24 de janeiro de 2016 01:20

geek plus size 1

Por Renata Poskus Vaz

Pensamos que depois de completar os tão temidos 30, nenhum ano a mais poderia causar tanta diferença em nossas vidas. O aniversário de 30 anos representa o rompimento com aquela adolescência tardia que sustentamos com um desespero disfarçado, por tanto tempo, durante todos os 20 e poucos, 20 e muitos, 20 e todos anos. Aí vem os 31, 32 e 33 anos e, de repente, a poesia em forma de idade: 34 anos.

Não tem jeito. 34 já é quase 40. Não dá mais para olhar para trás e dizer: “tenho 30 e poucos”.  Está lá o pé de galinha estampado no cantinho do olho, o vinco na testa que não some nem com o rugol importado de ultra-rica. O bumbum cai. Ah, ele cai. E, de repente, você enxerga gritando entre os fios de cabelo loiro, um fio branco. E ele é grande. Muito grande e grosso… Mostra para o que veio! Vem pra dizer que o tempo passou, que você não é mais uma menina. Você pensa: “se meu cabelo está ficando velho, imagine meus ovários”. E então lembra dos filhos que não teve. E, surpreendentemente, fica estranhamente calma. Ri de si mesma.

Ri, porque ao contrário da menina que foi ontem, sabe olhar com graça para os sonhos não realizados, para as conquistas não vividas e para os erros cometidos. Percebe que, mesmo com a maturidade escancarada pelo fio de cabelo branco, ainda tem tempo para viver tudo o que sonhou e sabe que, mesmo que por ventura não consiga, ainda assim, a vida terá valido a pena. Aprende o que é gratidão. Aprende o que é ter paciência.

Essa mulher de 34 anos tem maturidade suficiente para perceber que também viveu coisas diferentes e grandiosas com as quais jamais ousou sonhar. Percebe que, vez ou outra, precisou mudar o rumo, sabiamente, vivendo descobertas maravilhosas.

A mulher de 34 anos já não tem mais medo, tem coragem.

A mulher de 34 anos sou eu.