20 de Janeiro de 2010 01:31

Por keka Demétrio


Sempre achei que em certos casos o pensamento comum restringe a liberdade de escolha, e ser vaquinha de presépio não é muito a minha área. Por isso sempre gostei do diferente, do inusitado, e até homens prefiro aqueles de beleza indecifrável. Enquanto a grande maioria se extasia com a loirice de Brad Pitt, eu me deleito com os lábios caídos que completam a beleza feia de Nicolas Cage.

Essa possibilidade de escolhas, da visão além da grande massa é que dá um sentido especial à vida. Você, dono da suas vontades, descobrindo o que, como e quando ser feliz. E a vida adora gente que se aventura nas diferenças, nas divergências, que são audaciosas e atrevidas, e fazem disso uma ponte entre o que eram por determinação dos outros e o que realmente querem ser por vontade própria.  Pessoas assim mudam suas vidas e sua história.

E é isso que vamos assistir no Fashion Weekend Plus Size, mulheres que decidiram transpor essa ponte e assumir para o mundo o quanto são belas. Mulheres deslumbrantes que mais do que roupas estarão desfilando auto-estima, quebrando regras, paradigmas e conceitos.   Talvez por eu sempre ser muito atrevida e me identificar com elas, não vou perder este evento por nada. E também porque preciso saborear o gostinho da libertação de uma ditadura que alguém, não sei onde e nem porque, e isso também não mais me interessa, disse que pra ser feliz eu tinha que ser magra, ou melhor, macérrima.

Acho que quem ditou isso nunca soube o que é felicidade, mas eu sim, eu sei, porque felicidade para mim é muito mais do que ter um corpo sem gorduras, sem flacidez, sem estrias ou celulites, felicidade é entender que sou única, especial e que tenho uma história para escrever onde a autora sou eu.

A cada entrada dessas mulheres na passarela quero aplaudir e me curvar diante de sua audácia em se desnudarem para o mundo, onde cada sorriso será como se dissessem: Isso, olhem, olhem bastante, porque eu sou mesmo muito linda.

E é esse tipo de beleza que o FWPS vai mostrar, uma beleza que vai confrontar um preconceito que magoa, exclui e anula o direito à felicidade, colocando à margem mulheres capazes, inteligentes, e lindas como qualquer ser que se ama.

Vou linda, porque assim tem que ser para assistir a um show de mulheres lindas, fortes, com personalidade, dobrinhas, seios fartos e nádegas voluptuosas, e muita, mas muita atitude.

Nada será mais excitante do que aplaudir tanto atrevimento.