16 de fevereiro de 2017 15:53

A instablogger Gabriella Pinho, que divide na internet sua rotina fitness no perfil @gabriella.pinho e @divandonocrossfit, usou indevidamente a foto de Alice Ayres Pimo, blogueira plus size, do Madames Curves em uma montagem tosca, desrespeitosa e jocosa. Na legenda, ela diz: “um antes e depois pra vcs pra mostrar as mudanças que o crossfit proporcionou nesse 1 ano no meu corpo. Ah, para os que tiverem interesse a primeira foto foi em Maceió…”

Agora vamos aos fatos. O direito de imagem de uma pessoa não se restringe ao rosto, mas ao corpo inteiro. Esconder o rosto da Alice nessa piada de merda não foi o suficiente para preservá-la e impedir que as amigas e seguidoras da blogueira plus size não a identificassem e se sentissem igualmente ofendidas. O seu corpo gordo foi zombado, como se fosse um demérito comparado à silhueta de Gabriella Pinho, conquistada, segundo ela, com 1 ano de crossfit.

Para o azar de Gabriella Pinho, as gordas da internet formam um exército pesado, dedicado à combater qualquer tipo de preconceito ou referência depreciativa que façam às mulheres gordas. Ela precisou trancar seu perfil após a indignação de muitas gordas que exigiram uma retratação (que não veio até agora).

Alice Primo, a ofendida principal, declarou: “Galera, tks por todas as denuncias e todo o apoio. Estou bem e super feliz de poder contar com vocês! Tô recebendo muito amor! Tamo junto e isso só me fortalece”.

É triste não entender que é possível fazer um bom trabalho nas redes sociais, arrebanhar seguidores, sem ser desrespeitosa com outras mulheres.

Quando fui reclamar do fato na página Divando no Crossfit @divandonocrossfit, mantida por Gabriella, além de apagar meu comentário, recebi a seguinte resposta:

Vamos destrinchar o show de abobrinhas?

  1. Quem define se houve ou não tom jocoso ou ofensivo é quem se sentiu ridicularizado ou ofendido e não o ofensor.

2. Se a pessoa foi identificada, se estamos indignadas por isso, é sinal de que esconder o rosto da pessoa não foi o suficiente para não deixá-la exposta ao escárnio.

3. Ninguém define padrões estéticos? Defende sim, ou não faria um antes e depois usando o corpo de uma gorda como comparação.

4. Não foi uma montagem bem-humorada. Só quem agrediu tá vendo a graça a agredida e suas amigas não.

5. A maldade partiu de nós mesmas? Não confunda a violência do opressor com a reação do oprimido.

6. Por fim, não subestime nossa inteligência e aprenda a pedir desculpas.