28 de março de 2016 17:30 Moda e estilo

Aline Zattar levanta o debate: “a partir de …

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Por Renata Poskus Vaz

É só eu postar a foto de uma modelo plus size qualquer, que logo vem aquela enxurrada de críticas: “mas ela não é plus size”, “plus size tem que ser gorda de verdade”, “plus size tem que usar acima do manequim 52” e por aí vai. A verdade é que há uma confusão muito grande sobre o que é um tamanho plus size. Questão que já cansamos de abordar aqui no Blog Mulherão (mas não tem problema, a gente repete, repete e repete, até todo mundo não ter mais dúvidas!) e que foi levantada esta semana pela modelo plus size Aline Zattar.

Ela, que usa manequim 48, fez um ensaio de lingerie especial para levantar o debate: “a partir de qual manequim é considerado plus size?”. Segundo a modelo e empresária (ela é dona de uma loja plus size na internet), plus size é a partir do manequim 44.  “A partir daí já começa a ficar mais difícil achar roupas nas lojas”, complementa.

E eu, Renata Poskus, concordo com ela.

44, 46 e 48 não é plus size porque dá para encontrar em lojas comuns

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Como assim, meu povo? “Dar para encontrar” é completamente diferente de encontrar com facilidade. Quem usa manequim 44 não quer ficar com as sobras ou só com looks pretos e sem cortes, pois é isso o que acontece quando uma loja tradicional tem sua grade estendida até esse manequim. Isso sem contar com aquelas que são manequim 44, vendidas com tamanho de manequim 40. Em lojas tradicionais não se há o mínimo de respeito e valorização da mulher que usa manequins maiores.

Todas as mulheres plus size sofrem dificuldade para encontrar roupas bonitas e de qualidade. Isso não é uma competição de quem sofre mais.

Plus Size não é sinônimo de OBESIDADE

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A moda plus size é sim moda para gordas. “Quando entrei no mundo da moda plus size, foi como se uma porta se abrisse para novas possibilidades. Pude deixar lá para trás, em um passado nem tão distante (mas agora bem longe da minha realidade), o preconceito por estar fora de um padrão, ou seja, por ser gorda. Minha vida mudou completamente”, relembra Aline Zattar. Porém não é apenas moda para gordas. As altas, grandes, com medidas maiores e que não tenham flacidez, celulite, barrigão, também integram o plus size.

Segregar uma modelo ou consumidora porque ela não é “gorda o suficiente” para o seu padrão, é um grande preconceito!

Imagine eu, que sou peituda, barriguda, não tenho bumbum grande, só colocar modelos com meu tipo de corpo no Fashion Weekend Plus Size, que organizo? Sem cabimento, né? Temos que aceitar a diversidade. Ser segregadora dentro do grupo das segregadas não rola!

Queremos grifes com modelos gordas de verdade nas campanhas!

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Nada mais justo que mulheres gordas também sejam representadas nas campanhas plus size. A questão é: queremos mesmo comprar roupas que foram fotografadas em modelos gordas? O que descobri em off, em consultorias que presto para grifes plus size de todo o Brasil, é que roupas fotografadas em modelos com manequins maiores costumam ter menos saída que as roupas plus size fotografadas em modelos manequim 44, 46 e 48. Nossa razão, como consumidoras, diz que modelos acima do manequim 50 são necessárias em campanhas, assim como modelos com barrigão e celulite. Mas quando compramos, usando a emoção, temos tendência a preferir as roupas que são demonstradas em modelos mais magras do que nós, sem barriga, com cinturinha e quadril largo.

Não compramos pensando no nosso “eu” real, mas como gostaríamos que nosso “eu” fosse.

Então, além de pedirmos modelos maiores nas campanhas, temos que comprar essas roupas de verdade, mudar o olhar e não ficar só na teoria.

Acordem, lojas!

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“Nós queremos moda, não só mais uma roupa para vestir”, afirma Aline. E ela complementa: “O mundo plus size vai além das roupas. Envolve autoestima, amor próprio e ego. Isso tudo é decisivo na hora de salvar uma vida em depressão, como aconteceu comigo!”.

Trabalhar com moda plus size é isso: conferir autoestima. E como se não bastasse esse retorno social, há o financeiro. Trabalhar com moda plus size é muito rentável. Então, se você é lojista e trabalha com moda feminina até manequim 40, amplie sua grade até 42. Se você trabalha até o manequim 42, comece a vender até 44. E por aí vai. Teste a aceitação do seu público, amplie sua grade e seus lucros. Pode ter certeza que tem muita menina entrando em uma calça 40 na sua loja, toda apertada, com zíper estourando, porque não tem opção e adoraria uma roupa 44, que lhe vestisse confortavelmente.

Créditos das fotos:
fotografia | Rodrigo Nascimento
maquiagem | Fernanda Elias
styling | Aline Zattar e Kamila Faria
lingeries | 2rios – Plus Size

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