada pela família, chamou uma amiga maquiadora, que por sua vez trouxe um fotógrafo, fez uma produção digna de modelo de capa de revista e tirou mais de 250 fotos. Depois, escolheu a predileta para a inscrição.

“Fui à perfumaria e me espantei quando a atendente deu uma gargalhada e disse que eu não poderia concorrer por estar fora dos padrões”, lamenta-se Tânia. Persistente, não se intimidou e falou com a gerente, que se desculpou pela atitude da funcionária e recebeu a sua candidatura.

Depois de um mês, Tânia recebeu a ligação da organização do concurso dizendo que estava classificada entre as 10 finalistas e que participaria de um ensaio final. “Quando chamaram pelo meu nome, olharam para a fotografia e para mim, depois olharam novamente, pareciam não acreditar que era eu”, desabafa.

à esq. foto que usou para se inscrever, à dir. foto realizada na etapa final

Uma vencedora

Em Angola, o preconceito é mais latente do que aqui no Brasil, agravado pela carência de personalidades GG e de lojas de vestuário para este púbico. Pelo que descreve Tânia, a organização da revista não esperava que uma gordinha se candidatasse a Miss. Ficaram surpresos, atônitos com a “audácia” deste mulherão. “Embora não tenha conquistado o primeiro lugar, consegui vencer o meu desafio pessoal e provei para muitas pessoas que quando queremos, independentemente do ”padrão”, nós podemos fazer. Desde então venci muitos dos preconceitos que tinha em relação ao meu corpo e melhorei bastante a minha auto estima”, fala a vencedora.