22 de agosto de 2016 21:47

Por Vanessa Vares (leitora convidada)

Fiz bariátrica e me arrependi. Há quase 10 anos, quando eu tinha apenas 21 anos, cheguei ao auge do meu peso: quase 190 Kg. Eu sei que esse número assusta, mas na época eu era muito feliz. Tinha uma vida social ativa. Vivia no meio de pessoas que também eram gordas, participei de encontros pelo Orkut e Facebook.

Nesses grupos de amigos na internet, havia muitos amantes de gordos. Eu, por exemplo, nunca sofri para namorar. Alguns gordos frequentavam esses ambientes de encontros para se sentirem bem ou aceitos pela “sociedade”.

Foi nesta época em que operei o estômago. Embora estivesse feliz, sentia dores no joelho e na lombar. Precisei de 1 única consulta com o cirurgião gástrico e com a psicóloga para obter o meu encaminhamento para a cirurgia. A técnica escolhida foi a Bypass, em que foi colocado um anel no meu estômago restringindo a minha capacidade de ingerir alimentos.

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Antes da bariátrica (quase 190 Kg) e em 2014 (65 Kg)

Cheguei a pesar 63 Kg. Só que depois de um tempo, o peso voltou a subir e em 2011 estabilizou em 90Kg. Ótimo para meu 1,80m. Neste período fiz uma cirurgia plástica para retirada de excesso de pele na barriga, braços e seios.

Já em 2012, 6 anos após fazer a bariátrica, eu comecei a vomitar toda vez que eu comia. Era imediato, eu não provocava os vômitos. Eu comia, passava mal e vomitava. Era horrível. Sentia muita fome.

A verdade é que não tive respaldo nenhum do meu convênio quando realizei a cirurgia, lá em 2010. Nada de endócrino, psicólogo ou psiquiatra. Também tive uma falsa sensação de que estava bem e curada. Mas em 2012 começaram os vômitos. Era insuportável! Eu era recém-casada e meu marido percebeu, foi quando procurei ajuda médica pois além de todo o desconforto que eu sentia, minha família tinha medo que aquele quadro virasse uma bulimia ou anorexia (mesmo eu não provocando os vômitos).

Frequentei psicólogas, psiquiatras e nada do problema se resolver. Foram quase 2 anos de sofrimento, quando uma amiga que fez a mesma técnica que a minha disse: vai tirar esse anel que você acha sua vida novamente!

E fui em busca disso, dessa cura. Levou quase 2 anos para eu achar um profissional que me ajudasse nessa questão. Antes disso, o meu convênio de São Paulo, que era DIX AMIL, me encaminhava para palestras e nada se resolvia. Passei por mais de 10 médicos e um me empurrava pro outro, até que eu cancelei meu convênio em São Paulo e fiz um em Sorocaba, minha atual cidade de residência.

Consultei-me com um gastro que e é muito conceituado aqui. Pelo novo convênio, fiz em novembro de 2015 a minha cirurgia de retirada da vesícula. Também agendei para abril deste no a retirada do anel. Estava com 65 kg.

Antes da cirurgia de retirada, perguntei muitas coisas para o meu médico. Dúvidas e receios que eu tinha foram sanados naquela consulta. Inclusive, se eu ia engordar novamente. O médico me respondeu que sim,  que eu voltaria a comer normalmente e que teria que ter consciência de que poderia engordar tudo de novo. Fiquei com medo? Nossa, fiquei! Mas a minha vontade de me tornar saudável novamente foi grande, muito maior do que o meu medo de engordar.

Quando realizei a cirurgia de retirada do anel gástrico, o médico disse que meu anel estava “estrangulando” a entrada do meu estômago. É por isso que eu passava mal, porque a comida não entrava no meu estômago, voltava, eu vomitava e, com isso, jamais me sentia saciada.

Hoje me encontro com 86 Kg, tenho 1,80m. Ou seja, engordei 21 Kg desde a minha cirurgia de retirada do anel.

Atualmente tomo suplementos, vitaminas injetáveis, remédios para que minha vida seja normal. Penso comigo, será que se eu não tivesse removido esse anel gástrico eu estaria viva?

Hoje, quando me perguntam se eu recomendo a bariátrica eu respondo que não, a não ser que a pessoa esteja decidida a trocar uma doença por outra.