18 de novembro de 2015 20:03 Saúde

Diário de uma bariátrica: a decisão de operar

Por Renata Poskus Vaz

Nós, do Blog Mulherão, defendemos que a mulher seja feliz mesmo acima do peso que a sociedade considera ideal. Isso não significa que sejamos contra o emagrecimento saudável, tampouco contra cirurgias bariátricas que, em alguns casos, podem salvar vidas. Na verdade, somos contra emagrecer a qualquer custo, para agradar terceiros, ou por questões puramente estéticas.

Achamos importante, além de mostrar casos de pessoas que se amam mesmo com o sobrepeso ou obesidade e que desejam se manter assim, também trazer casos de pessoas que, por algum motivo importante, decidiram emagrecer. Este é o caso da Aline Hasse, que prestes a completar 30 anos e com mais de 120 Kg, optou pela bariátrica.

Ela será nossa colunista especial. Vai mostrar todos os passos antes, durante e depois da sua cirurgia bariátrica.

Diário de uma bariátrica: a decisão de operar

Por Aline Hasse

Ser gorda realmente nunca me incomodou. O que sempre me incomodou foi o fato de as pessoas acharem que eu ser gorda me incomodava.

Sou gaúcha, tenho 1,71m de altura – que é uma estatura mediana para mulheres que nascem no sul do Brasil – e sempre tive uma “estrutura” maior. Sou grande por natureza, mesmo tendo nascido prematura.

Quando eu tinha uns 17, 18 anos, pesava cerca de 75kg e – minha mãe que me perdoe – mas ela vivia me dizendo que eu estava gorda. Gorda não. Fofa. “Cheinha”. Enquanto eu estive no colégio, fui sempre uma criatura ativa: jogava futsal, volei, handball, tocava em três orquestras e cantava em 2 corais e um grupo vocal. Ou seja: sempre tinha compromisso e coisas pra fazer. Me movimentava na mesma proporção que comia. Eu era grandona, mas não chegava a ser gorda. Hoje, vendo as fotos e comparando com o tamanho que estou, percebo isso. Mesmo assim, nunca me incomodei com isso.

diario de uma bariatrica 1

Quando entrei na faculdade, minha mãe também fez o vestibular e voltou a estudar. Educação física. Eu entrei para a comunicação social e, com estágios e cursos extra-curriculares, deixei de fazer todos os esportes que fazia. Mas continuei comendo.

Comecei um estágio em uma fábrica de máquinas agrícolas que tinha um pavoroso refeitório. Alguem aqui almoça em refeitório? Pois é. Eu O-D-I-A-V-A aquela comida. (Tenho trauma de lasanha e strogonoff até hoje. Por favor não me peçam pra contar essas histórias.) Mas como não tinham opções próximas, eu não ganhava VR e não tinha carro para ir até o shopping, comia bem pouco daquilo que serviam mesmo. Eu chegava no estágio às 7h30 e saía às 17h30 em períodos sem feiras ou eventos. Ia direto para a faculdade, comia um salgado qualquer na cantina e corria pra aula que começava às 19h15 e terminava às 22h30. Quando minha mãe tinha aula no mesmo dia, voltava com ela de carro, mas era bem rotina voltar de fretado pra casa mesmo. Chegava VES-GA de fome. Queria engolir o universo em 2 segundos.

E assim foram os quase 4 anos seguintes. Devo ter engordado uns 15kg nessa época em que fui efetivada, quase troquei o curso para educação física, me formei na faculdade, troquei de setor e noivei. Noivei e sabia que um ano depois, quando casasse, viria morar em São Paulo.

7 - aline_27anos2

Casamento sempre engorda, né? São panelas e utensílios novos, doidos para serem estreiados e uma vontade louuuuca de mostrar que sabe cozinhar! Em quase 5 anos de casamento, engordamos uns 30kg cada.

Como a comida é realmente um prazer pra nós – e nós amamos cozinhar, nunca foi fácil encarar uma dieta. Quando tinha 13 anos fiz uma dieta que eu comia sempre a mesma coisa: almoço era um omelete sem sal, couve refogada, um bife, uma colher de arroz e uma concha de feijão. E de noite era um miojo. Eu emagreci 15kg nessa época e cheguei aos 63kg. Foi o menor peso que já tive. Depois tentei muitas outras dietas milagrosas que nunca deram certo. Tentei Dukan. Fiquei mal humorada, com bafo e intestino preso. Tentei sopa. Morria de fome, apesar de amar sopas. Tentei lua. Só não comia a lua. Tentei abacaxi. Fiquei com mil aftas. Tentei reeducação alimentar. Tentei natação, jump, spinning. Tentei, tentei e tentei. Mas nunca deu muito certo a longo prazo.

diario de uma bariatrica 2

No final de 2014 comecei a trabalhar em outra multinacional, que valoriza muito a qualidade de vida dos funcionários. E uma colega estava no processo do emagrecimento da cirurgia bariátrica. Foi aí que comecei a pesquisar sobre o assunto e me informar como funcionava.

Esse ano, prestes a completar 29 anos e o bafo dos 30 chegando no cangote, resolvi ir na mesma clínica que minha colega faz o tratamento me informar melhor. E decidi no consultório que eu precisava sim fazer uma cirurgia também. Quero ter filhos e com 120kg é bastante difícil, mas não impossível. Comecei a fazer todos os exames, mas isso é assunto para outro post.“

Quer trocar relatos de experiências sexuais e tirar dúvidas com outras mulheres gordas? Entre no GRUPO SECRETO DO MULHERÃO, no Facebook, com entrada permitida apenas para mulheres: Clique aqui para acessar

MAIS MATÉRIAS INTERESSANTES