29 de julho de 2015 00:58

debora bresser gordofobica

Por Renata Poskus Vaz

Hoje, minhas amigas blogueiras do Maggníficas postaram um texto chamando atenção para as legendas preconceituosas do Portal R7 nas fotos do Fashion Weekend Plus Size, desqualificando o manequim da modelo Dayana Toledo. Insinuando que ela não merecia estar desfilando aquelas roupas, por não ser uma modelo plus size de fato.

Bom, mesmo sem o texto ser assinado, já sei quem é a jornalista que o escreveu. Esse humor ácido, que desqualifica ações e pessoas, é digno da mesma senhora que, há alguns anos, fez textos enquanto trabalhava no Portal IG abominando calças brancas para gordas e criticando uma marca do FWPS que colocava na passarela, segundo suas palavras, roupas muito curtas e sensuais para uma gorda. Na ocasião rebati suas críticas preconceituosas, pois gorda pode usar a cor que bem entender e ser periguete se quiser também. Mas o que saquei, de cara, é que a senhora crítica de moda queria mesmo era causar.

Desta vez não é diferente. Porém, o que ela ignora (ou não ignora e mesmo assim não está nem aí), é que Dayana Toledo, o mulherão lindo da foto, é uma mulher de verdade. Universitária, professora e que embora tenha um corpo lindo, pesa mais de 70Kg e está bem longe de ser uma modelo fashion. Ela não encontra roupas com facilidade em lojas, que vendem sempre, no máximo, até manequim 42.

Eu mesma já cansei de dizer e repetir que quando comecei a escrever o Blog Mulherão eu pesava 72Kg e usava manequim 44. E um dos motivos que me levou a escrever o Blog Mulherão foi a minha dificuldade de encontrar roupas bonitas e modernas nas lojas tradicionais. Já cheguei a andar por 6 horas em um shopping, provando roupas em todas as lojas que podia e nenhuma me servir. Eu precisei mergulhar no universo das lojas de “tamanhos especiais”, hoje conhecidas como “plus size”, para ter estilo próprio, usar o que queria e não o que cabia forçadamente em mim. Havia cansado de entrar em roupas da sessão de grávida da C&A e de usar camisas brancas com botões abertos, por não entrarem em mim.

debora bresser gordofobica 2

Aí vejo mulheres que pesam o que eu pesava quando comecei a “fazer acontecer”no mercado plus size e sinto na alma a dor que elas devem sentir. É muito cruel ser considerada gorda demais para ser “normal”e magra demais para ser “plus size”. Muitas pessoas não se preocupam em sugerir a uma mulher com obesidade a emagrecer, mas se encorajam às sugestões e inconveniências ao ver uma mulher com sobrepeso e manequim 44, como se ela merecesse ser cobrada por estar mais próxima do objetivo do “corpo perfeito”.

Plus Size não é somente obesidade mórbida. É também, mas não é somente. Plus Size quer dizer tamanho maior e não tamanho gordo. Maior contempla tudo: o gordo, o alto, o corpulento, o curvilineo… Tudo o que não é pequeno.

No último Fashion Weekend Plus Size tive a preocupação de contemplar diversos manequins na passarela. Haviam altonas usando 44, 46, 52 baixinhas usando 48, 52, 54… Gordinha de cintura fina, gordinha com seios fartos, gordinha com seios pequenos, gordinha com quadrilzão, gordinha sem bumbum… E também as plus size que não são gordas, mas são grandes. Estava todo mundo lá, devidamente representada! Não, não coloquei modelo manequim 60 na passarela, pois tirando a confecção Tamanhos Nobres que fabrica até o 70 (e confirmou participação na semana do evento), todas as outras se limitam a fabricar até o manequim 54. Mas é questão de tempo (e grana, porque não está fácil fabricar no Brasil, hoje) para essa grade ampliar.

Ver uma jornalista ironizar o manequim de uma modelo plus size é revoltante. Jornalistas deveriam se despir de qualquer preconceito na hora de fazer suas matérias ou serem menos preguiçosos e se iterarem sobre o assunto antes de destilarem seus achismos.

Para as mulheres plus size que se acham no direito de discriminar aquelas menores, que usam manequim 44, lá vai um recado. Você é preconceituosa tanto quanto aquelas que tentam diminuir a importância de uma mulher negra, dizendo que ela não é escura o suficiente para ser considerada tal.

Lute pelos seus direitos, sem anular os direitos daquelas que vestem um manequim um pouco menor que o seu.

Para ler o post da Maggnificas, que inspirou meu desabafo, clique aqui.