21 de setembro de 2015 17:47 comportamento

“Perdi a minha filha para a Sibutramina”

Por Renata Poskus Vaz

Algumas pessoas acham que são fortes demais. A ideia de morrer parece longe demais. Acham que podem tomar um remédio para emagrecer, comprado no mercado negro, sem medo. Que é só interromper o consumo, caso ele não faça bem. Acham que ser magra está acima de qualquer sacrifício. Que vale a pena qualquer meio que as leve a um corpo magro. Não, não é bem assim.

Olhe, abaixo, o depoimento publicado no Facebook, de Beatriz Martins, de Goiânia, cuja filha morreu após tomar sibutramina. É um depoimento triste, mas que serve de alerta para todas nós:

beatriz martins

“Quem conhecia a Carol sabe que ela era o sinônimo de festa e amigos. Não somente a festa de balada, era festa quando chegava em qualquer lugar trazendo sua alegria contagiante. Toda essa alegria hoje ficou na saudade de todos que a conheceram. Como ela tinha amigos! São vários amigos e ela adorava todos e se preocupava com seus problemas. Sofria quando via o próximo precisando de algo e não podia fazer nada, mas ela sempre procurava uma solução, ia atrás e quase sempre resolvia. Ela era cheia de vida, e planos, não parava um segundo.

Infelizmente tudo isto não bastou para ela. Ela não estava satisfeita com seu corpo, que como carinhosamente disse o amigo do meu filho “era cheio de curvas”, ela se achava sempre acima do peso e começava as metas de perder peso: academia, comer menos, etc. Anos atrás, ela usou medicamento para emagrecer, viu que não fez bem, veio até mim e se abriu. Ela não podia fazer uso desse tipo de remédio, pois tinha pressão alta, então desistiu, pois viu que não estava fazendo bem. Fiquei tranqüila e achei que ela nunca mais fosse fazer uso deste veneno.
Infelizmente, não sei o porquê ela voltou a tomar… Não sei precisar quando, mas pelo menos há 1 semana antes de sua morte fatal de acordo com os relatos que me contaram . Notei ao falar com ela ao telefone que ela estava um pouco agressiva na terça-feira, mas como ela tinha uns rompantes de mau humor pensei: “Hoje quem passar na frente da Carol vai levar uma tacada”. Respeitei seu mau humor naquele dia como se fosse um ato normal, mas não, já eram os efeitos da sibutramina e nem desconfiei. Os efeitos colaterais deste medicamento nela foram fatais: mau humor, alucinações e creio que depressão pois ela fez uso abusivo um dia antes de sua morte e como procurou socorro muito tarde não foi possível fazer a lavagem, somente aplicação de soro para rehidratar o organismo, ela foi liberada pelo hospital para ir para casa.

Então ela me ligou às 5 da manhã com alucinações, naquele momento eu não podia fazer nada, pois estava em Goiânia e ela em Uberaba, disse a ela para fazer uma oração com a sua avó, ela tinha uma certa mediunidade que ela não gostava, tinha medo de desenvolver. Liguei novamente às 6 e perguntei como ela estava , falou que tinha acordado a avó mas que ainda estava ouvindo alguém conversar na sala… Seu tio foi lá vê-la e como era médico viu que ela estava sob efeito de medicamento e pressionando-a, ela contou o que havia acontecido no dia anterior. Seu tio orientou que ela tomasse bastante líquido e que alguém ficasse com ela. Ligou para meu marido e pediu que nós a buscássemos em Uberaba porque ela estava precisando de ajuda. Infelizmente não chegamos a tempo de impedir que ela cometesse o ato fatal.

Tenho certeza que ela não queria partir, era cheia de vida e planos futuros, estava muito feliz em Uberaba e falava isso para todos de coração aberto. Estava decorando seu quarto na casa da avó que a acolheu com o carinho e zelo de sempre. Tenho certeza no meu coração que se ela não estivesse sob efeito da sibutramina nada disso estaria sendo vivido hoje. Ela não tomaria o excesso de comprimidos que tomou e nem teria perdido a vida num rompante de alucinação.

Agora a pergunta que fica: COMO ELA CONSEGUIU ESTE MEDICAMENTO??? Tenho certeza que não foi prescrição médica, pois o histórico de saúde dela não permitiria o uso. Fica um alerta aqui a todos que fazem uso indiscriminado deste medicamento, a todos que vendem na internet “o restinho que sobrou”, e aos laboratórios milagrosos que os vendem no mercado negro.

É a cultura da magreza, do corpo perfeito que predomina no nosso país. O limite da perca de peso tem que ser natural, nosso organismo tem um limite e todos temos uma estrutura óssea pré-definida. Quanta loucura tudo isso!
O que me dói é ver a vida da minha filha ceifada desta forma, se ela não tivesse conseguido este medicamento sei que ela estaria comigo aqui no dia 12 de outubro como havia programado. Por isso meu coração não está confuso, está dolorido, dilacerado de saudade e amor, mas estou certa de que nada faltou para a Carol neste breve tempo que ficou conosco, não carrego a culpa de dizer: “o que deixei de fazer por ela?”, pois fiz tudo que sempre esteve ao meu alcance e ela sabe disso, éramos não somente mãe e filha, mas infinitamente amigas. SAUDADES ETERNAS…”

 

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