21 de novembro de 2015 19:42

Por Renata Poskus Vaz

Vejo amigas batendo no peito e dizendo, com todo orgulho do mundo, que jamais se rebaixariam por causa de homem. Jamais perdoariam uma traição, jamais pediriam para ele ficar, jamais dariam uma segunda chance. Jamais se jogariam aos seus pés, jamais demonstrariam suas fragilidades. Acho isso lindo. E, de fato, todas nós, mulheres, deveríamos ser assim.

Deveríamos compreender e aplicar às nossas vidas, o clichê: “se o amor acabou, então é porque não era amor” e sair dos relacionamentos fracassados com a cabeça erguida e um sorriso no rosto e não com os joelhos no chão e lágrimas rolando pela cara. Deveríamos dizer mais “vá com Deus” do que “por favor, fique!”.

É assim que me sinto hoje, é assim que eu agiria hoje. Sem segundas chances, sem oportunidades, porque quem ama toma o cuidado de não ferir, não age com inconsequência, não trai por nenhuma desculpa do mundo, não ameaça ir embora.

Porém, no passado, eu fui essa mulher que se rebaixa por causa de homem. Na verdade, não encaro como se rebaixar, mas lutar com todas as forças para ressucitar um amor. Chorava, implorava, fechava meus olhos para atrocidades que prefiria ignorar a ter que me desfazer do meu conto-de-fadas.

E como posso criticar, hoje, as mulheres que ainda se comportam assim?

Cada uma tem sua história. No meu caso, achava que os erros daqueles relacionamentos deveriam ser sanados neles mesmos. Eu não queria desperdiçar o caminho já percorrido. Achava que não existiria um relacionamento perfeito, que era mais fácil fazer aquela relação dar certo do que começar do zero com outra pessoa.

Outras mulheres lutam para preservar suas famílias. Não querem um lar com pais divididos. Sentem-se sobrecarregadas e carentes sozinhas. É fácil ter amor-próprio quando não se tem filhos, contas e mais contas para pagar, jornada dupla de trabalho e nenhum tempo para se cuidar, ter amizades ou para ousar sonhar com um novo e verdadeiro amor. É mais do que uma dependência psicológica, é querer manter em suas vidas os protagonistas e reviver os melhores momentos, com medo de que eles nunca existam com outra pessoa.

Saber ser feliz sozinha é a glória. Deveria bastar. Mas é difícil chegar até esse momento de entendimento e de consagração máxima do amor próprio. Às vezes precisamos de apoio. E o único apoio que tínhamos de fato era daquele que, de uma hora pra outra, decide ir embora. Fora isso, é só julgamento.

Quando amigas me contam que desejam dar uma segunda chance para seus amores, algozes aos meus olhos, sempre digo: Tente. É melhor se arrepender por ter tentado do que eternamente ficar pensando como teria sido. E diante de uma negativa por essa reconciliação, chega o momento de enxugar as lágrimas e seguir em frente, sem olhar para trás.

Tudo passa. Às vezes demora, mas passa. A vida reserva surpresas e novas possibilidades maravilhosas. Uma vez, um sábio senhor me disse: “Renata, para calçar um chinelo novo, você precisa tirar o chinelo velho do pé”. E eu descobri que isso era verdade. Você vai trocando os chinelos velhos por novos até que calça um sapato de cristal, ISO 9002, inquebrável, confortável e percebe que  nunca mais precisará trocar de calçado, porque esse sim te fará feliz para sempre! ♥

p.s: Se precisar de ajuda para superar, procure um grupo MADA na sua cidade (Mulheres que Amam Demais Anônimas) existem muitas páginas na internet. Ou então um psicólogo.